21.6.12

Cinco minutos

Cinco minutos de ausência
Sem telefones, micro ou influência
Sozinha entre quadro paredes
Sem chopp, sem correria ou cantoria

Tique taque do tempo parado
No oculto do apressado
Palavras e poemas pensados
Em mais um adeus precipitado

De festas a inaugurações
Entre segredos e inesperadas negações
Alma virada em objetivos corações

Bagunça que não que se quer arrumada
Cotididano de fuga inventada
Eu e você, nós todos, perdidos na estrada

25.4.12

Recomeço

Recomeçar. Dar um novo ponto de partida. E onde é fim, onde é o começo?
Recomeçar. Para qual caminho. Qual estrada? Há mesmo um sentido?
Recomeçar. Em um novo momento. Outro questionamento. Mais uma vida.
Recomeçar. O mais difícil é querer. É escolher. Decidir.
Recomeçar. E a luta há de ser no mesmo lugar.
Recomeçar. Os sonhos. Os desejos. São os mesmos?
Recomeçar. Refazer o caminho, voltar no tempo e descobrir os atalhos perdidos.
Recomeçar. Deixar o silêncio para trás e continuar seguindo. Adiante.
Recomeçar. Separar ilusões e projeções.
Recomeçar. Deixar o triste por opção.
Recomeçar. Viver a escolha por felicidade.
Recomeçar. Sempre. Porque cada instante é um novo começo. A oportunidade de reescrever uma história. Qualquer uma.

6.4.12

Ausência


(...) Vida tem andado errática e confusa. Meio traumática ainda que sempre feliz. Corrida e quase parando em decisões. Misturada e sem rumo. De objetivo, sem paixões. Dos momentos de passagem, abrindo espaço ao novo, inesperado, não decidido, não escolhido, sequer planejado! (...)

22.1.12

Eterna babel


Não olho e sinto
Magnetismo de todo azul
Verdadeiro mar distante

Chá sem açúcar
Só para reviver o novo
Calor embaça copo ( e alma)

Voltam olhos de gato
Escaldado, virado, escondido
Sob lentes, duas águas-marinhas fogem

Diamante essa paixão
Profanado entre outras
Riscado, inválido, desperdiçado

Chá, meu céu. Você sem mel
Caipirinha incolor, sem amor
Infusões. Confusões. Dissoluções.

Feliz 2012 para nós dois!!!

17.1.12

Episódio 51


A simplicidade etílica, e palavras se repetem
Como a chuva lá fora, mais um corpo estirado à cama
Outro copo, outro sabor, outro gozo
No nova noite que se envaidece
Roupas pelo chão, juízo embriagado
Sem palco, sem dança, sem preliminar
Pulando dias em crepúsculo singular
Que de tão mistura, parece sonhado
Lingerie, grudada ao corpo
Espelho, suor e frio sem palavras
Escova de dente. Água. Tropeços sem chave
Vem aqui, meu amor, de novo, só "maldade"
Copos e guimbas; é lixo deflagrado
De repente, resquícios encontrados
E a mente é só estrago
Sonho e pecado, tudo entrelaçado
Com o perdão da rima sem sentido
Da poesia cheia de libido
De um sábado encantado...

------//------

Eu boto de novo a sua pinta
E você chega cheio de pinta
E pinta o sete de outra tinta
Quando pinta o desejo, não chega...

11.1.12

Insônia: o despertar


É como o psicografar de espíritos mentais. Os fantasmas de amores vividos, sofridos e frustrados. Todos os diálogos possíveis. Os ângulos alternativos de cada cena vivida. As feições, as miradas e as vicissitudes. Todas as vidas em uma; inerte, agitada e paradoxal; ilha noctâmbula cheia de possibilidades. Tal qual uma infinita paisagem de amores; de cores. Caminhos. À noite, somos os mesmos destinos em um só corpo sobressaltado, livre de escolhas, tormento em oportunidades. Não é espelho, é prisma. No reflexo de todas as cores, divididas no branco total. Assim...assim...misturado: como quem confunde futuro, passado e imaginado.

OBS: Muitas portas abertas são portas fechadas...

8.1.12

Alergia à inércia arrogante

Sensação de impotência na vida adulta. O que você não pode (?) mudar. Logo ali mendigando na esquina. Quem não conversa com você. E todos aqueles que não veem o quão desimportantes são essas preocupações humanas. O sorriso que você dá sem resposta. O bom dia solitário, sem sentido. E o deboche sofrido de quem despreza humanidade...

Observação sem sentido: o medo não é de morrer, mas de não viver.

3.1.12

Ressaca de 2011

Carta a você que não existe
E me deixou assim tão triste
Por sua incapacidade de amar

A um desconhecido, chance de conversar
Pouco mais que palavras no olhar
Sem silêncios, tremores e dissabores

Você, você, não iria brigar
Sabe a dor que carrega o ignorar
Tão difícil esse timing de lidar
É que, no outro, reconhecemos o amar

Carta a você, mundo de ilusões
Carrossel de risadas que não vejo
Se ama, respeita o sentimento alheio
Seja o que houver dentro do peito



Quem ama assim fingido
Não sabe a hora da entrega
E carrega angústia dissumulada...

Quem não ama, não sente
Não respeita a dor recíproca
De respirar as mesmas palavras


Carta a você que não existe
E me deixou assim sem memória
História, prazer e gozo não peculiar
No redemoinho onírico em riste

Nos meus sonhos, a sua força
De timidez, melancolia;
Extraordinária, singular e mágica
Mas você não quis existir para mim...


"Se eu ainda soubesse como mudar o mundo, se eu ainda pudesse saber um pouco de tudo, eu voltaria atrás do tempo... eu não te deixaria presa no passado e arrumaria um jeito pra você estar ao meu lado..."
Nosso Mundo, do Barão Vermelho

19.10.11

Outubro rosa...



O Palácio do Planalto ganhou esse mês iluminação cor-de-rosa em apoio à campanha de prevenção ao câncer de mama. Linda iniciativa que iluminou alguns dos principais prédios em BSB nesse outubro rosa. A foto é de Ichiro Guerra, da PR.

18.10.11

Eco...



Imaginação profana
Sem início nem louvor
Corpo maior que o amor
Rosto novo sadomasô
De carona insana
História livre de mim mesma
Na eterna surpresa fronteira
Na vivência derradeira
Entre real e passageira

13.10.11

Rima de sonho...

Por que o sono não vem?
Ideias querem explodir no papel...
Babel, babel, babel.

Por que me tens?
Velhas sensações querem surgir nesse véu...
Babel, babel, babel.

Por que me tocas?
Nesse azul inalcançável...
Como o céu, o céu, o céu.

Por que me prendes?
Mechas douradas desse prazer.
São como mel, mel, mel.

3.10.11

Não mais secreto...segredo...segregado...


Risquei assim, bem devagar, em cada veia de meu corpo-coração. Foram os versos, cheios de rimas. Foram as dores em prantos internos de desilusão. São só riscos, são só resquícios, nesse carvão de emoção. De trás para frente, todos os lados, como se fosse apagar o passado. E é inexistente essa realidade. Essa demência que já foi saudade. Do desconhecido, sem limites de idade. Não sobrou palavra, nas "(in)verdades" do seu silêncio. Não sobrou coragem no martírio dessa passagem. É como fel na rima do fim, do sabor, da cor; ao léu!!!

27.9.11

É um horror...


É um horror
Passos de rinocerante
Delicadeza de um elefante
Sutileza de um camelo
Empurra as janelas
Em incêndio imaginário
Sapateia indecisões
Entre derrubar panela na cozinha
E fazer do banheiro um chafariz
Não ouço risadas etílicas
Não durmo, porque não é som frenético
De prazer voyeur
É só inconveniência: barulho!!!
Meu vizinho é um horror...

16.9.11

Imprimindo sensações...


Miro aqui este prazer. Arte de alguém em uma parede qualquer. E em um museu, apreendeu a memória, o detalhe da esbórnia. A mistura de brisa e respiração. Bailam santos em orgias; é a magia do prazer, da sedução. É a música dessa dança de sentir. É o novo olhar. No novo quadro da memória. Da arte. Da contemplação. Em cada detalhe, um pecado, ou salvação. Ângulos de sonho, culpa ou desilusão. É o aqui, a memória ou o sonho de primavera. Em evolução!!!

13.9.11

Bumerangue...


Sempre querendo voltar
Sensação bumerangue
De lugar nenhum
À imaginária casa

Lembranças são como sonho
Desse lugar diferente
Não mais existente
Apenas refúgio de criança

O personagem foi
Voltou sem "maquiagem"
Rascunho de vivida "clonagem"

E não parou nesse elo
Seguiu corrente de devaneio
E partiu para novo caminho

Sempre querendo chegar
De lugar nenhum ao velho mochilar
Partiu com muitos destinos
Quiçá seu velho e eterno mar

A chegada foi partida...
Como mola descontrolada
E o lugar sonho, a casa coração
Na eterna utopia de mirada

O personagem foi
Mas voltou por outra estrada
E o destino, paz na nova morada...

E não quer parar
Esse clone de outra cor
No eterno encanto de voar...

9.9.11

Ah, perdoem este personagem...

Palavras não são suficientes. Não dizem o que eu quero, o que eu sinto, mesmo que eu me esforce. A compreensão sai torta, virada contra mim, nesse poço de sentimentos.

Palavras enganam. Saem torpes, mesmo - ou talvez por causa da - (na) metáfora do mundo interior... Como vômito de oportunidade, mas que é a mais singela expressão do agora, do sentir. E de nunca ser...

Palavras não exprimem. A vontade de acertar. A vontade de amar. A vontade de pegar no colo. De não deixar para lá. De preencher os espaços vazios. De ser assim total para você. Para você. Nesse meu eco de indecisão...

Palavras explodem. Em mil interpretações. Em mil experiências diferentes. Em mil veias de paixão, de ontem, de hoje, com ou sem futuro.

Palavras não mentem. Mas omitem. Enganam. E o que é pior, mesmo quando querem a verdade, a transparência, a loucura, iminente, ou em sua censura...

Palavras são insuficientes. São paliativas de paixão. Impressão. Sensação. Um signo de inverdades, de tentativas fúteis de unificar o sentido do discurso.

Palavras.
Simplesmente palavras.
Demais para ser simples.
Para dizer o sentir.
Ou sentir, corretamente, o dito.
Palavras, o outro personagem, não vai entender, responder, sentir. Recíproco...
Não como as minhas...palavras.

You are Truly Majestic:

18.8.11

Vai enlouquecer de vez....


Tem dias mais confusos que outros
Suspiros de corredor escapam em angústia
A certeza da loucura iminente
No balanço desesperado desse coração

Tem dias mais misturados que outros
Desses, de sentimentos em pontos diferentes
Na insanidade de amor e paixão
De sexo, carinho; ausência e desilusão

Quantas pessoas o personagem acaba sendo?
O que goza, vibra e aceita entrega
Aquele que quer fazer vibrar, amar; espelho...

A frase ecoa: sou bom quando sei o que quero.
Se não sei, não tenho, não vou, amarro em cuidados
Nos dias confusos, loucos, misturados, entre amar e ser amado

[E que o perdão venha, de todos envolvidos na confusão desse personagem...]

27.7.11

Oração da insônia



Deus, eu agradeço pelo louco que eu trouxe para casa não ser um psicopata; ao contrário, um amante fervoroso, de todos os dias, que me faz massagem e dorme de conchinha (sem pedir!).

Agradeço a carona no dia, perdida, de caminhos, ilusões, sem telefone ou dinheiro...

Agradeço aos amigos, pelas risadas, as músicas e piadas, que desafiam a secura desse deserto de sentimentos...

Agradeço a força para enfrentar os próprios erros e manter o compromisso com o trabalho; sempre lado direito de minha alma.

Agradeço os telefonemas familiares. O sol todos os dias, lindo, no caminho do despertar.

Agradeço, tão feliz que sou, o café salvador que o Thiago me traz todas as segundas, madrugadas com sono...

Agradeço por meus ex, amores sempre atuais, por me lembrarem que eu corro, eu mergulho, eu suspiro, eu vivo, eu mudo, mas eu amo...

Paixão não precisa de tempo, de provas; é exatamente o non-sense, o que sacode, o que move, o que muda. Para persistir...mergulhar e nadar nesse rio turvo e magnânimo... Se não, volto à massagem, ao prazer, à surpresa, ao novo, viril e exposto...que não teme viver. E se arriscar. Mesmo confiar...

18.7.11

Caminhos....


Caminho: o meu Santiago...
Eu aqui, você aí
Já foi lá e acolá
Uma distância
Ainda maior que o mundo
Esse espanhol, esse francês
Esse inglês, essa babel
Onde eu tentei
Voar, sonhar, até criar raízes
Foi uma díspar rota
Do elo de amor
Virou exílio em terras austra(l)is
Esse eu não voltou
Meu amor não se foi
Paralelos, esses nossos caminhos...

*Foto em Cuba/2009

5.7.11

Alguém passado...


Um corpo deitado. Com todas as curvas. Todos os desejos. O sono é como o paraíso , onde os sonhos não morrem jamais e cada voz não se levanta para promover a discórdia de uma relação amorosa. A estática de um momento. Singular. Único. O silêncio que não agride. Ao contrário, ilude. Traz, de volta, a ilusão da alegria, da felicidade, um existir junto que parece ter esvaecido no tempo.

Deve ser o que pensa cada ser humano mediante o fracasso de um amor. Mediante o fim de uma paixão louca e sem razão, como todas as paixões parecem ser... Aquela perda de sentidos, aquela turbulência de sentimentos, quase como uma anestesia para os problemas, mas como um elixir para a vida eterna. A ilusão do amor que só se atinge num momento que nunca mais voltar.

Antônio sabia que podia ficar horas ali observando aquela mulher que tanto lhe dera amor, carinho, quase sugando sua alma, tão desacostumada à entrega. Num pensamento bem machista, ponderou que toda mulher devia vir com manual de instruções, para que todas as expectativas pudessem ser atendidas, para que os silêncios não pesassem, para se saber a hora certa de falar, ou rir, qual comentário não fazer e onde a imaginação feminina poderia ir depois de comentários de quatro palavras...

Ele tinha meio que um ritual estranho. Gostava de observar as pessoas dormindo, trabalhando, enquanto fumava quieto. Era como se, por segundos, pudesse captar a essência básica de uma pessoa. Um certo feeling que lhe guiava - muitas vezes erradamente - para caminhos loucos, pensamentos desbravadores, ideias inovadoras, ou mesmo uma compaixão pelo próximo, todas as dores que não sabemos, não sentimos, ou simplesmente vivemos…