31.5.16

Tudo ao mesmo tempo agora, ontem e quiçá amanhã...


Agora, eu entendo flores e tapa na cara.
E o que nunca retorna.
Sempre a distância. De um país.
Outro país. Mais outro. Quase uma vida.

Uma visão embaçada.
O tempo que passa.
De uma mesma paisagem conturbada.
São só lágrimas de decepção e decepção.

Einstein. Diferentes. Realidades. Concomitantes.
Decepcionantes. O que não é o mesmo. Mas é igual.
É triste. É um exílio em si mesmo.

Tantas bocas. Tantas promessas. Palavras vazias.
Cheias de promessas. No esteio de viagens e viagens.
De realidade, de sonho, passado e futuro.


12.2.16

Vários passados atuais

De repente, logo ali, aquele sorriso de outrora. Camarada.
Tanta história, tantos planos, tantas viagens conversadas.
O que a memória esvanece, a presença sopra, alegre, faceira.
Dez anos e três países. Entretanto, muitas vidas.

Lá vem o churrasco. A viagem. Os animais. E as fotos. Nossas fotos.
O estalar de dedos do aqui ignora o tempo e lá vêm as risadas.
O humor ácido. As diferenças culturais. A falta de memória.
E até mil palavras trocadas de três idiomas.

Ainda somos os mesmos. Mas somos novos personagens.
Carregados de tantos anos, desenganos, sem danos...
Lá vem a nova festa, praia e travessia.


Agora temos os óculos. Para nossos lindos olhos trocados.
Quilos a mais e a menos, cicatrizes em alguns lados.
Mais carregadores, vários aparelhos, sem tempo para carregar. Falar.
Email ou postal? E você (eu) é meio diferente, também, meio tradicional.

Aquela placa é igual. O cenário é totalmente outro.
E tantas outras cachoeiras de emoções. De ausências.
Os longos caminhos continuam, cheios de músicas e risadas.
Com direito à noite barulhenta, sonolenta, confusa, calada.

E tem álcool no ar, na degustação, na cervejaria.
Bebida nova. Desfile. Gracejos. happy hours.
Mais gente doida, diferente, viajante.

E ainda existem os mapas. Oficiais ou rabiscados.
Tram brasileiro. Esquinas e ladeiras de cultura.
A busca pelo ambivalente aloe vera. Por frutas tropicais.
Nossas verdades internacionais. Nossas experiências individuais.

Um longo trajeto para dentro. Do passado. Do país.
Muitas horas. De estrada. De silêncio. De Abstração.
Quarto de tamanduá, luz de fazenda, janela sem fechar.
Logo ali um novo cassowary, agora quadrúpede; e Gigi.

De novo os peixes ao fundo, na memória e no agora.
Tem gruta, tem fruta, macaco biruta, sapo batuque.
Salto e foto de dourado. Cotia, jacaré e porco do mato.

Despedida de criança, boiando na correnteza.
Carona para mais um papo animado. Sem nome na parede.
Loucura de todos os santos, ode à cachaça.
E, de novo, a estrada. Com fotos. Hebraico.

Mais um retorno. Mais uma semana. Até a próxima vida.
Ainda tem mais festa. Atração popular. Praça - de guerra - lotada.
Chá de sumiço. Parque imperial. Desfile. Paraíso do passado.
Churrasco, família e até compras compartilhadas.

E, de repente, é isso. Mais um táxi. Mais um aeroporto e mais lembranças.
A casa vazia. O coração pleno. Transbordando de vários passados atuais e misturados.
Daquela felicidade cheia de saudade. Doída. Até a próxima vida.