18.6.17

O mundo vai acabar...e ela só quer dançar....

Personagem angustiado. Espera, espera, espera.
Para quê? Pelo quê? Não há nada falado.
É tudo o mesmo, igual, não há instante.
Surpresa porvir. O telefone toca.
É um outro convite. Ele nem pensou. Nem quer.
É a surpresa impossível que arde. Tem trabalho para fazer.
Tem trabalho para entregar. Que o personagem quer receber.
O tempo arrasta e a tela não muda. Cabeça parece máquina antiga.
Mesma tecla, repetida. Repetida. Repetida.
O telefone toca de novo. Sábado passado, à noite, à espreita. Nem quer.
O trabalho para entregar. Não termina. E a tela não muda.
Personagem angustiado. Espera, espera, espera.
Amigos, amigos, amigos, convites, luzes, outros personagens.
É hora de dançar. Veste alma. Veste vermelho. Express yourself.
Sapato alto. Todos os apetrechos. Os eus de viagens. Todos a reboque.
Uma, duas, três. Todas as memórias outra vez. O rosto que lembra.
Outra história. Outro samba. Outros fonemas. O rosto que cerca.
Outros amigos, outras festas, outros perigos. O rosto igual. Gêmeo memória.
Mesmo nome. Metade revival, metade "incesto". Outro convite. Outra noite.
Diversos outros corpos. Copos. E outra fase. E outro papo. E a memória....
Personagem angustiado. Para quê? Pelo quê? Não há nada falado.
Fecha os olhos e apenas lembra. Vermelho. Luz. Varandas e pensamentos.
Libertinagem. Beijos liberdade. Beijos sem amanhã. Mais uma música para cantar.

"Porque o mundo vai acabar  e ela só quer dançar.... o mundo vai acabar...
Ela só quer dançar, dançar, dançar".....


4.5.17

2 meses. 2 meses. 2 meses. Umas seis vezes....

2 meses. Férias. 2 meses. África. 2 meses. Aniversário. O início de um novo ciclo. Se as coisas continuam sacudidas no mundo, melhor o personagem revirar a pele de dentro para fora e respirar alegria interior.

Concentração. Sempre uma questão, novamente, com o perdão das pobres rimas... Personagem envolto em mídias e redes sociais de desilusão. Do pior do ser humano. Da direita, ultra... ultra entristecedora.

Meses de silêncio. O problema não é a falta de pensamentos. Dizeres. Voz. Falta mesmo de crença nesse estranho "porvir atual"... O estagnar em uma cidade, ainda que no eterno sonho, ainda que por escolha, é angustiante. Personagem Hermes, acordado; mensagem de devaneio aos deuses pulsando...

Concentração. Sempre uma questão. Tem África. Tem Colômbia. Tem Rio. Tem Rio. Tem rio de indecisões e saudades. Tem surpresa. Mas tem corda bamba para sacudir a tão certa espontaneidade, no sopro, no limite da ética, tão auto-cultuada. Personagem atônito, congelado.

"Saudade é despedida
Morrer um dia vem
Mas amar é profundo
E nele sempre cabem de vez
Todos os verbos do mundo
E nele sempre cabem de vez (...)"



- / -

Entre Mary Shelley, Bowler, Lobo, Bardin, janelas e mais janelas, mas o som vem lá do corredor. Ecoa o tia, tia, tia. E lá vai o personagem, aberto em sorrisos. De absorto em pensamentos a encontrado em risadas. Gargalhadas sem fim. Corre aqui, corre para lá. Esconde ao lado. Papel no chão é engraçado. Espelho em si, no passado, logo ali, parado, de frente. Corre aqui, corre para lá. Esconde. Dá risada. Personagem escolha. Parar temporariamente não é para parar. Não para esse personagem.

Estende os bracinhos e não há espaço para mais nada... Só gargalhadas entre um par de olhos profundos de um futuro cheio de esperança.

31.5.16

Tudo ao mesmo tempo agora, ontem e quiçá amanhã...


Agora, eu entendo flores e tapa na cara.
E o que nunca retorna.
Sempre a distância. De um país.
Outro país. Mais outro. Quase uma vida.

Uma visão embaçada.
O tempo que passa.
De uma mesma paisagem conturbada.
São só lágrimas de decepção e decepção.

Einstein. Diferentes. Realidades. Concomitantes.
Decepcionantes. O que não é o mesmo. Mas é igual.
É triste. É um exílio em si mesmo.

Tantas bocas. Tantas promessas. Palavras vazias.
Cheias de promessas. No esteio de viagens e viagens.
De realidade, de sonho, passado e futuro.


12.2.16

Vários passados atuais

De repente, logo ali, aquele sorriso de outrora. Camarada.
Tanta história, tantos planos, tantas viagens conversadas.
O que a memória esvanece, a presença sopra, alegre, faceira.
Dez anos e três países. Entretanto, muitas vidas.

Lá vem o churrasco. A viagem. Os animais. E as fotos. Nossas fotos.
O estalar de dedos do aqui ignora o tempo e lá vêm as risadas.
O humor ácido. As diferenças culturais. A falta de memória.
E até mil palavras trocadas de três idiomas.

Ainda somos os mesmos. Mas somos novos personagens.
Carregados de tantos anos, desenganos, sem danos...
Lá vem a nova festa, praia e travessia.


Agora temos os óculos. Para nossos lindos olhos trocados.
Quilos a mais e a menos, cicatrizes em alguns lados.
Mais carregadores, vários aparelhos, sem tempo para carregar. Falar.
Email ou postal? E você (eu) é meio diferente, também, meio tradicional.

Aquela placa é igual. O cenário é totalmente outro.
E tantas outras cachoeiras de emoções. De ausências.
Os longos caminhos continuam, cheios de músicas e risadas.
Com direito à noite barulhenta, sonolenta, confusa, calada.

E tem álcool no ar, na degustação, na cervejaria.
Bebida nova. Desfile. Gracejos. happy hours.
Mais gente doida, diferente, viajante.

E ainda existem os mapas. Oficiais ou rabiscados.
Tram brasileiro. Esquinas e ladeiras de cultura.
A busca pelo ambivalente aloe vera. Por frutas tropicais.
Nossas verdades internacionais. Nossas experiências individuais.

Um longo trajeto para dentro. Do passado. Do país.
Muitas horas. De estrada. De silêncio. De Abstração.
Quarto de tamanduá, luz de fazenda, janela sem fechar.
Logo ali um novo cassowary, agora quadrúpede; e Gigi.

De novo os peixes ao fundo, na memória e no agora.
Tem gruta, tem fruta, macaco biruta, sapo batuque.
Salto e foto de dourado. Cotia, jacaré e porco do mato.

Despedida de criança, boiando na correnteza.
Carona para mais um papo animado. Sem nome na parede.
Loucura de todos os santos, ode à cachaça.
E, de novo, a estrada. Com fotos. Hebraico.

Mais um retorno. Mais uma semana. Até a próxima vida.
Ainda tem mais festa. Atração popular. Praça - de guerra - lotada.
Chá de sumiço. Parque imperial. Desfile. Paraíso do passado.
Churrasco, família e até compras compartilhadas.

E, de repente, é isso. Mais um táxi. Mais um aeroporto e mais lembranças.
A casa vazia. O coração pleno. Transbordando de vários passados atuais e misturados.
Daquela felicidade cheia de saudade. Doída. Até a próxima vida.








9.12.15

Así es...

É como onda. Vai e volta.
Tal qual relâmpago.
Estrondosa.
Por vezes, arde. A alma.
A palavra na ponta da língua que não vem.
O segundo da foto que não você não tirou.
Así es. Como um pôr do sol contínuo.
Parece aquarela. Mas se vai.
E se esvai em chuvas de lágrimas.
Saudade. Saudade. Saudade.

16.11.15

Ora, pois pois...

Não, eu não sei não.
Não sei quando foi a última vez que você veio.
Vem me visitar.
Bate lá em casa.
Está sempre cheio, mas você faz falta.
Traz aquele saco de risadas.
A gente costura a alma aos pouquinhos.
Vamos ver fotos juntos.
Uivar para lua.
Beber e oferecer alegria para esse bando de almas...
Não tenha pressa, não fique tão pouco, não vá tão rápido.
Vontade de um encontro na esquina. Mesmo sem cigarro.
Não tem tequila na geladeira, contudo, a gente pede cerveja.
Cada capítulo, é uma nova história de sabores.
Aos poucos, seu caminho de volta está ficando eterno.
Este ir e vir é meu louco. Eu, sem você, não.... vivo, vivo, vivo.
Estou parada demais; precisamos viajar.
Não, eu não sei não.
Não sei quando foi a última vez que você veio.
Já está na hora de voltar. E, você sabe, nem sou de horas, ora, pois pois...

10.11.15

Só as crianças são felizes...

Tanto tempo sem escrever.
Corpo regurgita.

E o que resta de alma?
Como se faltassem vidas.

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Distraído. Ladeira acima.
Contas. Jobs. Cursos.
Mais as eternas promessas.
Paz? Só em si mesmo.
Mundo "cão" (que injustiça, por assim dizer...).

Bate o relógio.
Apressa o passo (eterno erro, metafórico, ou não).
É o prazo.
O documento para entregar.
Entrevista a fazer.
Conta para pagar.
E que saudade daquela roda gigante...
Mas, aqui, tem sempre o mar. De amigos,também.

Respiração ofegante que assusta.
Sente o frenesi.
Atração imediata, vira o rosto.
Ainda nem avistou os dentes, brancos, brilhantes...
Chegou antes a cativante risada.
Expressões lindas, carregadas de vida.
"E que ladeira, hein?!"
Dentes. Brancos. Muito brancos. Brilhantes.
E aquela gargalhada.

Eu diria que...só as crianças são felizes...
O segredo é descobrir que não tem idade para isso...
Personagem que vai. Volta.
Suspeita do vulto. Mas ainda está ali, parado.
Uns 70 anos infantes.