9.8.12

Self Knowledge

Olhar de convite ao seu mundo
Tenta adivinhar meu pensamento
Quer agradar, como se sua existência
Não fosse só contemplação e vivência

Não sabe o poder que tem (...)

Olha ao redor e está tudo aí dentro
Angústia de viver
Não reconhece a própria autossuficiência
(ok, ninguém é infeliz por viver o novo, que assim seja)

Olhar de convite ao seu mundo
E eu já embarquei
Pego carona ao seu encontro inesperado
Inusitado. Inflamado. Descontinuado

Você gosta de mim assim
Livre. Exagerado. Desligado
E, como o personagem já ouviu,
Meio sem juízo nas horas vagas

Quer agradar mas o prazer é mútuo
Quer ler meus pensamentos
Mas a aceitação está nos meus olhos
No meu sorriso. No meu corpo estirado.

Não sabe o poder que tem (...)

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Rótulo é ilusão de pertencimento.

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Se visse o que eu vejo sobre você, acho que a visão seria mais fidedigna e artística!
De que valem as asas se não for para voar???


*Foto em Moreton Island, Australia (Daniele Sorris)

2.8.12

Da série (des) encontros

Parado à esquina. Sorriso sem graça. Vai entrando no carro. Telefone ao pé do ouvido e o olhar de reconhecimento. São só palavras soltas, olhares rápidos entrecruzados, toques frêmitos, tímidos, quase instantâneos.

Cabelos jogados no rosto e aqueles olhos azuis, cujas cores encantam, de forma intermitente, com aquele, aquele olhar...

Não sei o que dizer. Mais uma vez sóbria. Vem a memória, mas as pessoas não são mais as mesmas. Nem o personagem principal, ainda que variado...

É presença. Frente a frente. Olho no olho. Mas o sorriso sai mais espontâneo, perdido no além da estrada. Erra o caminho, entretanto. A rua de todos os dias some no frenesi do momento dividido.

Casa, casa, casa. Repousar o corpo. Peles sorrateiras. O beijo esperado. É doce, é quente, é molhado.

Corpo estirado na pressa da novidade. Do outro sonhado. Na violência das paixões momentâneas. No prazer da descoberta. O personagem nem existe. É parte da fantasia de outro alguém. E se deixa levar ao prazer. De novo, de novo e de novo.

E logo acordam para realidade. Que um é maré e o outro é tempestade....

24.7.12

Talento para bagunçar

Imaginem um personagem capaz de se apaixonar por mais de uma pessoa. Perdidamente. Que vive dividido entre cidades, entre amores, entre todas as nuances que o mundo reserva. Curte o agora como nunca à sombra de todos os amanhãs que, felizmente, virão, com o novo, o diferente, o famoso respirar da alma.

Um personagem que se apaixona por alguém que já já voltou para um país do outro lado do mundo e que é fluente em um idioma totalmente desconhecido. Personagem que encontra semelhanças pelo mundo afora, desde garçons que servem cafezinho até presidentes de multinacionais, aprendendo, com cada um, ao mesmo tempo, a singularidade de cada pessoa. Aquele caráter único, no próximo, que ensina o que você não vê, não sente, não viveu.

E de repente, no rompante do amor longínquo, cai de amores pela virilidade do ex. De ontem, bem passado. No caminho, sente falta do amor amigo, companheiro, que cozinha junto e fala basteiras baixinho, ao pé do ouvido, depois de loucuras de quatro paredes.

Cabeça a mil. De amor, de sonhos, de loucuras a dois. Ignora o corpo cansado, maltratado em esbórnia. Torpor do tronco humano, química moderna com efeitos colaterais, enquanto a mente saboreia a permanente sobriedade não etílica. Insensatez total vai cantar músicas - cujas letras não lembra - à luz da lua, no cenário mais idílico possível na atualidade.

Exagera. Sempre. Mais uma vez. No esforço da normalidade, amanhã, festinha estranha, com gente esquisita, bate-papo etílico, provocador, atirado. Sem paciência para normalidade, pega o táxi, a carona, de novo, até o ontem.....

E o desejo fabril só vai se reproduzir em poesia, gargalhadas e quitutes. Em dois meses... talvez sim, talvez não. Talvez mais novidade na eterna bagunça desse personagem...

9.7.12

Rio de Janeiro, aquele abraço.....

Poesia o almoço planejado
O compromisso sem passado
O reencontro no acaso
Histórias sem compasso

Amanhã, esse amigo sonhado
A correria do dia a dia
E o presente inesperado
Mais um alguém encontrado

Rio, agora, desse passado
Escolhas e entrelinhas, tudo interligado
Esse moço assim tão inesperado

Sorri, tímido, cúmplice e encontrado
Cigarros, sorrisos e olhos virados
Hoje e sempre, é o novo bem amado

21.6.12

Cinco minutos

Cinco minutos de ausência
Sem telefones, micro ou influência
Sozinha entre quadro paredes
Sem chopp, sem correria ou cantoria

Tique taque do tempo parado
No oculto do apressado
Palavras e poemas pensados
Em mais um adeus precipitado

De festas a inaugurações
Entre segredos e inesperadas negações
Alma virada em objetivos corações

Bagunça que não que se quer arrumada
Cotididano de fuga inventada
Eu e você, nós todos, perdidos na estrada

25.4.12

Recomeço

Recomeçar. Dar um novo ponto de partida. E onde é fim, onde é o começo?
Recomeçar. Para qual caminho. Qual estrada? Há mesmo um sentido?
Recomeçar. Em um novo momento. Outro questionamento. Mais uma vida.
Recomeçar. O mais difícil é querer. É escolher. Decidir.
Recomeçar. E a luta há de ser no mesmo lugar.
Recomeçar. Os sonhos. Os desejos. São os mesmos?
Recomeçar. Refazer o caminho, voltar no tempo e descobrir os atalhos perdidos.
Recomeçar. Deixar o silêncio para trás e continuar seguindo. Adiante.
Recomeçar. Separar ilusões e projeções.
Recomeçar. Deixar o triste por opção.
Recomeçar. Viver a escolha por felicidade.
Recomeçar. Sempre. Porque cada instante é um novo começo. A oportunidade de reescrever uma história. Qualquer uma.

6.4.12

Ausência


(...) Vida tem andado errática e confusa. Meio traumática ainda que sempre feliz. Corrida e quase parando em decisões. Misturada e sem rumo. De objetivo, sem paixões. Dos momentos de passagem, abrindo espaço ao novo, inesperado, não decidido, não escolhido, sequer planejado! (...)

22.1.12

Eterna babel


Não olho e sinto
Magnetismo de todo azul
Verdadeiro mar distante

Chá sem açúcar
Só para reviver o novo
Calor embaça copo ( e alma)

Voltam olhos de gato
Escaldado, virado, escondido
Sob lentes, duas águas-marinhas fogem

Diamante essa paixão
Profanado entre outras
Riscado, inválido, desperdiçado

Chá, meu céu. Você sem mel
Caipirinha incolor, sem amor
Infusões. Confusões. Dissoluções.

Feliz 2012 para nós dois!!!

17.1.12

Episódio 51


A simplicidade etílica, e palavras se repetem
Como a chuva lá fora, mais um corpo estirado à cama
Outro copo, outro sabor, outro gozo
No nova noite que se envaidece
Roupas pelo chão, juízo embriagado
Sem palco, sem dança, sem preliminar
Pulando dias em crepúsculo singular
Que de tão mistura, parece sonhado
Lingerie, grudada ao corpo
Espelho, suor e frio sem palavras
Escova de dente. Água. Tropeços sem chave
Vem aqui, meu amor, de novo, só "maldade"
Copos e guimbas; é lixo deflagrado
De repente, resquícios encontrados
E a mente é só estrago
Sonho e pecado, tudo entrelaçado
Com o perdão da rima sem sentido
Da poesia cheia de libido
De um sábado encantado...

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Eu boto de novo a sua pinta
E você chega cheio de pinta
E pinta o sete de outra tinta
Quando pinta o desejo, não chega...

11.1.12

Insônia: o despertar


É como o psicografar de espíritos mentais. Os fantasmas de amores vividos, sofridos e frustrados. Todos os diálogos possíveis. Os ângulos alternativos de cada cena vivida. As feições, as miradas e as vicissitudes. Todas as vidas em uma; inerte, agitada e paradoxal; ilha noctâmbula cheia de possibilidades. Tal qual uma infinita paisagem de amores; de cores. Caminhos. À noite, somos os mesmos destinos em um só corpo sobressaltado, livre de escolhas, tormento em oportunidades. Não é espelho, é prisma. No reflexo de todas as cores, divididas no branco total. Assim...assim...misturado: como quem confunde futuro, passado e imaginado.

OBS: Muitas portas abertas são portas fechadas...

8.1.12

Alergia à inércia arrogante

Sensação de impotência na vida adulta. O que você não pode (?) mudar. Logo ali mendigando na esquina. Quem não conversa com você. E todos aqueles que não veem o quão desimportantes são essas preocupações humanas. O sorriso que você dá sem resposta. O bom dia solitário, sem sentido. E o deboche sofrido de quem despreza humanidade...

Observação sem sentido: o medo não é de morrer, mas de não viver.

3.1.12

Ressaca de 2011

Carta a você que não existe
E me deixou assim tão triste
Por sua incapacidade de amar

A um desconhecido, chance de conversar
Pouco mais que palavras no olhar
Sem silêncios, tremores e dissabores

Você, você, não iria brigar
Sabe a dor que carrega o ignorar
Tão difícil esse timing de lidar
É que, no outro, reconhecemos o amar

Carta a você, mundo de ilusões
Carrossel de risadas que não vejo
Se ama, respeita o sentimento alheio
Seja o que houver dentro do peito



Quem ama assim fingido
Não sabe a hora da entrega
E carrega angústia dissumulada...

Quem não ama, não sente
Não respeita a dor recíproca
De respirar as mesmas palavras


Carta a você que não existe
E me deixou assim sem memória
História, prazer e gozo não peculiar
No redemoinho onírico em riste

Nos meus sonhos, a sua força
De timidez, melancolia;
Extraordinária, singular e mágica
Mas você não quis existir para mim...


"Se eu ainda soubesse como mudar o mundo, se eu ainda pudesse saber um pouco de tudo, eu voltaria atrás do tempo... eu não te deixaria presa no passado e arrumaria um jeito pra você estar ao meu lado..."
Nosso Mundo, do Barão Vermelho

19.10.11

Outubro rosa...



O Palácio do Planalto ganhou esse mês iluminação cor-de-rosa em apoio à campanha de prevenção ao câncer de mama. Linda iniciativa que iluminou alguns dos principais prédios em BSB nesse outubro rosa. A foto é de Ichiro Guerra, da PR.

18.10.11

Eco...



Imaginação profana
Sem início nem louvor
Corpo maior que o amor
Rosto novo sadomasô
De carona insana
História livre de mim mesma
Na eterna surpresa fronteira
Na vivência derradeira
Entre real e passageira

13.10.11

Rima de sonho...

Por que o sono não vem?
Ideias querem explodir no papel...
Babel, babel, babel.

Por que me tens?
Velhas sensações querem surgir nesse véu...
Babel, babel, babel.

Por que me tocas?
Nesse azul inalcançável...
Como o céu, o céu, o céu.

Por que me prendes?
Mechas douradas desse prazer.
São como mel, mel, mel.

3.10.11

Não mais secreto...segredo...segregado...


Risquei assim, bem devagar, em cada veia de meu corpo-coração. Foram os versos, cheios de rimas. Foram as dores em prantos internos de desilusão. São só riscos, são só resquícios, nesse carvão de emoção. De trás para frente, todos os lados, como se fosse apagar o passado. E é inexistente essa realidade. Essa demência que já foi saudade. Do desconhecido, sem limites de idade. Não sobrou palavra, nas "(in)verdades" do seu silêncio. Não sobrou coragem no martírio dessa passagem. É como fel na rima do fim, do sabor, da cor; ao léu!!!

27.9.11

É um horror...


É um horror
Passos de rinocerante
Delicadeza de um elefante
Sutileza de um camelo
Empurra as janelas
Em incêndio imaginário
Sapateia indecisões
Entre derrubar panela na cozinha
E fazer do banheiro um chafariz
Não ouço risadas etílicas
Não durmo, porque não é som frenético
De prazer voyeur
É só inconveniência: barulho!!!
Meu vizinho é um horror...

16.9.11

Imprimindo sensações...


Miro aqui este prazer. Arte de alguém em uma parede qualquer. E em um museu, apreendeu a memória, o detalhe da esbórnia. A mistura de brisa e respiração. Bailam santos em orgias; é a magia do prazer, da sedução. É a música dessa dança de sentir. É o novo olhar. No novo quadro da memória. Da arte. Da contemplação. Em cada detalhe, um pecado, ou salvação. Ângulos de sonho, culpa ou desilusão. É o aqui, a memória ou o sonho de primavera. Em evolução!!!

13.9.11

Bumerangue...


Sempre querendo voltar
Sensação bumerangue
De lugar nenhum
À imaginária casa

Lembranças são como sonho
Desse lugar diferente
Não mais existente
Apenas refúgio de criança

O personagem foi
Voltou sem "maquiagem"
Rascunho de vivida "clonagem"

E não parou nesse elo
Seguiu corrente de devaneio
E partiu para novo caminho

Sempre querendo chegar
De lugar nenhum ao velho mochilar
Partiu com muitos destinos
Quiçá seu velho e eterno mar

A chegada foi partida...
Como mola descontrolada
E o lugar sonho, a casa coração
Na eterna utopia de mirada

O personagem foi
Mas voltou por outra estrada
E o destino, paz na nova morada...

E não quer parar
Esse clone de outra cor
No eterno encanto de voar...

9.9.11

Ah, perdoem este personagem...

Palavras não são suficientes. Não dizem o que eu quero, o que eu sinto, mesmo que eu me esforce. A compreensão sai torta, virada contra mim, nesse poço de sentimentos.

Palavras enganam. Saem torpes, mesmo - ou talvez por causa da - (na) metáfora do mundo interior... Como vômito de oportunidade, mas que é a mais singela expressão do agora, do sentir. E de nunca ser...

Palavras não exprimem. A vontade de acertar. A vontade de amar. A vontade de pegar no colo. De não deixar para lá. De preencher os espaços vazios. De ser assim total para você. Para você. Nesse meu eco de indecisão...

Palavras explodem. Em mil interpretações. Em mil experiências diferentes. Em mil veias de paixão, de ontem, de hoje, com ou sem futuro.

Palavras não mentem. Mas omitem. Enganam. E o que é pior, mesmo quando querem a verdade, a transparência, a loucura, iminente, ou em sua censura...

Palavras são insuficientes. São paliativas de paixão. Impressão. Sensação. Um signo de inverdades, de tentativas fúteis de unificar o sentido do discurso.

Palavras.
Simplesmente palavras.
Demais para ser simples.
Para dizer o sentir.
Ou sentir, corretamente, o dito.
Palavras, o outro personagem, não vai entender, responder, sentir. Recíproco...
Não como as minhas...palavras.

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