31.5.09

Personagem....

Que não gosta de levantar bandeiras. Que não quer se esconder em grupo de opinião. De ninguém. Que quer o direito de mudar a todo instante. Que quer que a palavra não seja uma sentença. Que o momento não seja nem ópio, nem morfina.

Que a dor veja num círculo vicioso de prazer. Que o sorriso seja aliado da tristeza, no remexer de instantes que se completam. Que as músicas toquem. Iguais. Diferentes. Mas que existam, cada uma a sua beleza.

"Because this is what I wanna do....."

Com saudade do branco que pode ser tudo. Que é paz. Que é reflexo total. Que é controle de imagem. Que é palco para sombra. Que é oposto de todo um imaginário roubado... preenchimento de céu em fofas ilusões de momento.....

Repetitivo, mas essa é a verdadeira forma de encontrar um personagem que já foi real em toda sua confusão.

Porque, em nenhum instante, esse personagem vai se trair...

"Não, não vou te trair"...

28.5.09

A saúde não começa em casa, mas a pressão está boa...

Ele chega ao trabalho sentindo um leve incômodo no pé direito. Logo se lembra de um copo quebrado no dia anterior que, achou, não tinha causado mais infortúnios. Como tem todo o dia pela frente e está sem cartão do plano de saúde, na hora do almoço, resolve ir, pela primeira vez,ao Posto de Atendimento do organismo de saúde, em Brasília, onde trabalha.

Chega, ainda no corredor, e pergunta onde pode ser atendido, afirmando que, talvez, tenha um caco de vidro no pé. Uma simpática senhora pede que ele se encaminhe ao atendimento, “depois da garrafa d´água”.

Ele entra, narra, novamente, a história do copo quebrado, do caco de vidro que talvez tenha ficado no pé dele etc. Uma senhora, calmamente, pergunta se tem ficha de atendimento. Responde que não. Ela pergunta se ele nunca foi atendido lá. “Só vacina”, responde ele. Ela o encaminha ao atendimento, de volta à entrada, para fazer ficha.

Lá vai ele, mancando. Balcão de atendimento: onde trabalha; qual o ramal; endereço; vínculo; qual a sigla de onde trabalha.... Responde.

É, então, encaminhado para a enfermagem, novamente. Ele senta, ela pede seu telefone, data de nascimento. Responde. Começa tirando a pressão dele; ótima. É então enviado para a médica, mais para frente no corredor. Ele chega lá!

Três trabalhadores para serem atendidos. Os dois entram, ele aguarda. A moça do atendimento pede para ele se manifestar, caso a médica termine de atender o paciente, porque ela vai almoçar. Tranquilo.

Daqui a pouco, sai o paciente e ele entra. A médica olha a ficha, recém-feita, pergunta o que ele está sentindo. Conta mais uma vez. Então, ela começa a procurar um livro “o código tem de ser preenchido corretamente”. “Vidro, né?”. “Pé direito, no dedo?”. Responde. Ela procura o tal código no livro. Ela rabisca o papel, carimba e diz que vai levá-lo para as enfermeiras porque não pode ajudar. Não olhou o pé dele.

Ele é levado de volta para a sala das enfermeiras. Elas cochicham alguma coisa, a enfermeira diz que também não pode ajudá-lo em nada, se ele não está vendo o vidro, ela também não pode ajudar: “não tenho lupa”. Médica e enfermeia discutem um pouco, amistosamente. Chegam à conclusão de que é melhor ele ir para o atendimento do plano de saúde dele, porque a emergência do plano poderá ajudar...

Enquanto elas ainda discutem, meia hora depois, ele agradece e diz que vai realmente procurar o plano de saúde. Ninguém olhou o pé dele. E ele achou melhor nem pedir, afinal, “elas não podiam ajudar mesmo”. Mas a pressão dele está boa!

19.5.09

Estranha ânsia...

Estranha ânsia do ser humano de amar e ser amado.
Tão difícil o compromisso com o gozo, porque ele passa e o exercício do momento seguinte é desafiador.

Personagem que quer correr além dos radares, que quer ser pessoal, quer ser espontâneo, mesmo remando contra a maré.

Para que flores se ali os falsos escondem os espinhos?
Melhor dores que exorcizam o sofrimento de não ser no segundo exato de si mesmo.

Estranha ânsia do ser humano de compreender.
De ver com o próprio olhar.
Quando ver um lado nada mais é do que cegueira para imensidão......

Personagem que cansa de ver, somente, o(s) outro(s) lados(s).
Não quer ver o lado, cansado, de quem vê o referido passado.
Os que mentem. Que sugam energia. Que parasitam a espontaneidade da vida.

Quer ver o náufrago eu, de tanta lamúria, tanta injúria.
Hipocrisia sem rima.....

Estranha subsistência de ver tudo...
Mas respirar acima da maré de suposições....
De respeitar o cansaço do repetido perdão.

Estranha ânsia de um personagem de se amar.
Mesmo amando ao mundo....

14.5.09

Perfeito

Solta as amarras para o deslize de dedos nervosos.
Ideias repetidas, frenéticas.

Solta o sonho que é tão bom.
Por vezes, já melhor que a promessa.....

Solta as amarras para o sentimento que vibra...
Paixão que estoura meses de inércia...
Amor próprio que diz enough......

Lá se foi você, meu carrasco, meu capacho.
É o meu perdão.

Dos outros olhos, vem a minha força.
É a possibilidade de descontrole.
É o medo da loucura.
É o gozo no olhar, no toque, no cheiro de loucura iminente.
A todo instante.

E eu nem preciso dizer.
Não quero. Não sei.
Não penso, logo vivo.....
E ardo nesse seu sorriso.
Perfeito.

9.5.09

Bilhetinho sem cor...

Deixei um bilhetinho.
A mais linda caligrafia.
Você existe, meu bem?

Todo quadradrinho o papel sem jeito.
Esmeiro na letra do tímido personagem.

Sem palavras para dizer o coração.
Sem coragem para escrever; amor.

Deixei um bilhetinho.
Vazio, sem cor.

Você exige, para o meu bem, meu maior amor?

Volto, mas não me engane.
Adresse meu perdido ao seu labor.

4.5.09

Cinza: bondade além...

Um personagem que volta a enxergar a bondade humana em pequenos gestos sem interesse. Um personagem que volta a achar lindo o "boa noite" da moça que trabalha - é explorada - onze horas por dia em um posto de gasolina, ainda ouvindo piadas machistas....

Bondade que puxa memória e lembra que, todos os dias, todos os personagens têm a chance de olhar o sol invadir, com vida, cada ser, "energia D" na pele, no suor do equilíbrio da vida, de cada gesto que faz alguém parar e lembrar que os segundos não são momentos consecutivos sem sentido algum......

Não que haja um sentido só. Uma verdade específica. Mas há um todo além do vazio da cegueira rancorosa, magoada, frustada e infeliz..... Too much para uma frase só. Para um louco e renascido personagem.

Como uma tela de tv. Desligada. Refletindo tudo que se pode fazer no além quatro paredes. E eu falo de orgasmos espirituais, eu falo de todas as possibilidades que o sonho oferece e de todas as chances de buscar....o que quer que seja.....

Um personagem que assiste a este espetáculo. Todos os dias. Em cada "bom dia", realmente amistoso, da vendedora de rua.

Personagem que quer ser prisma e voltar a exalar possibilidades por todas as direções. Personagem que quer arrancar de si o discurso monossêmico e dominador, sombra de passado arrastado em países, relações e memória.

Personagem que sabe que a sombra nem sempre é ruim, mas que é cópia inversa, mentirosa, em seu reflexo que aparece de forma intermitente, enganando os meandros da luz....Because the word is shade, not shadow......

29.4.09

Você e seu sorriso...

Você e seu sorriso vêm trair as certezas do não querer.
Você e suas ilusões vêm amarrar o controle ao infinito.
Você e sua ausência vêm com suplício e como salvação ...

Danação de promessa....

Você e suas próprias dores.
Tão cheias de cores aos meus olhos, atento personagem.

Dissimulo o arco-íris do seu corpo no meu torpor memória.

Fujo desse sorriso a cuidar de mim como tolo de pathos.
Diagnóstico de vida.

Você e tudo que agora não quero ser.
Não quero ter.
Não quero repetir.

Para não ver a dor de partir.
Coração e presença.

Mas já não há querer.
É um personagem em devaneios....

Você e seu sorriso vêm trair as certezas do não querer.....

24.4.09

In the middle of a good dream...

"Eu hoje represento a loucura
Mais o que você quiser
Tudo que você vê sair da boca
De uma grande mulher
Porém louca!
Eu hoje represento o segredo
Enrolado no papel
Como Luz del Fuego
Não tinha medo
Ela também foi pro céu, cedo!"

Luz del Fuego, maravilhosa canção na voz de Cássia Eller....


Um personagem acordando de um longo e tenebroso inverno..... A energia vem tão intensa que a mente arde, assustada, que toda a paixão se esvaia e exploda em um cometa de ilusões e expectativas aprisionadas.....

Só os delírios da paixão fazem do céu escuro, cheio de nuvens, uma cama de sonhos, recheados de uma tal liberdade, sem igual, que nem a rotina suprime.... a liberdade da escolha, da novidade em você mesmo, a liberdade de ser o caótico cotidiano por um momento, a liberdade de experimentar o além planejado, a liberdade de insistir na inconsciência consciente......

"Im not afraid to say...I've had my ups and downs....."*

Personagem com o coração vibrando forte na mesma sintonia da música alta, explodindo coração. Daqueles momentos-cometa. Sem letras, sem fala, sem grandes expectativas, só o mágico momento do sair do coma e olhar ao redor, olhar para o céu e....Gosh, o mundo está ali, lindo como sempre......Ninguém sabe como, ninguém viu......

Um personagem que não arde a falta de si mesmo. Que se reconhece e se multiplica no suspiro de saudade de cada amor. Cada amigo. Cada dor. Seu próprio umbigo verdadeiro.....

"Now, Im standing in the middle of a good dream....."*

* "Further down the road" - Bernard Fanning

6.8.08

Esse É o cara...

Esse cara me levava para tomar sorvete. Lembro dos passeios mais loucos. Provavelmente a primeira viagem de metrô, totalmente Baby, foi com ele. Ele era capaz de nos levar para passear na Barra, do nada, saindo de São Gonçalo.

Esse cara me deu o meu primeiro computador. Com ele, aprendi a amar o mundo eletrônico. Ele me deu as apostilas de DOS e tantos outros programas antigos que nem me lembro... Porque, afinal de contas, o "usuário" sempre traz o problema que o técnico não sabe resolver.... E aí, é tudo "lama"... Ele também me apresentou, anos depois, o maravilhoso Word, após uma longa tortura de Carta Certa....

Esse cara ouviu vários e vários desabafos infanto-juvenis, pré-adolescentes... Com uma risada gostosa, uma calma, uma praticidade invejável. E uma mentalidade de consciência e paz que só a maturidade poderia esclarecer.

Ele me mostrou cada carro que comprou. Cada novo computador, notebook, ou gadgets que ele conheceu. Ele me contou de viagens, quando eu ainda nem sonhava em ter dinheiro para viajar.

Ele subverteu a lógica militar em minha casa, ao se tornar um maravilhoso morador do quarto ao lado. Nada de deveres. Jogos e computadores. Nada de cama cedo. Conversas até altas horas. Quase renomeou meu cachorro de Torto, deixando até ele entrar em casa.... Fora as guloseimas preparadas para família, por causa do novo morador....

Foi com esse cara que eu ouvi, pela primeira vez, sobre comida japonesa. E que história estranha era aquela de comer peixe cru.... Também com ele, vi aquelas câmeras maravilhosas, cheias de recursos, olhinhos brilhando.... Novidade, era com esse cara.

Ele me acolheu em Sampa, várias vezes, e me levou para restaurantes, conversou comigo até altas horas, sobre a vida, os problemas, o jeito pisciano - louco - de ser. Se pudesse, ele dava o carro, a casa, a roupa do corpo para você. "Daniele, qual o problema? O carro é meu, eu faço o que eu quiser". Com a voz mansa, repetia os argumentos calmamente e era capaz de convencer o cachorro a miar....

Ele me ensinou, indiretamente, a importância do trabalho. Quem quer, corre atrás. E também não deixou de dizer, mais tarde, que o trabalho não é tudo. Para que eu nunca esquecesse de me divertir.

Admiração. Essa é a palavra para descrever aquela criança, miúda, magrela, olhando para aquele cara tão legal. E é assim que essa mulher se sente; uma criança, de novo, desprotegida, querendo lembrar de tantas boas vivências divididas.

Ah, meu querido Leandro, eu vou me lembrar de você em muitas risadas, muitas histórias, nos saltos de asa-delta, nas viagens, nas torres. Obrigado por ter me ensinado tanto. Vou ficar devendo a lição que não aprendo: a perda. E, por favor, coma algumas tapiocas com a vovó por mim...

21.5.08

Goodbye My Lover

James Blunt

Did I disappoint you or let you down?
Should I be feeling guilty or let the judges frown?
'Cause I saw the end before we'd begun,
Yes I saw you were blinded and I knew I had won.
So I took what's mine by eternal right.
Took your soul out into the night.
It may be over but it won't stop there,
I am here for you if you'd only care.
You touched my heart you touched my soul.
You changed my life and all my goals.
And love is blind and that I knew when,
My heart was blinded by you.
I've kissed your lips and held your head.
Shared your dreams and shared your bed.
I know you well, I know your smell.
I've been addicted to you.

Goodbye my lover.
Goodbye my friend.
You have been the one.
You have been the one for me.

I am a dreamer but when I wake,
You can't break my spirit - it's my dreams you take.
And as you move on, remember me,
Remember us and all we used to be
I've seen you cry, I've seen you smile.
I've watched you sleeping for a while.
I'd be the father of your child.
I'd spend a lifetime with you.
I know your fears and you know mine.
We've had our doubts but now we're fine,
And I love you, I swear that's true.
I cannot live without you.

Goodbye my lover.
Goodbye my friend.
You have been the one.
You have been the one for me.

And I still hold your hand in mine.
In mine when I'm asleep.
And I will bear my soul in time,
When I'm kneeling at your feet.
Goodbye my lover.
Goodbye my friend.
You have been the one.
You have been the one for me.
I'm so hollow, baby, I'm so hollow.
I'm so, I'm so, I'm so hollow.

4.2.08

Então diga que valeu.....

Ele nem mencionava mais o personagem. Ficava em algum lugar perdido da memória, do coração, enquanto lembranças de todas as vidas iam acumulando em frenéticas e inexplicáveis experiências.

Curioso era que, ainda assim, todo o tempo estava sendo cobrado quanto a si mesmo. Você não é mais o mesmo. Você está tão sério. Tão diferente. Tão tão como se as pessoas tivessem a obrigação de parecer igual o tempo todo.... Ora, ora. Nós todos, afinal, somos muitos personagens que se revelam, que se criam, que morrem e renascem.....

E quem é que disse que nossas almas não guardam esses seres? São só momentos diferentes. Quase como vidas simultâneas.

Alguém senta aqui e escreve isso. Qual voz é mandada ao cérebro? Ainda não se sabe uma realidade ficcional de alguém ou uma ficção de si mesmo... Bem controverso como quase todos os personagens são, considerando tudo que carregam dentro de si.

O personagem nunca pensou que pudesse se sentir assim. Faltando a si mesmo, como um animal que não sobrevive sozinho na floresta... Ou fora do jardim, como no esplêndido Being there... Todos nós temos os nossos jardins; lugares onde somos, ou criamos referências de/para nós mesmos. Que deviam estar, dentro do coração, no gesto do corpo e no sopro de palavras ao vento....

Mas creio que o compartilhar de realidades acabe sendo como uma fuga. Um alicerse talvez seja uma alusão menos tendenciosa. Quem nunca observou o simbólico entrelaçar de escovas de dente no banheiro? Quem nunca dividiu um armário? Quem nunca argumentou sobre um programa na televisão domingo à noite....então....cast the first stone.....

Símbolos....Viver junto é mais do que isso. É o comprometimento de não ser mais só você mesmo. Incorporando todos os bons e os maus aspectos da face controversa. Em você e no/com o outro. No final, são vários personagens.....

O personagem nunca pensou que pudesse buscar sossego na casa dos pais. Abrigo. Encontrar o personagem recluso para não ver o fim de um personagem romântico.

É duro quando as toalhas se separam. Quando as camas se dividem. Onde não há mais espaço para dois, fica apenas a metade de um vazio; nada. Na física do amor, dois corpos ocupam o mesmo espaço, porque viram apenas um....

Simbólico again. É como se desfazer da parte de você mesmo que não funciona mais. Que não faz feliz. Que não completa. Mas que faz parte de você mesmo, tão inerente a sua memória. É assim que se chora o fim de algo que já não existe mais, que é só um vestígio do que já foi uníssono... However, it rocks....

Assim se chora o que a imaturidade, a diferença, a intolerância, a falta de respeito, a falta de relativismo cultural já tinham levado a reboque.... Assim reina o vazio. Assim a tristeza pede passagem.... Porque o hábito dorme abraçado. É o primeiro good morning, BABE.

O personagem nunca pensou que seria dividivo em mil pedaços. Reproduzido em mil facetas. Em mil mutações de meioses e mitoses de si mesmo.

Mas é assim. Alguns anos de (in)consciência e a dependência é flagrante. Não importa o susto, o grito e a dor. Os efeitos da droga e a memória do gozo sempre entorpecem. Mas é por isso que o sol nasce de novo todos os dias. Para fazer valer o passado. E para sacudir as novas escolhas.

THIS CHARACTER IS THE LOVE.

17.8.07

See ya soon Bris Vegas

Caminhando para South Bank, hoje, eu pude ter uma espécie de clareza sobre a vida. Como uma metáfora. Todos esses últimos dias, tenho estado tão ocupada resolvendo todas as pendências do mundo moderno, literalmente sem tempo para parar e pensar sobre a revolução, como voltar no espaço-tempo, que representa "voltar" ao Brasil.... Embora a situação seja outra, a pessoa, mais outra ainda, se é que posso usar essa torpe expressão....

Cruzando a Victoria Bridge, eu pensei em quantas vezes eu fiz aquele trajeto, sem perceber... Quantas histórias e quantos momentos foram perpassados por essa lembrança tão simples... E quantas vezes eu sequer pensei ou valorizei isso.... É e foi preciso pensar na idéia de voltar, para pensar no que foi o meu presente. No que foi o meu passado. E no que será o meu futuro.....

Eu olho, aqui, dessa linda varanda, essa vista magnânima de Brisbane e penso nos tantos momentos maravilhosos e pessoas espetaculares que essa cidade me ofereceu. Uma nostalgia me invade, dessas sem tamanho.

Sem perceber, essa noite foi toda assim.... De pessoas, de lembranças, de momentos marcos..... Parece ridículo, mas, de novo, eu me vi numa despedida de outra amiga, S, minha querida alemã, que se tornou a amiga do peito, após a partida de Jac Boy. Mais estranho ainda, enquanto pensava na idéia de minha querida amiga não alcançável por um telefonema e encontro em South Bank, numa realidade fisicamente distante, de objetivos e cidades diferentes, eu me peguei no momento crucial do "adeus" ou "até logo"....e pensei naquele filme, Sexto Sentido. Eu sei, Hollywood, Hollywood, mas o sentimento era o mesmo... Não dizer adeus...... Dizer até qualquer dia e ignorar essa estranha percepção da vida, o quanto tudo é momentâneo, e o quanto a nossa realidade é feita de momentos... Passageiros....

E cada momento que passa, cada realidade que vivemos - escolhida ou não-, é um pedaço de nós que dizemos adeus. Seja em nós mesmos, do que aprendemos e não somos, ou do que nos identificamos ou aprendemos em cada outro ser, em cada outro que a vida nos oferece, como ouro, como tesouro impagável......

Eu tenho a sensação que os momentos se repetem, de maneiras diferentes, em sentimentos espalhados, compartilhados, como mais uma chance para aprender..... Mais uma chance de decifrar que a vida é só mistério e só resta viver, curtir e guardar aquele sorriso gostoso na memória. Aqueles momentos sem preço...

4.8.07

Preto e branco

Eu cresci no preto e branco. Como letras escritas no papel, palavras desenhadas em moldes, regras; certo X errado. Sem nem perceber, cedo eu me vi cercada pelas convidativas e desafiadoras nuances da vida. Todo o rubro proibido, todo o negro, luto do diferente, todo o branco em possibilidades. Todo o colorido de poréns e entrelinhas.

Como aprender, no livro da vida, nas regras da sobrevivência, que a proteção nem sempre representa a verdade... Que o amor nem sempre faz as melhores escolhas.... Eu cresci admirando todas as outras possibilidades e mundos que cada segundo nos oferece. E entorpeci de desejo perante todos os sonhos por realizar, todos os mundos por viver, em mim mesma, e em tantas localidades que minha pobre geografia nem poderia vislumbrar.

Na penumbra da dúvida, da insegurança, não há melhor metáfora que as luzes de uma cidade piscando. Lá longe, arranha-céus com anúncios azuis, vermelhos, mil neons.... Cada luzinha mostrando o contraste, os caminhos que se pode escolher e se perder....e errar.....

Como um prisma. Como todas as luzes que podem refletir. Como todas as verdades que cada um de nós assume sobre cada instante. E como essas verdades possem se revelar em mentiras, ou se esconder em fatos.... O tal paradoxo que me persegue, aniquila o amor, a paixão, a sinceridade e a entrega.....

A ausência de sono nos traz de volta ao mesmo ponto. Ao mesmo labirinto. Ao mesmo beco. O que os anos pesam é só compromisso... com experiências traumáticas e busca errônea de padrões....

Meu discurso deve ser louco, como sempre, como eu - e eu nem me desculpo..... Lembro de ter lido, ouvido - sabe Deus-, que o cada ser mais procura é o amor, ser amado pelo que é.... Seja lá o que isso signifique. Mas será que somos só um? Essa é uma pergunta que vai perseguir até a eternidade..... Só não quero ser o troféu.... Só não quero ser a mentira mais sincera que brotou.... a história mais inovadora que se criou..... Todos os momentos só para ser. E ninguém para entender isso. Ninguém. Nem eu mesma...

E não é nem uma porta a metáfora. Essa, sim, fechada, a cadeados e chave..... com um lindo chaveiro souvenir..... É toda uma cidade de lembranças, oportunidades e dúvidas...

7.3.07

Homenagem ao autor/personagem

Querido B, obrigada pelo presente de aniversario, fiquei mesmo emocionada e resolvi retribuir a sua homenagem colocando aqui no meu humilde blog. Beijo grande, querido, e obrigada pelo carinho. Voce mora no meu coracao.


Homenagem a um personagem

Um dia de sol. Como tantos outros que ele já viu.
Mas, dessa vez, algo está diferente. O que é? Não sabe dizer...
Caminha. Pára. Olha ao seu redor. Nenhuma explicação.
Procura no céu azul uma justificativa para sua angústia. Não encontra.
Mas a sensação continua.
E as mudanças ficam mais nítidas.
O céu está mais azul.
A grama, com um verde único.
As flores exibem mais cores do que nunca.
O canto dos pássaros tem uma beleza nunca antes percebida.
Sorrateiramente, como um ladrão experiente, uma imagem, um rosto invade sua mente
E, como num passe de mágica, tudo passa a fazer sentido.
A lembrança daquele rosto deixa escapar um sorriso, com um tanto de alegria e um muito de saudade.
Um sorriso de criança feliz, tal qual o que ele vê
Com a mesma nitidez do primeiro encontro
O dia em que tudo começou? Fácil. 15 de maio. Ele não esquece. Como poderia, se ainda pode sentir seus lábios, sua pele, seu calor?
Desde aquele dia, algo mudou em sua vida.
Uma palavrinha simples, de apenas quatro letras, até então indecifrável para ele, passou a fazer todo o sentido do mundo.
Sim, havia aprendido o significado do AMOR. Verdadeiro. Único.
Daqueles que ficam para sempre na memória e no coração.
Hoje, a distância traz saudade, uma certa melancolia
Que alguns dias parece forte o bastante para fazer o seu peito explodir.
Mas, também, traz a esperança do reencontro
E, mais do que tudo, a felicidade por ter descoberto que, para ele, essa palavrinha mágica tem um sinônimo, com as mesmas quatro letras:
Para ele, AMOR = DANI
Aquela que faz a vida deste humilde personagem ter sentido.

B.Lemos

29.1.07

She prefers to be this paradox-walker

A person who put the mp3 together with the house key so as not to forget the key… According to a friend, she is exaggerated and true like Dalila, from Cazuza’s song, the singer that she loves. She was already a fan of Madonna, Roxette, INXS and even Menudo ( she confesses). Nowadays, she listens to music from Legiao Urbana to Damien Rice, passing through Almir Sater.

She likes straight hair, but on the other women… She is always changing her hair colour and size. Even “Narcise”, if she could, she would spend some days on another body, just to vary for a while.

From the astral sign Pisces, like the Portuguese sentence says: “fish dies because of the mouth”… Normally, she says what she thinks and she is always in trouble because of that. She tries to understand the other ones point of view and attitudes, therefore, she overthinks… She is the type of person who thinks, thinks, thinks and ends up jumping into the abyss…

She never remembers films' names and actors, but she is capable of citing whole dialogues from her favourite films. She can not memorize her friends’mobiles, but she still remembers the telephones of her childhood friends.

Capable of using different socks and going out with the shirt back to front, she loves a old jeans and a simple sandal. Preferably, without shoes… A basic black dress also fits really well…

She hates waiting and gets crazy in traffic jams. Movement, movement… She has serious problems to keep quiet. However, like children, if you start a DVD, she becomes a statue. Furthermore, with regard to children, she loves them, being capable of being a baby together, rolling on the grass… But she also says that children have a “expiration date”, before her low tolerance runs out…

She loves a big night at a disco, in a pub, or exploring the secrets of a good book. With her friends, she is always happy, the place does not matter.

She hates frustration and knows the “ name” of hers – few, fortunately. She has an Aquiles’ knee, but she enjoys swimming. If you allow, she turns the world, slow and continuously. She loves travelling and exploring new places. However, she considers her own house a sacred place where her friends have free access. For a friend, she can get up at four in the morning, although she hates to be woken up. It does not matter where she is, she takes her friends in her heart’s memory.

She prefers to smile than cry, but, sentimental, she can be sad watching advertising, or burst into tears watching Lassie… She loves animals that, for her, represent sincerity, pureness and loyalty.

She loves all sorts of cameras: digital, manual or really old ones. She loves writing and she says it is like the soul sliding from her fingers. She dislikes living without computers, Internet, but she loves spending long periods in remote places, enjoying mother Nature and “ recharging her batteries”… Sea bath, camping, hand gliding, walking, fishing….

She does not eat red meat, but she is crazy for chocolate. She changes a meal for a fruit salad, with the mango taste of her childhood on her grandfather’s farm; mango removed from the tree that, according to her uncle, it is really pleasant to see her eating, with all the face smeared…

Big eater, she is crazy for cookies and cream ice cream, camembert, prawns, calamaris, petit gâteau, four cheese pizza, garlic bread, ceasar salad, salmon with passion fruit gravy, octopus à doré, poulet à la française and any Mexican food. And, when she is away from Brazil, she misses caldinho de feijão, either from Arco do Teles or from Na Pressão, wherever...

She is allergic to the majority of medicine. Weak, she is capable of sleeping with medicine for flu. But she drinks like a fish; an expression that she loves. She never drinks when she drives. Therefore, when she had a car, during the weekend, the car was left in the garage...

To her workmates, it is always surprising that she smokes, drinks and really knows how to have fun. To her nightlife partners, it is unbelievable how serious she is when working ...

Danizinha, Dani, Danita, Dan Dan, Dã, Cris, Little Dani, Danielita, Possum… It does not matter the name, she prefers to be a paradox-walker than having the same old ( and unchangeable, standardized ) opinion about everything...

19.1.07

My divided character

It is like a stamp on the memory. If I close my eyes, I can remember the beautiful moon lying just over the Story Bridge. How many times I travelled by City Cat, appreciating the wonderful view of the city and thinking about all the good moments Brisbane had already offered me…

Another thing is the sun. Early in the morning, following me, like a ball of fire, all the rays of light, like options that we have to make, and like shooting thoughts. Brisbane, Brisbane, Brisbane. Sometimes I repeat this word unconsciously, like passion, like the love you cannot avoid feeling.

One of these days, suddenly, I realise I was feeling at home. I no longer had the strange sensation of visiting, not belonging. All the streets with English signaling seemed familiar and natural. Streets, though attractive, were not a foreign land. It was just my Brisbane. The Brisbane I already have deeply in my heart. A piece of my life that I will always treasure…

Not forgetting all the precious friends I met here, Brisbane is also the realisation of a dream. The possibility of living away from what it is expected from everyone. What do I mean by this? Everybody has to have a job, a successful one – if it is possible -, study, get married, settle down and reproduce the same standard behaviour. Brisbane was kind of a rupture with all the “correct life” I had been living as a whole, not with isolated facts, because I was always a paradox-walker…

Brisbane was a fountain to drink freedom of rules, not only social rules, but my own necessities of earning money meanwhile achieving some professional goals. This is the kind of thing that the majority of people dream of – I guess…

Normally, desires and dreams, different ones, compose us, human beings. However, we need to choose and abandon all sorts of other alternatives. What if we could stop for a while, in order to live another life, to try other things? Is it not such a wonderful opportunity? This is Brisbane to me, my friends. In addition, I found a marvellous city, with great landscapes, friendly people, and all the flavours inherent to newness. Oh, I am not even talking about the chance of facing different social rules and procedures, not only visiting, living instead. This is a special chance when living abroad…

I am, right now, like a lover, describing and numbering all the qualities of the beloved woman-man… My feeling now is a word that English does not have; saudosismo. Either from the life I left, or maybe the life I am going to leave now… All the sense of loss that I will have, if I decide to leave Brisbane… On the other hand, I also miss and love my Rio, the life that I left… Definitely, I am a person of multiple loves…

C’ est la vie, mes amis. We can postpone choices. We can “take a look” at the other side of the coin… But there is only one person to live all this… Enjoy as much as you can is my advice! Despite the torture of deciding, something really memorable!!!

30.12.06

Being Joe

At first sight, she looks serious and inflexible. Nevertheless, this same woman is capable of dancing in front of all IELTS classes, just to entertain them during the final minutes before a test. Despite being Australian at heart, she likes to remember British songs and also to speak about her childhood. Spontaneous. Emotional. Friendly. Sincere. Happy. There are many adjectives to describe Joe Robertson, a thirty-six-year old teacher, who loves her profession as can be seen in her classes.

Joe can burst into tears if a student has his visa denied. Discovering that a girl is pregnant and is going to get married, she can smile enthusiastically. Returning from holiday, she can as for apologies for not having been there, even though she has had a lot of fun.

Although she is a teetotaller, with her childish ways, sometimes she can look drunk, speaking to herself, smiling, doodling and even singing. Bringing, however, happiness to her students and friends.

A strange virgo. She does not write on the whiteboard a list of the things she has to do, having lots of sheets of notes instead. Nevertheless, it is impossible to find anything on her desk.

With reference to math, she is a marvellous English teacher… Sometimes her class has 10 students, or 13… and independently of how the tries to divide the group, it never works…

Indirectly giving her students an example of how life is, when they make a mistake, she is always offering “one more try”. In addition, sometimes she asks “once more”. Marking the characteristic snappy speed of her class, she can also complain “too slow”. It does not matter how many attempts are made, because you will end up just doing it…

Joe seems to know when her students have not been paying attention in the class, or if they have not done their homework. As a result, she will certainly ask them something. Indeed, she can make them change their handwriting or the way they move their lips to speak. Anything to improve English and IELTS grades!

Gluttony is another curious aspect of Joe’s personality. If you want to attract her attention, you just need to offer any kind of food. Listening to the rustling sound of plastic or any other type of packet, she stops what she is doing, searching for the origin of the sound, with her eyes shining…

It is thought that diversion is one of the best ways of learning. Coincidence or not, naturally this woman teaches with jokes and funny comments. Have you heard about Television-God? Ask her. Additionally, as she says, God is inside ourselves all the time… For instance, whispering “ Joe, you should not eat one more chocolate”.

Yes, she is crazy, funny and friendly, yet competent and strict. If you have classes with mad Joe, be prepared, because you will do a lot of homework! With regard to it, repeating her words, “do not be sad about red-pen corrections, because this is the colour of love”. Moreover, you need to go shopping urgently, so as to buy color highlighter pens to make life pink, blue and green with her…

20.12.06

His name could be Ricard...


A short man with beautiful blue eyes. For his close friends, a special bloke, known as Jac boy, despite his 39 years old. Additionally, it is really difficult to see Jac without a sympathetic smile on his face.

This guy, with a nice French accent, is capable of ¨seducing¨ you in a 20 minute-conversation. Experienced, he already lived in America; therefore he speaks Spanish fluently. He can also talk about Europe, wine, cheese or some of his interesting trips.

A good nightlife-partner, he can keep his behaviour, even having drnk liters of beer or other kinds of alcoholic drinks. Gentle, he is always offering drinks to all his colleagues. In Brisbane, he was the single sober one on a memorable trip to Nimbin with his friends. As he loves cinema, he could be easily found at South Bank, or dancing salsa with Latin aptitude.

A good cook, he loves inviting his friends to have lunch or dinner. If you are going to have a meal with him, do not be surprised if he offers you the aniseed-flavoured aperitif; Ricard. As French like to joke, "a Ricard or nothing".

His apartment was like a hostel where his friends had free access all the time. Where you find Jac, you will find him surrounded by friends in a celebratory mood.

Inventive, he was capable of starting a relationship with a Venezuelan woman over the Internet, surprising all his friends when he decided suddenly to go to Venezuela. Some weeks there, in South America, with Jac Boy, and she came to Australia immediately afterwards.

When his Brazilian friend was sad because her grandfather was in hospital, away, in Brazil, he was worried about it, trying to help her with sweet words. In another moment, his Mexican friend got sick, and he was the first one to prepare special surprises, in order to make him happier.

Barbies, crazy nites in the Valley, dinners in Riverside, trips around Brisbane; many conversations, either in his apartment, or in the “famous” Story Bridge pub, traditional meeting point; certainly, a lot of cultural interchange and unforgettable memories that his mates have. With regards to his friends opinion, Mr Jacques Rouaud is that kind of person that is always close to you, even having all the oceans between each other.

14.10.06

Personagem myself...

Prefere ser esse paradoxo ambulante…

Uma pessoa que coloca o MP3 no chaveiro de casa, para não esquecer a chave… Segundo um amigo, é exagerada e verdadeira como a Dalila da música do Cazuza, cantor que, aliás, adora. Teve o seu momento Madonna, Roxette, INXS e até menudo (confessa…). Atualmente, escuta de Legião Urbana a Damien Rice, passando por Almir Sater…

Adora cabelos lisos; nas outras mulheres… Vive mudando a cor e o comprimento dos cabelos. Mesmo “Narciso”, se pudesse, passava uns dias num outro corpo, só para variar um pouquinho.

Do signo de peixes, como diz o ditado: “morre pela boca”… Normalmente diz o que pensa e vive se metendo em encrenca. Procura entender o outro lado e as atitudes dos outros, por isso, reflete demais, demais, demais. É do tipo que pensa, pensa e pula no abismo…

Nunca lembra nomes de filmes e atores, mas é capaz de citar diálogos inteiros dos filmes preferidos. Não consegue guardar os celulares dos amigos, mas ainda lembra os telefones dos amigos de infância.

Capaz de calçar meias diferentes e sair com camisa ao avesso. Adora um jeans surrado e uma sandália de dedo. De preferência, descalça. Um pretinho básico também vai muuuuito bem.

Detesta esperar e enlouquece em engarrafamentos. Movimento, movimento... Tem dificuldade para ficar quieta, mas, igual criança, colocou um filme, vira estátua. Aliás, adora crianças, sendo capaz de virar moleque junto e rolar na grama. Entretanto, costuma brincar que crianças têm prazo de validade, antes que “a pouca paciência se acabe”.

Apreciadora de uma boa noitada numa disco, num pub, ou enveredando pelos segredos de um bom livro. Com os amigos, está sempre feliz, não importa o lugar.

Detesta frustração e sabe o “nome” das suas - poucas, felizmente. Tem um “joelho de Aquiles”, mas adora andar. Se deixar, gira o mundo, devagar e sempre. Adora viajar e conhecer novos lugares. Porém, considera o próprio lar um local sagrado, onde os amigos têm passe livre. Por um amigo, aliás, é capaz de levantar às quatro da matina, embora deteste ser acordada… Não importa onde esteja, carrega os amigos em cada lembrança do coração.

Prefere sorrir a chorar, mas, sentimental, é capaz de se entristecer vendo comercial ou se debulhar em lágrimas vendo “Lassie”. Ama os animais que, para ela, representam sinceridade, pureza e lealdade.

Ama qualquer máquina fotográfica: digital, manual, ou das bens antigas. Adora escrever e diz que é como a alma escorrendo pelos dedos. Tem dificuldade de viver sem computador, sem internet, mas adora passar longos períodos no meio do nada, curtindo a Mãe-Natureza e recarregando as energias. Banho de mar, camping, salto de asa-delta, trilhas, pesca…

Não come carne vermelha, porém é louca por chocolate. Troca uma refeição por salada de frutas, com gostinho de infância e manga do sítio do vovô; manga tirada do pé, que, segundo o tio, dá gosto de vê-la comendo, lambuzando todo o rosto… Boa de garfo, é tarada por sorvete de flocos, camembert, camarão, calamaris, petit gâteau, pizza de quatro queijos, pão de alho, ceasar salad, salmão ao molho de maracujá, lula à doré, frango à francesa e qualquer prato da culinária mexicana. E, quando está longe, morre de saudade do caldinho de feijão, seja do Arco do Teles, Na Pressão, wherever…

É alérgica à maioria dos remédios. Fraca, capaz de dormir com novalgina. Mas bebe como um gambá; expressão que adora. Nunca bebe quando dirige. Por isso, fim de semana, quando tinha carro, quase sempre o carro ficava parado na garagem…

Para os amigos do trabalho, é sempre uma surpresa o fato dela fumar, beber e saber se divertir como ninguém. Para os amigos de farra, inacreditável a seriedade no trabalho.

Danizinha, Dani, Danita, Dan Dan , Dã, Cris, Little Dani, Danielita, Possum… Não importa o nome, ela prefere ser um paradoxo ambulante do que ter aquela “velha ( ‘e imutável, padronizada’) opinião formada sobre tudo”!!!

28.8.06

Não existe a última lágrima

Sentado na sala. O teto é bem alto, mas não está frio. O corpo está cansado. Confiro o extrato do banco. Um filme estranho passa na televisão. As vozes em inglês aindam ecoam na minha mente de um dia inteiro ouvindo outro idioma no trabalho.

A viagem no fim de semana foi cancelada porque tenho de trabalhar. Entao, sabado à noite tem jantar na casa de nossas amigas. Domingo, festa do pessoal do trabalho. Chris não reclamou do cancelamento da viagem. Ela agora dorme deitada sobre minhas pernas que, embora esticadas, começam a ficar dormentes. Com uma das mãos, acaricio seus cabelos lisos e castanhos. Na outra mão, brinco com um copo de vinho. Uma estranha sensação de lar invade minha alma.

Ouço os cachorros latindo na casa da frente. As always… Os carros passam e também posso ouvi-los. Pela janela, posso ver a lua no céu. Linda. Que paz de espírito!!! Meu pensamento voa longe, mais distante que a luz, profundo no coração, para um conturbado passado.

Chris remexe, abre os olhos e olha para mim. "Are you crying?", pergunta ela, enquanto passa o dedo delicadamente pelo meu rosto e recolhe a lágrima, que ia escorrer do canto do olho direito. Seus lindos olhos azuis me encaram, doces. "I am only tired, Baby. Sleep.", respondo. Ela nem pensa e volta a dormir, sonâmbula. Quase um anjo.