9.5.09

Bilhetinho sem cor...

Deixei um bilhetinho.
A mais linda caligrafia.
Você existe, meu bem?

Todo quadradrinho o papel sem jeito.
Esmeiro na letra do tímido personagem.

Sem palavras para dizer o coração.
Sem coragem para escrever; amor.

Deixei um bilhetinho.
Vazio, sem cor.

Você exige, para o meu bem, meu maior amor?

Volto, mas não me engane.
Adresse meu perdido ao seu labor.

4.5.09

Cinza: bondade além...

Um personagem que volta a enxergar a bondade humana em pequenos gestos sem interesse. Um personagem que volta a achar lindo o "boa noite" da moça que trabalha - é explorada - onze horas por dia em um posto de gasolina, ainda ouvindo piadas machistas....

Bondade que puxa memória e lembra que, todos os dias, todos os personagens têm a chance de olhar o sol invadir, com vida, cada ser, "energia D" na pele, no suor do equilíbrio da vida, de cada gesto que faz alguém parar e lembrar que os segundos não são momentos consecutivos sem sentido algum......

Não que haja um sentido só. Uma verdade específica. Mas há um todo além do vazio da cegueira rancorosa, magoada, frustada e infeliz..... Too much para uma frase só. Para um louco e renascido personagem.

Como uma tela de tv. Desligada. Refletindo tudo que se pode fazer no além quatro paredes. E eu falo de orgasmos espirituais, eu falo de todas as possibilidades que o sonho oferece e de todas as chances de buscar....o que quer que seja.....

Um personagem que assiste a este espetáculo. Todos os dias. Em cada "bom dia", realmente amistoso, da vendedora de rua.

Personagem que quer ser prisma e voltar a exalar possibilidades por todas as direções. Personagem que quer arrancar de si o discurso monossêmico e dominador, sombra de passado arrastado em países, relações e memória.

Personagem que sabe que a sombra nem sempre é ruim, mas que é cópia inversa, mentirosa, em seu reflexo que aparece de forma intermitente, enganando os meandros da luz....Because the word is shade, not shadow......

29.4.09

Você e seu sorriso...

Você e seu sorriso vêm trair as certezas do não querer.
Você e suas ilusões vêm amarrar o controle ao infinito.
Você e sua ausência vêm com suplício e como salvação ...

Danação de promessa....

Você e suas próprias dores.
Tão cheias de cores aos meus olhos, atento personagem.

Dissimulo o arco-íris do seu corpo no meu torpor memória.

Fujo desse sorriso a cuidar de mim como tolo de pathos.
Diagnóstico de vida.

Você e tudo que agora não quero ser.
Não quero ter.
Não quero repetir.

Para não ver a dor de partir.
Coração e presença.

Mas já não há querer.
É um personagem em devaneios....

Você e seu sorriso vêm trair as certezas do não querer.....

24.4.09

In the middle of a good dream...

"Eu hoje represento a loucura
Mais o que você quiser
Tudo que você vê sair da boca
De uma grande mulher
Porém louca!
Eu hoje represento o segredo
Enrolado no papel
Como Luz del Fuego
Não tinha medo
Ela também foi pro céu, cedo!"

Luz del Fuego, maravilhosa canção na voz de Cássia Eller....


Um personagem acordando de um longo e tenebroso inverno..... A energia vem tão intensa que a mente arde, assustada, que toda a paixão se esvaia e exploda em um cometa de ilusões e expectativas aprisionadas.....

Só os delírios da paixão fazem do céu escuro, cheio de nuvens, uma cama de sonhos, recheados de uma tal liberdade, sem igual, que nem a rotina suprime.... a liberdade da escolha, da novidade em você mesmo, a liberdade de ser o caótico cotidiano por um momento, a liberdade de experimentar o além planejado, a liberdade de insistir na inconsciência consciente......

"Im not afraid to say...I've had my ups and downs....."*

Personagem com o coração vibrando forte na mesma sintonia da música alta, explodindo coração. Daqueles momentos-cometa. Sem letras, sem fala, sem grandes expectativas, só o mágico momento do sair do coma e olhar ao redor, olhar para o céu e....Gosh, o mundo está ali, lindo como sempre......Ninguém sabe como, ninguém viu......

Um personagem que não arde a falta de si mesmo. Que se reconhece e se multiplica no suspiro de saudade de cada amor. Cada amigo. Cada dor. Seu próprio umbigo verdadeiro.....

"Now, Im standing in the middle of a good dream....."*

* "Further down the road" - Bernard Fanning

6.8.08

Esse É o cara...

Esse cara me levava para tomar sorvete. Lembro dos passeios mais loucos. Provavelmente a primeira viagem de metrô, totalmente Baby, foi com ele. Ele era capaz de nos levar para passear na Barra, do nada, saindo de São Gonçalo.

Esse cara me deu o meu primeiro computador. Com ele, aprendi a amar o mundo eletrônico. Ele me deu as apostilas de DOS e tantos outros programas antigos que nem me lembro... Porque, afinal de contas, o "usuário" sempre traz o problema que o técnico não sabe resolver.... E aí, é tudo "lama"... Ele também me apresentou, anos depois, o maravilhoso Word, após uma longa tortura de Carta Certa....

Esse cara ouviu vários e vários desabafos infanto-juvenis, pré-adolescentes... Com uma risada gostosa, uma calma, uma praticidade invejável. E uma mentalidade de consciência e paz que só a maturidade poderia esclarecer.

Ele me mostrou cada carro que comprou. Cada novo computador, notebook, ou gadgets que ele conheceu. Ele me contou de viagens, quando eu ainda nem sonhava em ter dinheiro para viajar.

Ele subverteu a lógica militar em minha casa, ao se tornar um maravilhoso morador do quarto ao lado. Nada de deveres. Jogos e computadores. Nada de cama cedo. Conversas até altas horas. Quase renomeou meu cachorro de Torto, deixando até ele entrar em casa.... Fora as guloseimas preparadas para família, por causa do novo morador....

Foi com esse cara que eu ouvi, pela primeira vez, sobre comida japonesa. E que história estranha era aquela de comer peixe cru.... Também com ele, vi aquelas câmeras maravilhosas, cheias de recursos, olhinhos brilhando.... Novidade, era com esse cara.

Ele me acolheu em Sampa, várias vezes, e me levou para restaurantes, conversou comigo até altas horas, sobre a vida, os problemas, o jeito pisciano - louco - de ser. Se pudesse, ele dava o carro, a casa, a roupa do corpo para você. "Daniele, qual o problema? O carro é meu, eu faço o que eu quiser". Com a voz mansa, repetia os argumentos calmamente e era capaz de convencer o cachorro a miar....

Ele me ensinou, indiretamente, a importância do trabalho. Quem quer, corre atrás. E também não deixou de dizer, mais tarde, que o trabalho não é tudo. Para que eu nunca esquecesse de me divertir.

Admiração. Essa é a palavra para descrever aquela criança, miúda, magrela, olhando para aquele cara tão legal. E é assim que essa mulher se sente; uma criança, de novo, desprotegida, querendo lembrar de tantas boas vivências divididas.

Ah, meu querido Leandro, eu vou me lembrar de você em muitas risadas, muitas histórias, nos saltos de asa-delta, nas viagens, nas torres. Obrigado por ter me ensinado tanto. Vou ficar devendo a lição que não aprendo: a perda. E, por favor, coma algumas tapiocas com a vovó por mim...

21.5.08

Goodbye My Lover

James Blunt

Did I disappoint you or let you down?
Should I be feeling guilty or let the judges frown?
'Cause I saw the end before we'd begun,
Yes I saw you were blinded and I knew I had won.
So I took what's mine by eternal right.
Took your soul out into the night.
It may be over but it won't stop there,
I am here for you if you'd only care.
You touched my heart you touched my soul.
You changed my life and all my goals.
And love is blind and that I knew when,
My heart was blinded by you.
I've kissed your lips and held your head.
Shared your dreams and shared your bed.
I know you well, I know your smell.
I've been addicted to you.

Goodbye my lover.
Goodbye my friend.
You have been the one.
You have been the one for me.

I am a dreamer but when I wake,
You can't break my spirit - it's my dreams you take.
And as you move on, remember me,
Remember us and all we used to be
I've seen you cry, I've seen you smile.
I've watched you sleeping for a while.
I'd be the father of your child.
I'd spend a lifetime with you.
I know your fears and you know mine.
We've had our doubts but now we're fine,
And I love you, I swear that's true.
I cannot live without you.

Goodbye my lover.
Goodbye my friend.
You have been the one.
You have been the one for me.

And I still hold your hand in mine.
In mine when I'm asleep.
And I will bear my soul in time,
When I'm kneeling at your feet.
Goodbye my lover.
Goodbye my friend.
You have been the one.
You have been the one for me.
I'm so hollow, baby, I'm so hollow.
I'm so, I'm so, I'm so hollow.

4.2.08

Então diga que valeu.....

Ele nem mencionava mais o personagem. Ficava em algum lugar perdido da memória, do coração, enquanto lembranças de todas as vidas iam acumulando em frenéticas e inexplicáveis experiências.

Curioso era que, ainda assim, todo o tempo estava sendo cobrado quanto a si mesmo. Você não é mais o mesmo. Você está tão sério. Tão diferente. Tão tão como se as pessoas tivessem a obrigação de parecer igual o tempo todo.... Ora, ora. Nós todos, afinal, somos muitos personagens que se revelam, que se criam, que morrem e renascem.....

E quem é que disse que nossas almas não guardam esses seres? São só momentos diferentes. Quase como vidas simultâneas.

Alguém senta aqui e escreve isso. Qual voz é mandada ao cérebro? Ainda não se sabe uma realidade ficcional de alguém ou uma ficção de si mesmo... Bem controverso como quase todos os personagens são, considerando tudo que carregam dentro de si.

O personagem nunca pensou que pudesse se sentir assim. Faltando a si mesmo, como um animal que não sobrevive sozinho na floresta... Ou fora do jardim, como no esplêndido Being there... Todos nós temos os nossos jardins; lugares onde somos, ou criamos referências de/para nós mesmos. Que deviam estar, dentro do coração, no gesto do corpo e no sopro de palavras ao vento....

Mas creio que o compartilhar de realidades acabe sendo como uma fuga. Um alicerse talvez seja uma alusão menos tendenciosa. Quem nunca observou o simbólico entrelaçar de escovas de dente no banheiro? Quem nunca dividiu um armário? Quem nunca argumentou sobre um programa na televisão domingo à noite....então....cast the first stone.....

Símbolos....Viver junto é mais do que isso. É o comprometimento de não ser mais só você mesmo. Incorporando todos os bons e os maus aspectos da face controversa. Em você e no/com o outro. No final, são vários personagens.....

O personagem nunca pensou que pudesse buscar sossego na casa dos pais. Abrigo. Encontrar o personagem recluso para não ver o fim de um personagem romântico.

É duro quando as toalhas se separam. Quando as camas se dividem. Onde não há mais espaço para dois, fica apenas a metade de um vazio; nada. Na física do amor, dois corpos ocupam o mesmo espaço, porque viram apenas um....

Simbólico again. É como se desfazer da parte de você mesmo que não funciona mais. Que não faz feliz. Que não completa. Mas que faz parte de você mesmo, tão inerente a sua memória. É assim que se chora o fim de algo que já não existe mais, que é só um vestígio do que já foi uníssono... However, it rocks....

Assim se chora o que a imaturidade, a diferença, a intolerância, a falta de respeito, a falta de relativismo cultural já tinham levado a reboque.... Assim reina o vazio. Assim a tristeza pede passagem.... Porque o hábito dorme abraçado. É o primeiro good morning, BABE.

O personagem nunca pensou que seria dividivo em mil pedaços. Reproduzido em mil facetas. Em mil mutações de meioses e mitoses de si mesmo.

Mas é assim. Alguns anos de (in)consciência e a dependência é flagrante. Não importa o susto, o grito e a dor. Os efeitos da droga e a memória do gozo sempre entorpecem. Mas é por isso que o sol nasce de novo todos os dias. Para fazer valer o passado. E para sacudir as novas escolhas.

THIS CHARACTER IS THE LOVE.

17.8.07

See ya soon Bris Vegas

Caminhando para South Bank, hoje, eu pude ter uma espécie de clareza sobre a vida. Como uma metáfora. Todos esses últimos dias, tenho estado tão ocupada resolvendo todas as pendências do mundo moderno, literalmente sem tempo para parar e pensar sobre a revolução, como voltar no espaço-tempo, que representa "voltar" ao Brasil.... Embora a situação seja outra, a pessoa, mais outra ainda, se é que posso usar essa torpe expressão....

Cruzando a Victoria Bridge, eu pensei em quantas vezes eu fiz aquele trajeto, sem perceber... Quantas histórias e quantos momentos foram perpassados por essa lembrança tão simples... E quantas vezes eu sequer pensei ou valorizei isso.... É e foi preciso pensar na idéia de voltar, para pensar no que foi o meu presente. No que foi o meu passado. E no que será o meu futuro.....

Eu olho, aqui, dessa linda varanda, essa vista magnânima de Brisbane e penso nos tantos momentos maravilhosos e pessoas espetaculares que essa cidade me ofereceu. Uma nostalgia me invade, dessas sem tamanho.

Sem perceber, essa noite foi toda assim.... De pessoas, de lembranças, de momentos marcos..... Parece ridículo, mas, de novo, eu me vi numa despedida de outra amiga, S, minha querida alemã, que se tornou a amiga do peito, após a partida de Jac Boy. Mais estranho ainda, enquanto pensava na idéia de minha querida amiga não alcançável por um telefonema e encontro em South Bank, numa realidade fisicamente distante, de objetivos e cidades diferentes, eu me peguei no momento crucial do "adeus" ou "até logo"....e pensei naquele filme, Sexto Sentido. Eu sei, Hollywood, Hollywood, mas o sentimento era o mesmo... Não dizer adeus...... Dizer até qualquer dia e ignorar essa estranha percepção da vida, o quanto tudo é momentâneo, e o quanto a nossa realidade é feita de momentos... Passageiros....

E cada momento que passa, cada realidade que vivemos - escolhida ou não-, é um pedaço de nós que dizemos adeus. Seja em nós mesmos, do que aprendemos e não somos, ou do que nos identificamos ou aprendemos em cada outro ser, em cada outro que a vida nos oferece, como ouro, como tesouro impagável......

Eu tenho a sensação que os momentos se repetem, de maneiras diferentes, em sentimentos espalhados, compartilhados, como mais uma chance para aprender..... Mais uma chance de decifrar que a vida é só mistério e só resta viver, curtir e guardar aquele sorriso gostoso na memória. Aqueles momentos sem preço...

4.8.07

Preto e branco

Eu cresci no preto e branco. Como letras escritas no papel, palavras desenhadas em moldes, regras; certo X errado. Sem nem perceber, cedo eu me vi cercada pelas convidativas e desafiadoras nuances da vida. Todo o rubro proibido, todo o negro, luto do diferente, todo o branco em possibilidades. Todo o colorido de poréns e entrelinhas.

Como aprender, no livro da vida, nas regras da sobrevivência, que a proteção nem sempre representa a verdade... Que o amor nem sempre faz as melhores escolhas.... Eu cresci admirando todas as outras possibilidades e mundos que cada segundo nos oferece. E entorpeci de desejo perante todos os sonhos por realizar, todos os mundos por viver, em mim mesma, e em tantas localidades que minha pobre geografia nem poderia vislumbrar.

Na penumbra da dúvida, da insegurança, não há melhor metáfora que as luzes de uma cidade piscando. Lá longe, arranha-céus com anúncios azuis, vermelhos, mil neons.... Cada luzinha mostrando o contraste, os caminhos que se pode escolher e se perder....e errar.....

Como um prisma. Como todas as luzes que podem refletir. Como todas as verdades que cada um de nós assume sobre cada instante. E como essas verdades possem se revelar em mentiras, ou se esconder em fatos.... O tal paradoxo que me persegue, aniquila o amor, a paixão, a sinceridade e a entrega.....

A ausência de sono nos traz de volta ao mesmo ponto. Ao mesmo labirinto. Ao mesmo beco. O que os anos pesam é só compromisso... com experiências traumáticas e busca errônea de padrões....

Meu discurso deve ser louco, como sempre, como eu - e eu nem me desculpo..... Lembro de ter lido, ouvido - sabe Deus-, que o cada ser mais procura é o amor, ser amado pelo que é.... Seja lá o que isso signifique. Mas será que somos só um? Essa é uma pergunta que vai perseguir até a eternidade..... Só não quero ser o troféu.... Só não quero ser a mentira mais sincera que brotou.... a história mais inovadora que se criou..... Todos os momentos só para ser. E ninguém para entender isso. Ninguém. Nem eu mesma...

E não é nem uma porta a metáfora. Essa, sim, fechada, a cadeados e chave..... com um lindo chaveiro souvenir..... É toda uma cidade de lembranças, oportunidades e dúvidas...

7.3.07

Homenagem ao autor/personagem

Querido B, obrigada pelo presente de aniversario, fiquei mesmo emocionada e resolvi retribuir a sua homenagem colocando aqui no meu humilde blog. Beijo grande, querido, e obrigada pelo carinho. Voce mora no meu coracao.


Homenagem a um personagem

Um dia de sol. Como tantos outros que ele já viu.
Mas, dessa vez, algo está diferente. O que é? Não sabe dizer...
Caminha. Pára. Olha ao seu redor. Nenhuma explicação.
Procura no céu azul uma justificativa para sua angústia. Não encontra.
Mas a sensação continua.
E as mudanças ficam mais nítidas.
O céu está mais azul.
A grama, com um verde único.
As flores exibem mais cores do que nunca.
O canto dos pássaros tem uma beleza nunca antes percebida.
Sorrateiramente, como um ladrão experiente, uma imagem, um rosto invade sua mente
E, como num passe de mágica, tudo passa a fazer sentido.
A lembrança daquele rosto deixa escapar um sorriso, com um tanto de alegria e um muito de saudade.
Um sorriso de criança feliz, tal qual o que ele vê
Com a mesma nitidez do primeiro encontro
O dia em que tudo começou? Fácil. 15 de maio. Ele não esquece. Como poderia, se ainda pode sentir seus lábios, sua pele, seu calor?
Desde aquele dia, algo mudou em sua vida.
Uma palavrinha simples, de apenas quatro letras, até então indecifrável para ele, passou a fazer todo o sentido do mundo.
Sim, havia aprendido o significado do AMOR. Verdadeiro. Único.
Daqueles que ficam para sempre na memória e no coração.
Hoje, a distância traz saudade, uma certa melancolia
Que alguns dias parece forte o bastante para fazer o seu peito explodir.
Mas, também, traz a esperança do reencontro
E, mais do que tudo, a felicidade por ter descoberto que, para ele, essa palavrinha mágica tem um sinônimo, com as mesmas quatro letras:
Para ele, AMOR = DANI
Aquela que faz a vida deste humilde personagem ter sentido.

B.Lemos

29.1.07

She prefers to be this paradox-walker

A person who put the mp3 together with the house key so as not to forget the key… According to a friend, she is exaggerated and true like Dalila, from Cazuza’s song, the singer that she loves. She was already a fan of Madonna, Roxette, INXS and even Menudo ( she confesses). Nowadays, she listens to music from Legiao Urbana to Damien Rice, passing through Almir Sater.

She likes straight hair, but on the other women… She is always changing her hair colour and size. Even “Narcise”, if she could, she would spend some days on another body, just to vary for a while.

From the astral sign Pisces, like the Portuguese sentence says: “fish dies because of the mouth”… Normally, she says what she thinks and she is always in trouble because of that. She tries to understand the other ones point of view and attitudes, therefore, she overthinks… She is the type of person who thinks, thinks, thinks and ends up jumping into the abyss…

She never remembers films' names and actors, but she is capable of citing whole dialogues from her favourite films. She can not memorize her friends’mobiles, but she still remembers the telephones of her childhood friends.

Capable of using different socks and going out with the shirt back to front, she loves a old jeans and a simple sandal. Preferably, without shoes… A basic black dress also fits really well…

She hates waiting and gets crazy in traffic jams. Movement, movement… She has serious problems to keep quiet. However, like children, if you start a DVD, she becomes a statue. Furthermore, with regard to children, she loves them, being capable of being a baby together, rolling on the grass… But she also says that children have a “expiration date”, before her low tolerance runs out…

She loves a big night at a disco, in a pub, or exploring the secrets of a good book. With her friends, she is always happy, the place does not matter.

She hates frustration and knows the “ name” of hers – few, fortunately. She has an Aquiles’ knee, but she enjoys swimming. If you allow, she turns the world, slow and continuously. She loves travelling and exploring new places. However, she considers her own house a sacred place where her friends have free access. For a friend, she can get up at four in the morning, although she hates to be woken up. It does not matter where she is, she takes her friends in her heart’s memory.

She prefers to smile than cry, but, sentimental, she can be sad watching advertising, or burst into tears watching Lassie… She loves animals that, for her, represent sincerity, pureness and loyalty.

She loves all sorts of cameras: digital, manual or really old ones. She loves writing and she says it is like the soul sliding from her fingers. She dislikes living without computers, Internet, but she loves spending long periods in remote places, enjoying mother Nature and “ recharging her batteries”… Sea bath, camping, hand gliding, walking, fishing….

She does not eat red meat, but she is crazy for chocolate. She changes a meal for a fruit salad, with the mango taste of her childhood on her grandfather’s farm; mango removed from the tree that, according to her uncle, it is really pleasant to see her eating, with all the face smeared…

Big eater, she is crazy for cookies and cream ice cream, camembert, prawns, calamaris, petit gâteau, four cheese pizza, garlic bread, ceasar salad, salmon with passion fruit gravy, octopus à doré, poulet à la française and any Mexican food. And, when she is away from Brazil, she misses caldinho de feijão, either from Arco do Teles or from Na Pressão, wherever...

She is allergic to the majority of medicine. Weak, she is capable of sleeping with medicine for flu. But she drinks like a fish; an expression that she loves. She never drinks when she drives. Therefore, when she had a car, during the weekend, the car was left in the garage...

To her workmates, it is always surprising that she smokes, drinks and really knows how to have fun. To her nightlife partners, it is unbelievable how serious she is when working ...

Danizinha, Dani, Danita, Dan Dan, Dã, Cris, Little Dani, Danielita, Possum… It does not matter the name, she prefers to be a paradox-walker than having the same old ( and unchangeable, standardized ) opinion about everything...

19.1.07

My divided character

It is like a stamp on the memory. If I close my eyes, I can remember the beautiful moon lying just over the Story Bridge. How many times I travelled by City Cat, appreciating the wonderful view of the city and thinking about all the good moments Brisbane had already offered me…

Another thing is the sun. Early in the morning, following me, like a ball of fire, all the rays of light, like options that we have to make, and like shooting thoughts. Brisbane, Brisbane, Brisbane. Sometimes I repeat this word unconsciously, like passion, like the love you cannot avoid feeling.

One of these days, suddenly, I realise I was feeling at home. I no longer had the strange sensation of visiting, not belonging. All the streets with English signaling seemed familiar and natural. Streets, though attractive, were not a foreign land. It was just my Brisbane. The Brisbane I already have deeply in my heart. A piece of my life that I will always treasure…

Not forgetting all the precious friends I met here, Brisbane is also the realisation of a dream. The possibility of living away from what it is expected from everyone. What do I mean by this? Everybody has to have a job, a successful one – if it is possible -, study, get married, settle down and reproduce the same standard behaviour. Brisbane was kind of a rupture with all the “correct life” I had been living as a whole, not with isolated facts, because I was always a paradox-walker…

Brisbane was a fountain to drink freedom of rules, not only social rules, but my own necessities of earning money meanwhile achieving some professional goals. This is the kind of thing that the majority of people dream of – I guess…

Normally, desires and dreams, different ones, compose us, human beings. However, we need to choose and abandon all sorts of other alternatives. What if we could stop for a while, in order to live another life, to try other things? Is it not such a wonderful opportunity? This is Brisbane to me, my friends. In addition, I found a marvellous city, with great landscapes, friendly people, and all the flavours inherent to newness. Oh, I am not even talking about the chance of facing different social rules and procedures, not only visiting, living instead. This is a special chance when living abroad…

I am, right now, like a lover, describing and numbering all the qualities of the beloved woman-man… My feeling now is a word that English does not have; saudosismo. Either from the life I left, or maybe the life I am going to leave now… All the sense of loss that I will have, if I decide to leave Brisbane… On the other hand, I also miss and love my Rio, the life that I left… Definitely, I am a person of multiple loves…

C’ est la vie, mes amis. We can postpone choices. We can “take a look” at the other side of the coin… But there is only one person to live all this… Enjoy as much as you can is my advice! Despite the torture of deciding, something really memorable!!!

30.12.06

Being Joe

At first sight, she looks serious and inflexible. Nevertheless, this same woman is capable of dancing in front of all IELTS classes, just to entertain them during the final minutes before a test. Despite being Australian at heart, she likes to remember British songs and also to speak about her childhood. Spontaneous. Emotional. Friendly. Sincere. Happy. There are many adjectives to describe Joe Robertson, a thirty-six-year old teacher, who loves her profession as can be seen in her classes.

Joe can burst into tears if a student has his visa denied. Discovering that a girl is pregnant and is going to get married, she can smile enthusiastically. Returning from holiday, she can as for apologies for not having been there, even though she has had a lot of fun.

Although she is a teetotaller, with her childish ways, sometimes she can look drunk, speaking to herself, smiling, doodling and even singing. Bringing, however, happiness to her students and friends.

A strange virgo. She does not write on the whiteboard a list of the things she has to do, having lots of sheets of notes instead. Nevertheless, it is impossible to find anything on her desk.

With reference to math, she is a marvellous English teacher… Sometimes her class has 10 students, or 13… and independently of how the tries to divide the group, it never works…

Indirectly giving her students an example of how life is, when they make a mistake, she is always offering “one more try”. In addition, sometimes she asks “once more”. Marking the characteristic snappy speed of her class, she can also complain “too slow”. It does not matter how many attempts are made, because you will end up just doing it…

Joe seems to know when her students have not been paying attention in the class, or if they have not done their homework. As a result, she will certainly ask them something. Indeed, she can make them change their handwriting or the way they move their lips to speak. Anything to improve English and IELTS grades!

Gluttony is another curious aspect of Joe’s personality. If you want to attract her attention, you just need to offer any kind of food. Listening to the rustling sound of plastic or any other type of packet, she stops what she is doing, searching for the origin of the sound, with her eyes shining…

It is thought that diversion is one of the best ways of learning. Coincidence or not, naturally this woman teaches with jokes and funny comments. Have you heard about Television-God? Ask her. Additionally, as she says, God is inside ourselves all the time… For instance, whispering “ Joe, you should not eat one more chocolate”.

Yes, she is crazy, funny and friendly, yet competent and strict. If you have classes with mad Joe, be prepared, because you will do a lot of homework! With regard to it, repeating her words, “do not be sad about red-pen corrections, because this is the colour of love”. Moreover, you need to go shopping urgently, so as to buy color highlighter pens to make life pink, blue and green with her…

20.12.06

His name could be Ricard...


A short man with beautiful blue eyes. For his close friends, a special bloke, known as Jac boy, despite his 39 years old. Additionally, it is really difficult to see Jac without a sympathetic smile on his face.

This guy, with a nice French accent, is capable of ¨seducing¨ you in a 20 minute-conversation. Experienced, he already lived in America; therefore he speaks Spanish fluently. He can also talk about Europe, wine, cheese or some of his interesting trips.

A good nightlife-partner, he can keep his behaviour, even having drnk liters of beer or other kinds of alcoholic drinks. Gentle, he is always offering drinks to all his colleagues. In Brisbane, he was the single sober one on a memorable trip to Nimbin with his friends. As he loves cinema, he could be easily found at South Bank, or dancing salsa with Latin aptitude.

A good cook, he loves inviting his friends to have lunch or dinner. If you are going to have a meal with him, do not be surprised if he offers you the aniseed-flavoured aperitif; Ricard. As French like to joke, "a Ricard or nothing".

His apartment was like a hostel where his friends had free access all the time. Where you find Jac, you will find him surrounded by friends in a celebratory mood.

Inventive, he was capable of starting a relationship with a Venezuelan woman over the Internet, surprising all his friends when he decided suddenly to go to Venezuela. Some weeks there, in South America, with Jac Boy, and she came to Australia immediately afterwards.

When his Brazilian friend was sad because her grandfather was in hospital, away, in Brazil, he was worried about it, trying to help her with sweet words. In another moment, his Mexican friend got sick, and he was the first one to prepare special surprises, in order to make him happier.

Barbies, crazy nites in the Valley, dinners in Riverside, trips around Brisbane; many conversations, either in his apartment, or in the “famous” Story Bridge pub, traditional meeting point; certainly, a lot of cultural interchange and unforgettable memories that his mates have. With regards to his friends opinion, Mr Jacques Rouaud is that kind of person that is always close to you, even having all the oceans between each other.

14.10.06

Personagem myself...

Prefere ser esse paradoxo ambulante…

Uma pessoa que coloca o MP3 no chaveiro de casa, para não esquecer a chave… Segundo um amigo, é exagerada e verdadeira como a Dalila da música do Cazuza, cantor que, aliás, adora. Teve o seu momento Madonna, Roxette, INXS e até menudo (confessa…). Atualmente, escuta de Legião Urbana a Damien Rice, passando por Almir Sater…

Adora cabelos lisos; nas outras mulheres… Vive mudando a cor e o comprimento dos cabelos. Mesmo “Narciso”, se pudesse, passava uns dias num outro corpo, só para variar um pouquinho.

Do signo de peixes, como diz o ditado: “morre pela boca”… Normalmente diz o que pensa e vive se metendo em encrenca. Procura entender o outro lado e as atitudes dos outros, por isso, reflete demais, demais, demais. É do tipo que pensa, pensa e pula no abismo…

Nunca lembra nomes de filmes e atores, mas é capaz de citar diálogos inteiros dos filmes preferidos. Não consegue guardar os celulares dos amigos, mas ainda lembra os telefones dos amigos de infância.

Capaz de calçar meias diferentes e sair com camisa ao avesso. Adora um jeans surrado e uma sandália de dedo. De preferência, descalça. Um pretinho básico também vai muuuuito bem.

Detesta esperar e enlouquece em engarrafamentos. Movimento, movimento... Tem dificuldade para ficar quieta, mas, igual criança, colocou um filme, vira estátua. Aliás, adora crianças, sendo capaz de virar moleque junto e rolar na grama. Entretanto, costuma brincar que crianças têm prazo de validade, antes que “a pouca paciência se acabe”.

Apreciadora de uma boa noitada numa disco, num pub, ou enveredando pelos segredos de um bom livro. Com os amigos, está sempre feliz, não importa o lugar.

Detesta frustração e sabe o “nome” das suas - poucas, felizmente. Tem um “joelho de Aquiles”, mas adora andar. Se deixar, gira o mundo, devagar e sempre. Adora viajar e conhecer novos lugares. Porém, considera o próprio lar um local sagrado, onde os amigos têm passe livre. Por um amigo, aliás, é capaz de levantar às quatro da matina, embora deteste ser acordada… Não importa onde esteja, carrega os amigos em cada lembrança do coração.

Prefere sorrir a chorar, mas, sentimental, é capaz de se entristecer vendo comercial ou se debulhar em lágrimas vendo “Lassie”. Ama os animais que, para ela, representam sinceridade, pureza e lealdade.

Ama qualquer máquina fotográfica: digital, manual, ou das bens antigas. Adora escrever e diz que é como a alma escorrendo pelos dedos. Tem dificuldade de viver sem computador, sem internet, mas adora passar longos períodos no meio do nada, curtindo a Mãe-Natureza e recarregando as energias. Banho de mar, camping, salto de asa-delta, trilhas, pesca…

Não come carne vermelha, porém é louca por chocolate. Troca uma refeição por salada de frutas, com gostinho de infância e manga do sítio do vovô; manga tirada do pé, que, segundo o tio, dá gosto de vê-la comendo, lambuzando todo o rosto… Boa de garfo, é tarada por sorvete de flocos, camembert, camarão, calamaris, petit gâteau, pizza de quatro queijos, pão de alho, ceasar salad, salmão ao molho de maracujá, lula à doré, frango à francesa e qualquer prato da culinária mexicana. E, quando está longe, morre de saudade do caldinho de feijão, seja do Arco do Teles, Na Pressão, wherever…

É alérgica à maioria dos remédios. Fraca, capaz de dormir com novalgina. Mas bebe como um gambá; expressão que adora. Nunca bebe quando dirige. Por isso, fim de semana, quando tinha carro, quase sempre o carro ficava parado na garagem…

Para os amigos do trabalho, é sempre uma surpresa o fato dela fumar, beber e saber se divertir como ninguém. Para os amigos de farra, inacreditável a seriedade no trabalho.

Danizinha, Dani, Danita, Dan Dan , Dã, Cris, Little Dani, Danielita, Possum… Não importa o nome, ela prefere ser um paradoxo ambulante do que ter aquela “velha ( ‘e imutável, padronizada’) opinião formada sobre tudo”!!!

28.8.06

Não existe a última lágrima

Sentado na sala. O teto é bem alto, mas não está frio. O corpo está cansado. Confiro o extrato do banco. Um filme estranho passa na televisão. As vozes em inglês aindam ecoam na minha mente de um dia inteiro ouvindo outro idioma no trabalho.

A viagem no fim de semana foi cancelada porque tenho de trabalhar. Entao, sabado à noite tem jantar na casa de nossas amigas. Domingo, festa do pessoal do trabalho. Chris não reclamou do cancelamento da viagem. Ela agora dorme deitada sobre minhas pernas que, embora esticadas, começam a ficar dormentes. Com uma das mãos, acaricio seus cabelos lisos e castanhos. Na outra mão, brinco com um copo de vinho. Uma estranha sensação de lar invade minha alma.

Ouço os cachorros latindo na casa da frente. As always… Os carros passam e também posso ouvi-los. Pela janela, posso ver a lua no céu. Linda. Que paz de espírito!!! Meu pensamento voa longe, mais distante que a luz, profundo no coração, para um conturbado passado.

Chris remexe, abre os olhos e olha para mim. "Are you crying?", pergunta ela, enquanto passa o dedo delicadamente pelo meu rosto e recolhe a lágrima, que ia escorrer do canto do olho direito. Seus lindos olhos azuis me encaram, doces. "I am only tired, Baby. Sleep.", respondo. Ela nem pensa e volta a dormir, sonâmbula. Quase um anjo.

25.7.06

Seja como for...

Estava aqui pensando... que personagem pode ser tão feliz.... Amigos tão verdadeiros. Que amam como você é, meio torto, meio indefinido, meio na dúvida quanto aos mil destinos que a vida seduz... Ah, esse é para ser daqueles textos declarações de amor. Desses raros momentos de contemplação de seres. De pessoas. Que não me canso de enaltecer...

Um dia na vida, um tolo personagem chorou o amor que não declarou, que não deixou escorrer, que, temia, fosse desconhecido. Esse mesmo tolo personagem pensa em cada um que ainda conheceu e que já cruzou de novo sua “tola” existência desde então. Ah, esses seres, tão errôneos, tão instáveis, sentimentais, cruéis, egoístas, com cada defeito que só o amor sabe amar. Defeitos em espelho ou defeitos que só um amor verdadeiro sabe sobrepujar.

Esses amigos que lembram deste personagem farrista, marcando e desmarcando repetidas e inéditas esbórnias. Este meu personagem que não se cansa de dizer e amar e lembra de cada sorriso, cada abraço, cada palavra gentil naqueles idiotas momentos de beco. De tristeza. De buraco sem fim. Ou de alegria desmedida.

Este personagem, eterno saudosista de viagens. Viagens. Viagens que permitem o convívio. O estreitamento de laços. O testar de problemas e consciências de paz. De grupo.

Quando um geminiano diz eu te amo. Quando um leonino respeita alguém. Quando um ariano ouve. Quando um libriano decide. Quando um escorpião abre as portas e manda embora. Quando um sagitário libera para a pretensa liberdade. Quando um capricorniano manda viver o inusitado. Quando o canceriano esquece a família e lembra do indivíduo. Quando todos os amigos agem no que acham que é o que vai te fazer feliz... Quando simplesmente um não faz diferença. Mas dois. TrÊs. Uma consciência de momento. De grupo. De sentimento.

Que personagem seria louco de largar? Porém, meus caros, isso não se larga. Descobre ele, eu, o personagem, que amor não deixa de existir, mesmo quando não se diz, mesmo quando se propaga. Ele paira no ar. Como vertigem na montanha, como lembrança, ainda que numa memória misturada, distorcida, requebrada entre individualidade e existência no mundo. Para ser livre é preciso ser tão preso...

Paradoxo de viver que sou eu. E cada pedacinho de mim que representa vocês. Que vai comigo, sempre. Conosco. Com cada personagem que carregamos. Em nós e nos milhares de outros que carregamos. Seja como for....

E que seja como for...

12.7.06

Personagens em dieta....

For those of you who are always dieting and watching what you eat...

1)The Japanese eat very little fat and suffer fewer heart attacks than the British or Americans.
2)The Mexicans eat a lot of fat and also suffer fewer heart attacks than the British or Americans.
3)The Japanese drink very little red wine and suffer fewer heart attacks than the British or Americans.
4)The Italians drink excessive amounts of red wine and also suffer fewer heart attacks than the British or Americans.
5)The Germans drink a lot of beer and eat lots of sausages and fats and suffer fewer heart attacks than the British or Americans.

Conclusion: Eat and drink what you like. Speaking English is apparently what kills you.

17.5.06

We've got to fulfill the book

Redemption Song - Bob Marley

Old pirates yes they rob I
Sold I to the merchant ships
Minutes after they took I from the
Bottom less pit
But my hand was made strong
By the hand of the almighty
We forward in this generation triumphantly
All I ever had is songs of freedom
Won't you help to sing these songs of freedom
Cause all I ever had redemption songs, redemption songs

Emancipate yourselves from mental slavery
None but ourselves can free our minds

Have no fear for atomic energy
Cause none of them can stop the time
How long shall they kill our prophets
While we stand aside and look
Some say it's just a part of it
We've got to fulfill the book

Won't you help to sing, these songs of freedom
Cause all I ever had, redemption songs, redemption songs, redemption songs

Emancipate yourselves from mental slavery
None but ourselves can free our minds
Have no fear for atomic energy
Cause none of them can stop the time
How long shall they kill our prophets
While we stand aside and look
Yes some say it's just part of it
We've got to fulfill the book

Won't you help to sing, these songs of freedom
Cause all I ever had, redemption songs
All I ever had, redemption songs
These songs of freedom, songs of freedom

1.5.06

Estou deixando a vida me levar...

Vou deixar


(Skank)

Vou deixar a vida me levar
Pra onde ela quiser
Estou no meu lugar
Você já sabe onde é

Não conte o tempo por nós dois
Pois a qualquer hora posso estar de volta
Depois que a noite terminar

Vou deixar a vida me levar
Pra onde ela quiser
Seguir a direção
De uma estrela qualquer

Não quero hora pra voltar não
Conheço bem a solidão me solta
E deixa a sorte me buscar

Eu já estou na sua estrada
Sozinho não enxergo nada
Mas vou ficar aqui
Até que o dia amanheça
Vou esquecer de mim
E você se puder não me esqueça

Vou deixar o coração bater
Na madrugada sem fim
Deixar o sol te ver
Ajoelhada por mim sim
Não tenho hora pra voltar não
Eu agradeço tanto a sua escolta
Mas deixa a noite terminar

Eu já estou na sua estrada
Sozinho não enxergo nada
Mas vou ficar aqui
Até que o dia amanheça
Vou esquecer de mim
E você se puder não me esqueça
Não não, não quero hora pra voltar, não
Conheço bem a solidão me solta
E deixa a sorte me buscar
Não não, não tenho hora pra voltar, não
Eu agradeço tanto a sua escolta
Mas deixa a noite terminar!

22.3.06

Enjoy The Silence

Enjoy The Silence
Depeche Mode
Composição: Martin L.Gore

Words like violence
Break the silence
Come crashing in
Into my little world
Painful to me
Pierce right through me
Can´t you understand
Oh my little girl

All i ever wanted
All i ever needed
Is here in my arms
Words are very unnecessary
They can only do harm

Vows are spoken
To be broken
Feelings are intense
Words are trivial
Pleasures remain
So does the pain
Words are meaningless
And forgettable

All i ever wanted
All i ever needed
Is here in my arms...

7.3.06

Carta de um personagem

The Unsaid

Faz semanas que não sei de você e às vezes parece que há uma vida inteira entre nós. De novo. Tenho pensado em você cada segundo do meu dia. Posso lembrar de extensos e intermináveis diálogos imaginários com você. Imagino o desabafo, a risada, o aconchego. Penso nos seus doces olhos, sempre como o céu, imprevisíveis, lindos, variáveis e inalcançáveis... Penso nos seus lábios, sua língua procurando a minha, quase sinto o toque suave, o carinho, o encontro de peles; tremo sozinha e me calo.

Imagino como você deve estar. Bem? Espero que sim. Lembro do seu pai, sua família, seus problemas, sua vida. Preocupo-me, preocupo-me. Demasiadamente. Então me recordo que sou a mentira, que sou o jardim secreto, cheio de rosas e espinhos. Que sou a lembrança sofrida do passado. Que sou a dor esquecida num canto da memória. Que sou a dúvida, sou as possibilidades sem certeza.

Lembro que, para você, posso ser a agressão. A falta de comunicação. Para você, posso ser muito pior que uma situação sem saída. Que eu não entendo e (repetidamente) jamais me fiz entender. Como eco, vêm as palavras “prefiro que saia da minha vida”, “eu queria a sua amizade”... Então eu simplesmente me enterro em mim mesma e não sucumbo ao impulso de ligar para você, pedir perdão por qualquer coisa, dizer que amo você mais do que nunca e que me sinto ausente, perdida, longe de você.

Outro dia eu li um conto, inspirado em fatos reais. Publicado por um terapeuta, reproduzia a carta de uma paciente. Tempos depois, ela afirmava que ninguém é capaz de viver bem, amar, verdadeiramente, se não é capaz de viver sozinho, de se amar. Por Deus, como eu, logo eu, fui também enveredar por este caminho de viver um outro alguém, de se perder num olhar, de desviar a rota para cruzar um caminho. E ficar ali. De verdade. No melhor sentido que essa tola palavra puder ter.

Tento me lembrar todos os dias o quanto sou feliz, o quanto tive domínio sobre minha vida, minhas escolhas. Quantas pessoas boas eu tenho o privilégio de conhecer. Quantos momentos felizes perpassam minha vida. Mas então eu lembro do seu sorriso, sua voz e tenho aquela sensação da gargalhada no ar. De um arco-íris sumindo, um espetáculo que se faz e se desfaz num piscar de olhos. Como uma pegada, marcada na areia, no peito, na alma e então só há vestígios, daquilo que não mais se ‘sabe’.

Dentro de mim, carrego a certeza do que não sei. Irônico, não? Carrego um sentimento tão intenso que se esgota em palavras; tolas explicações. Diante disso, só lembro de você e cada segundo que não estive e não estou – nem virtualmente- ao seu lado. De que vale isso tudo sem você, sem saber de você? É tão magnânimo, se me permitem ser assim, mais uma vez exagerada, que não importa o uso, mas a existência, como uma pequena chama. Se sou amiga, se sou namorada, amante, parceira, ouvinte... Este sentimento tudo abriga.

Situações, vaidades, angústias e saudades nos arrastaram em desentendimentos, mas o inexplicável se esconde detrás desses sentimentos vis. Penso, penso nisso com tanta força, que me lembro que eu acredito nisso. Eu, logo eu, eu acreditei, eu fiquei, eu me torturei de frustração e saudade, crendo que algo iria, por fim, encaixar-se... Mas... Você disse vá... Você soltou as amarras, de vez, do que parecia uma conexão inexplicável. Você desacreditou na ligação. Fez com que, de uma vez por todas, eu me achasse lunática por não pensar, não entender, porém, ainda assim, sentir tão vibrantemente.

E, nesse instante, volto a ouvir a sua voz imaginária dizendo para eu sair de sua vida, para eu deixar você em paz, de uma vez por todas. Para eu permitir, com minha ausência, que você volte a essa vida, que é só sua, que só você sabe, à qual não pertenço.

Nesse mundo tão seu, na qual vaguei em sensações, sem palavras. Feeling. Feeling. Marcos daqueles “telefonemas tremidos”, daqueles silêncios de expectativa. Daquela espera febril pelo encontro físico, carnal e metafísico... Aquele, aquele abraço, que, como num filme, isolou-me, com você. O mundo ao nosso redor, numa Paraty histórica, da nossa história. Aparências, capas nossas, que se reconheceram num olhar, num sussurro de nomes. No sopro de desejo e paixão.

Parece aquela coisa de cinema. Fora da realidade. Eu vejo você cruzando o salão do hotel e, em meio a animais que me distraiam, sua aparição na minha frente. Materialização de sonhos. Estrela cadente na minha cidade. Rosto cansado. Meus problemas. Seus problemas. Tantos...

Aquele beijo, olhos nos olhos, seu corpo rente ao meu, uma eternidade em segundos. Eu sinto seus pés sob meus dedos, num momento em que a tela enorme do cinema parecia uma realidade paralela. Seu calor, seu cheiro, presença tão real ao meu lado, como se eu entrasse em você e sentisse você, de novo, em mim.

Meus lábios, depositários de tanto desejo, repousando nos seus braços, frenéticos, seu gosto imaginário correndo nas minhas veias, paisagem correndo, do lado de fora, do ônibus e da vida de outros. Quaisquer outros.

Seu beijo, no meio da praça. Tanto medo, tanto medo, tanto desejo, meu Deus. De mãos dadas, como crianças, na liberdade de um momento. Na liberdade etílica. Na liberdade de sentir.

Como adolescente, não largando o amor, na porta de casa, na porta do hotel, numa rodoviária, no saguão de um aeroporto. Sempre, sempre me despedindo, a cada segundo, dessa ausência em mim mesma, que você deflagra.

Eu sinto, sinto, sinto... Mas, no final, volto a ouvir a sua voz imaginária dizendo para eu sair de sua vida, para eu deixar você em paz, de uma vez por todas. Para eu permitir, com minha ausência, que você volte a essa vida, que é só sua, que só você sabe, à qual não pertenço. E, como você, eu sinto, eu sinto muito...

'Cris Liebe'

11.2.06

Honey, Are You Straight Or Are You Blind?

Honey, Are You Straight Or Are You Blind?
Elvis Costello
Composição: Indisponível

Who do you see when you turn your eyes down?
Who do you see when I’m not seeing you?
The news is out all over town and all these girls
Are taking turns at being you

Chorus: Well, well, well
You’d better make up your mind
Honey, are you straight or are you blind?

She’s coming in between us you know that she is
I’m not holding on to her but one of us is
My hands are in my pocket, my face is in a book
She could walk ‘round naked and I wouldn’t sneak a look

Chorus

Honey are you straight or are you blind?

She walked in and your eyes flew out the door
You squeezed my hand ‘til the circulation ceases
She’s just a doll like so many more
She’s the kind of doll that you’d like to pull to pieces

Chorus

Well, well, well
You’d better make up your mind
Honey are you straight or are you blind?

6.2.06

É só um carro? É energia de viver...

Sonho de consumo no imaginário popular. Mas é só um carro. Um abrigo, aconchegante, onde este humilde personagem pôde ir e vir

É só um carro, mas foi um símbolo pessoal de perseverança, de sempre fazer o que diz, sustentar a palavra, ainda que antiga: "eu vou comprar o meu carro, novo, quando eu quiser".

E assim foi. Comprar o carro, podendo escolher. Pagamento à vista, regateando preço. Depois foi a diversão de preencher o carro. Aquele curto espaço que transforma só um carro em algo pessoal. O insulfilme que o personagem julgava necessário. O rádio, com cd, parceiro de engarrafamentos, primeira voz na cantoria dos dias bem-humorados. Até a caixa de cerveja guardada na mala, junto à canga de praia, chinelos e, muitas, muitas vezes, malas e malas de muitas viagens.

É só um carro. É só o objeto. Mas a lembrança arde. A primeira viagem, de um carro com apenas 20 km no marcador. Do nada, um carro novo passando em corredeira de uma Trindade cheia de gente, em pleno feriado. Os farnéis dentro do carro, em longas viagens. Biscoitos Globo no engarrafamento.

Carro como abrigo para namoro em final de festa. E, nesse dia, quase foi uma porta. Um ex que já não existe mais; o carro ainda existia com a marquinha na porta...

Uma viagem onde ficou o rádio. Um "Incrível Hulck", de nome, mais conhecido por LOE, todo embaçado do frio de Astolfo Dutra. De manhã, já sem sapato, sem descanso, sem tristeza, era a estrada para o Rio, onde o rádio e a saudade iriam se perdendo. Destes tempos que se vão sem nunca irem da memória....

Um carro quase saltando o marco da vaga porque quem dirigiu deixou engatada a marcha e não avisou...Um carro quase roubado numa rua principal de um famoso bairro no Rio de Janeiro. Um passarinho desgovernado batendo no vidro do carro, na estrada. Um beijo roubado, mutuamente, na carona de um amor antigo, que é sempre amor.

Outra viagem, chuva, engarrafamento, 140 km/h, época sem radar... Muita fofoca de "lulus em trânsito"... A foto em plena curva perigosa, que, de piada, personagens brincavam que quase tinha sido a própria foto do acidente...

Um frio do cão. Outra viagem. Fim do festival de música e de alegrias. Chave do portão quebrada na mão. Carro paradinho em frente à casa. E fechado... Porque a chave do carro estava do lado de dentro da casa, junto ao celular...

Um carro emprestado para levar os presentes de casamento de um amigo, em Paraty. O mesmo carro, buscado, na ânsia de realizar um amor que, até então, nada tinha a ver com o carro. O mesmo carro que levou embora este amor, algumas vezes, com a saudade e todas as ânsias amarradas, bem apertadas, no coração.

Mr Loe no aeroporto, uma vez mais, buscando amigos chegando de viagem. Um outro personagem caçoa o dono do carro: "por que ir buscar amigos no aeroporto com a mala cheia?". O personagem tinha esquecido, mas o carro era espaçoso, o espaço da boa vontade... Os amigos internacionais, alheios ao diálogo, perguntam: "Oh, italian car???".

Incrível Hulck numa outra viagem. Cadê documento às 10:00 horas da noite? O outro carro no conserto, Hulck salvando o feriado de alguns personagens.

Alguém segurando a mão deste saudosista personagem. O carinho na perna. O braço no ombro, motorista no banco do carona. Cabelos ao vento. Jeitinho no cinto de segurança. Muitas caronas e manhãs de sono, indo trabalhar.

É só um carro que agora se vai... O personagem sacode as lembranças e respira fundo. Abre espaço, coração, que o personagem está pegando carona na vida e aí virão muitas, muitas alegrias, que o nosso amor não é roubado. É emprestado, vivido, queimado, renegado, mas, como a energia, não se perde...

3.2.06

Máquina do Tempo

Máquina do tempo: 3 x 2 cm. Desenho fosco, azul. Branco também. Cheiro de borracha...

Fechar os olhos...

Escola. Crianças. Distribuição de materiais. Professores conversando.

Cheirinho de almoço. Cortando batatas, "ajudando" "tias" na cozinha.

Distribuição de brindes. Babaloos. Vozes. Pessoas pelos corredores.

Brincadeira no pátio. Fuga para atazanar o cachorro da moça da cantina. E o giz de côco?

"Nossa, essa é a irmã mais nova..."

Correr. Correr. Correr. Pular. Bagunça. Barulho.

"Posso brincar, posso brincar?"

Ir ao cinema. Sozinhas... Do outro lado da praça...

ET no cinema. Alguém lendo para a pequenina.

Frases soltas. Momentos e momentos.

"Ei , já fez o dever da escola?"

A máquina do tempo é uma simples borracha de apagar... simples como a vida de uma criança...

26.1.06

De Amor e de Sombra

“Sorriram aliviados, divertidos, trêmulos, seguros de que não pretenderiam uma aventura fugaz porque foram feitos para compartilhar a existência como um todo e assumir juntos o desafio de se amarem para sempre.”


De Amor e de Sombra – Isabel Allende

21.12.05

Morrer...

"(...)Não vive aqui, Viver aqui, o que se chama viver, não vivo, Não entendo nada, falar consigo é o mesmo que ter caído num labirinto sem portas, Ora aí está uma excelente definição da vida, Você não é a vida, Sou muito menos complicada que ela, Alguém escreveu que cada um de nós é por enquanto a vida, Sim, por enquanto, só por enquanto, Quem dera que esta confusão ficasse esclarecida depois de amanhã....estou cansado de mistérios, Isso a que chama mistérios é muitas vezes uma protecção, há os que levam armaduras, há os que levam mistérios(...)"

"E como as esperanças têm esse fado que cumprir, nascer umas das outras, por isso é que, apesar de tantas decepções, ainda não se acabaram no mundo, poderia ser que ela o aguardasse à entrada do prédio com um sorriso nos lábios e a carta na mão(...)"

As Intermitências da morte, morte assim minúscula quase até o final deste maravilhoso livro do José Saramago....

13.11.05

Olho muito tempo o corpo de um poema...

"olho muito tempo o corpo de um poema
até perder de vista o que não seja corpo
e sentir separado dentre os dentes
um filete de sangue
nas gengivas"

Ana Cristina Cesar

|Pensei até em mudar este texto, colocar algumas das músicas que rondavam a minha cabeça após o excelente show que assisti ontem. Mas o tempo está curto. Agradeço os e-mails recebidos, peço desculpas pelo sumiço e, exatamente por isso, vou dar uma parada -temporária, assim espero- com o blog. Logo, se tudo der certo, estarei alimentando os blogs novamente. Abraços, Dani|

31.10.05

OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO

"Chega um tempo em que não se diz mais: meu
Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos
edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação."

Carlos Drummond de Andrade

21.10.05

Darren Aronofsky's film

"If you want to find the number 216, you will be able to find it everywhere. When your mind becomes obsessed with anything you will filter everything else out and find that thing everywhere... 320, 450, 22, whatever!!! You've chosen 216 and you will find it everywhere in nature!"

Pi - Darren Aronofsky's film

19.10.05

Guardar

Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.
Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que um pássaro sem vôos.
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.

Antonio Cicero

13.10.05

O retorno

O cenário de uma rodoviária após um feriado é capaz de deixar qualquer um ensandecido. Pessoas que rodam de um lado a outro, desnorteadas, com apetrechos e malas entupidas de coisas muito além do que costumam precisar. Apressadas, tentando esgueirar-se o mais rápido possível entre a multidão de viajantes com parentes, amigos; todos com os rostos chorosos que costumam marcar as despedidas.

Como quase todas as pessoas que lotam a Rodoviária Tietê, na cidade de São Paulo, ela vagava entre os guichês à procura de uma passagem de volta para casa que, nesses momentos, sempre ganhava um aspecto ainda mais saudosista.

Boa tarde, eu queria uma passagem pro Rio?”, “Passagem pro Rio? Estão esgotadas”. A cena se repetiu algumas vezes até que ela, insistente, quase desesperada, ao se lembrar dos compromissos marcados para o seu retorno, tentou uma das últimas companhias. “Passagem pro Rio? Olha, a companhia colocou outro ônibus porque a procura está muito grande. Horário de 23:30...”. “23:30?! Mas são oito horas da noite?!”. O atendente do guichê olhou, impassível, para a incrédula compradora e acrescentou: “Olha, a senhora vai comprar ou não? A fila está grande, cheia de gente querendo comprar pra amanhã. E, quer saber, é a última desse ônibus...”. Vendo-se sem opções, ela comprou.

E agora? Seriam três horas e meia de espera. A primeira reação foi de perplexidade. Ela sentou-se num banco perto dos orelhões tentando “digerir” a idéia e planejar o que fazer. Um amiga tinha pedido para ela ligar avisando o horário da passagem, mas ela resolveu não deixá-la nervosa. Optou por um passeio pelo Shopping D, ao lado da rodoviária.

Mas como quase sempre ocorre durante uma longa espera, o tempo não passou e uma hora depois ela retornou para a rodoviária. A confusão de pessoas indo e vindo continuava, parecendo até maior. Gente saindo do metrô, gente saindo dos ônibus, chegando do feriado, gente pegando táxi, gente na fila do banheiro, gente, gente...

Cansada de andar, cansada de carregar o peso de sua mala, ela ligou enfim para a amiga, sentou na mala e ficou mais uma hora ao telefone, sem culpas pelo gasto, afinal, não era um interurbano...

Mais da metade do martírio de espera já havia passado e o cansaço já dominava o corpo. Resolveu comprar logo um novo ticket do metrô para o próximo retorno. A fila de compra, sempre enorme, consumiu mais uma meia hora... “Bem dizem que tempo é dinheiro...” – brincou.

Ela ainda entrou numa loja que sempre chamara a sua atenção, mas que nunca tivera “tempo” de olhar: Dinho Presentes. Comprou alguns souvenirs e seguiu para os quiosques da Praça de Alimentação. Após se conformar com o fato de que nenhum deles tinha coca light, comprou um suco, alguns biscoitos e sentou.

Os minutos finais ( seriam?) seguiam enquanto observava os apressados. 23:20. Quase como quem ia receber um prêmio, ela desceu até a plataforma número quatro.

Casais se despedindo, gente chorando, crianças sonolentas, lanchinho nas mãos, detector de metais na mala, entrega da passagem preenchida.... enfim, poltrona 22 do ônibus executivo de dois andares, horário especial; ao lado da escada. Adeus São Paulo. “E quem vem de outro sonho feliz de cidade, aprende depressa a chamar-te de realidade...”.

Oito horas depois, já acordada, ela avistou outra rodoviária na “cidade maravilhosa”: Novo Rio. Apesar do ônibus ser direto, devido aos congestionamentos, houve um atraso. Chegada enfim? Não. Engarrafamento de ônibus já antes da Rua Rodrigues Alves... Era a volta do feriado em outra grande cidade... Descanso? Imagina... Ela foi trabalhar com mala e tudo depois do feriado. Saltou do ônibus e viu gente, gente, gente... todos acelerados...

3.10.05

Cheiro de Morte

No ar, só sangue. Aquele cheiro de restos. Um breve piscar de olhos trazia aos ouvidos o gemido.

Uma dor profunda, quase um pedido de socorro. Um medo e um desnorteio. A tentativa de fuga. A sensação do embrulho no estômago e, de repente, aquele abandono. Como quem chora e desiste. Pronto, ali estava. Podia fazer o que quisesse com ele.

Dele, só a carne, só fisiologia, porque o espírito tinha voado numa lamúria sem dono. Depois, era só a matéria; vil, suja. Olhos esbugalhados, fixos, fitando aqueles que prejulgava como algozes; carapuça da raça-humana. E ali ficou, deitado. Nem água, nem comida, nem descanso, nem sonhos, nem vida.

Os olhos perdidos iam perseguindo, sem dó, nem perdão. E, por todo lado, era só sangue, era só aquele, aquele gemido. Eufemismo de morte, no rastro de liberdade...

Tigre, Tigre, Tigre; que assim seja!

27.9.05

Diário infantil de um personagem

Ai, Peposo. ‘Me leva’ de volta. Aqueles abraços sem fim. Tardes sem propósito, inconscientemente seguindo na direção do acaso. Sem questionamentos. Sem decepções quanto ao óbvio da humanidade.

Traz de volta aquela mente sem dúvidas. Em nenhuma busca desenfreada. Só o momento. Só o rir. Só o agora. Que infelizmente já é ontem...

Peposo, arraste-me contigo para os delírios pueris, os sonhos cheios de magia e ilusão... Leve-me hoje, arrastada, como eu, que te levava, abraçado, amassado, junto a mim como se fosse parte...

Máquina do tempo para a foto: o sorriso, bicho de pelúcia nos braços, um instante de felicidade despropositada. Aí se refugia o segredo da alegria...

Vamos assistir à televisão fazendo piquenique, na sala, com farinha Nestlé e Nescau... Dentro da casinha da Mônica... De pano... Vendo família Flinstones, He-man, Caverna do Dragão... As crianças perdidas...

Ah, as crianças perdidas... Acho que Caverna do Dragão é uma grande metáfora para o crescer. Quando a gente passa a ser “como nossos pais” e nos perdemos do simples, do óbvio, verdadeiro... Quando temos de abdicar da magia, dos poderes, do "unicórnio de nós mesmos"... A lenda da pureza, da lealdade...

Que farei hoje eu? Não posso abraçar e chorar com o Peposo... Ele não fala mais comigo, meu Teddy das cavernas e Tupiniquim... Não existe um Mestre dos Magos do mundo real...

Existem milhares de Vingadores na busca eterna pelos “poderes” das “crianças perdidas”... Cheios de tramóias, almejando “invencibilidade”...

Precisamos sair da caverna de nós mesmos! Deixar invadir a luz para ressurreição de sentimentos como lealdade, fraternidade; os eternos poderes do amor...

Vem, Peposo. Calado. Sujo. Desbotado. Olhos foscos e lábios sem cor. Vem. Você fala comigo sim... É só eu me reeducar para ouvir. Você e ao mundo. Vem...

21.9.05

Estilhaços de humanidade

A criança chora no sinal todos os dias. Olhos remelentos. Vestindo fome e desespero. O irmão mais velho, que nem é tão mais velho assim, vende doces.

Sabe aquela mendiga pedindo esmola todos os dias? Rodeada de cachorros, vestindo trapos, estendendo a própria mão... Logo ali na esquina...

A trocadora contando e recontando o mesmo troco, temendo o real que vai faltar na merenda dos filhos, se descontado. Aquela mãe que agoniza o filho preso, pouca idade, seduzido pelas oportunidades fugazes do tráfico.

Um despertador para realidade. Aquela da qual tanto se fala e pouco se vê. Indo para o trabalho, agenda lotada, o cotidiano esquece a agonia daqueles que “sobrevivem” ou vivem à parte da sociedade.

Mas o sinal abre. O telefone celular toca. E é o fim da “humanidade”. Ou o começo... em um longo dia de afazeres “produtivos”. A justificativa do salário no final do mês.

Tudo bem. Lar mais uma vez. Deveres dos filhos feitos. Comida durante o jantar. Televisão no jornal da noite. E mais um desabamento... Uma família que perdeu tudo. Uma? Uma apareceu na televisão, esvaindo em lágrimas do esforço de uma vida que se vai numa intempérie...

E a “digestão” continua... Mais um bombardeio, sabe lá onde no mundo... A mulher grita. Perdeu o filho, o irmão, o marido; todos civis. Enfim, tudo é guerra, não?

Desliga a televisão. Mas o “toque de recolher” na vizinhança 'concorda'. Tiros e mais tiros. Pessoas tentando se abrigar em lojas e atrás de carros; terror. Da janela, tudo se vê. Deve ser algum conflito entre traficantes e policiais.

Mas é melhor ficar “longe”. Antes que uma bala perdida alcance em cheio o resquício de humanidade. Só estilhaços, reais ou não, de uma estranha sociedade. Melhor não ver, melhor não ver...

Então vem o sono. Os projetos a entregar no dia seguinte. Um pesadelo da filha sendo assaltada. E a insônia, a insônia; todo meio acordado para a vida... Mas ainda vivo!

13.9.05

Continuu

Uma espécie de fixação por amor. Como as pessoas não duravam, o amor, apenas ele, persistia. E o personagem era projetado em cada sombra de identificação. Arrastada ao longo de amores, cada vez mais inalcançáveis.

E não é que não amasse. Era cada vez intenso. Mais autofágico também. Suicidava de amores em amores. Cultivando o velho hábito de enaltecer as qualidades de cada um, sobretudo, amar os defeitos.

Sabia amar cada vírgula. Conhecia o silêncio como ninguém. Enxergava a pureza em cada farpa do dia a dia. Entendia a natureza do próximo. Só não podia suportar a dor do amor sucumbir ao cotidiano. Este então lhe parecia a morte de sentido.

Tinha sido sim, muitas vezes, injusto com o possível. Tantas que perdera a conta... Não conseguia respirar o plausível, como se tivesse de salvar a si mesmo em cada estrada sem fim...

E tudo era amor demais. Ou falta de amor. Sem saber, não percebia que um não funcionava sem o outro. Não havia mesmo motivos para agir assim, de uma maneira ou de outra. Magoar alguém é que era o fim. Amava “de menos”, amava “de mais”, e lá estava: a incompreensão que parece mover o mundo. Como se a paz fosse o apocalipse...

Sem querer, ia arrastando paixões perfeitamente lunáticas, enquanto o bondoso amor-perfeito, assim, exagerado mesmo, carregado de obrigações, ia se tornando pesado; ele, pesaroso...

Muitos olhares antigos, entretanto, ofuscavam o pensamento. Ficava a dor de não poder continuar. Sim, correspondia sim. Amava todos os amores. E continuava amando, mesmo quem odiava sua intermitência existencial.

Quando alguém 'divorciava' então, vinha a culpa. O vinho que deveria ser mais saboroso, aos poucos, era efêmero. De um só gole, ele tomava suas certezas e parecia desistir na embriaguez-ápice. E quem queria ser 'certo', junto, chorava este furacão de busca contínuo...

Então ele derramava. Lágrimas daquele instante que nunca pode continuar sendo. Aquele, aquele, aquele que está por vir, o momento antes do orgasmo. Para ele, o resto persistia igual; a ressaca de todos os sentidos...

E se desculpava. Às vezes antes, durante, depois. Sabia no que não ia dar. Avisava. Sempre dizia. Mas o fato era que acreditava em pelo menos um momento. E porque acreditava neste momento, o momento, seria capaz de virar o mundo atrás dele. Se viesse mais rápido, mais rápido era o devaneio. Se custasse, mais instigante.

A arrogância era tanta, que nunca deixara de acreditar sem ter vivido. Nunca, nunca, nunca... Nunca não existe... Na verdade, uma vez o céu havia sido pouco pra sonhar. Sonhou, sonhou, até sorriu, guardou quimeras de instantes quase verdadeiros. Quase. Mas voltou. Literalmente. Azul? Passou a ser só blue... Uma saudade que, por si só já é intensa, pior quando poderia ter sido aquele, aquele momento...

E isso foi tão forte que até parou para pensar na continuidade de um agora mais calmo. Aceitando que não se pode pular de sonho em sonho, sugando alegrias e recordações-combustível. Nunca vivera este outro lado; quem fica com o não-vivido, não correspondido, como se não tivesse “sido” o suficiente. Talvez estivesse errado? Quem ia saber agora?

Mas não adiantava. Tentava, tentava. A estabilidade feliz, meta para muitos outros mortais, parecia um “expropriar” de tantos “eus” por vir... Um dia ia se esgotar. Talvez sim. Talvez não.

E ele chegou a querer. Ironias do destino, quase implorou. Bebeu da própria ausência e assistiu ao seu reflexo, no espelho de um outro alguém. Mas a palavra ainda não era 'agora'... Só restaram os cacos...

9.9.05

Maré

Será que um dia vou me lembrar?
Dos rostos que não fazem sentido.
Das vozes que não saem, perdidas.
Dos textos que não soube ler.

Do tempo que não seguiu.
Das palavras que passaram direto.
Do canto de lucidez.
E da verdade soprada aos prantos...

Será que um dia vou me esquecer?
Do destino que se foi.
Do corpo que se transformou.
E até do pó. Sem explicações...

Do gesto que não houve.
E da viagem que fez retornar.
Do doce amargo de certas vidas.
E do sonho esquecido ao nascer na praia.

Enxuga este piano de dentes.
Cada um, memória errante . Vacilante?
Não deixa a lágrima transbordar da mente.
Ópio enlouquecedor de melodias.

Raspa, recorta. Atira.
Fecha a porta. Resiste.
Até o resquício do fim. Para cima. Para baixo.
Mexendo para todo lado...

Nem sempre é tempo.
Ou paciência.
Nem único...

1.9.05

Inércia

Ao entrar no carro, mosquitos para todo lado. Um calor infernal. O prenúncio do verão. Malas no bagageiro. CDs esquecidos. Melhor seguir o rumo.

Algumas ruas, muitos carros. No cruzamento, esquerda ou em frente? Melhor esquerda. Todos os caminhos engarrafados, de qualquer maneira...

No final da rua, um sinal rápido. E a fila não anda... Bad choice. Bad choice.

Paulo Ricardo depressivo no rádio. Finalmente a vez; chegando ao sinal e virando para a direita. Entrei enviesada, o trânsito estava obstruído, não dava para ir mais com o carro.

Na confusão de automóveis, oriundos de todos os lados, meu olhar cruzou o dela. Ela estava num gol branco, que entrou ‘por fora’ do meu carro. Não sei quantos anos devia ter. O rosto era bonito e envelhecido. Magro. Dolorido. Parei, desconcertada.

Era um olhar pesado, triste. Numa fração de tudo ou nada, invadiu minha alma. Nunca havia visto a mulher na vida, mas tive o ímpeto de sorrir, dar um bombom. Porém, não tinha doces na bolsa e talvez ela não pudesse comer isso. No mesmo fugaz, porém interminável instante, corri os olhos pelo carro. Pensei em dar o meu boneco cachorro, que tanto amo, de olhos azuis, sempre balançando a cabeça, como quem canta uma animada canção...

Nestes longos segundos, o carro dela cruzou pela esquerda e sumiu no engarrafamento, na não fileira de carros paralelos. Ainda passei por alguns carros parecidos, 'mergulhei' a cabeça, para ver se encontrava, no banco do carona, aquela cabeça amarelada, raspada, provavelmente de quimioterapia. Nada vi...

E aquela angústia, num olhar tão penetrante, embora rápido, perseguiu-me por mais 40 minutos de engarrafamento.

Ela passou, deixou-me perplexa e levou sua dor. Nada pude fazer. É a impotência, a todo momento...

25.8.05

Difícil

Difícil é respirar, falar, manter-se impassível quando o que você precisa é se desesperar. Difícil é quando todas as futilidades do mundo giram em torno de papos para esconder tudo que te aflige.

Difícil é quando você não quer o que quer. Quando você não quer o que consegue e não consegue o que quer ...

Difícil é quando você não conhece nenhuma verdade que te sustente, nenhuma luz que te guie... Nenhum sentimento que te faça forte, seguro.

Difícil é escolher, difícil é acreditar...difícil é tomar as decisões mais acertadas... Difícil é decidir sobre o que decidir ou descobrir que o decidir não há no que é difícil...

Difícil é cada desespero controlado. Difícil é cada resposta sem pergunta e cada pergunta sem ilusão.

Difícil. Difícil. Difícil.

O que é isso tudo, meu 'DEUS'?

21.8.05

Becos...

Poema do Beco

Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?
- O que eu vejo é o beco.


Pneumotórax

Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.

Mandou chamar o médico:

- Diga trinta e três.
- Trinta e três... trinta e três... trinta e três...
- Respire.

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- O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
- Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.


Manuel Bandeira

14.8.05

POSITIVO?

Aguardava o exame junto à multidão que ia aumentando em progressão geométrica... “Saúde pública...devia ser não saúde de um grande público...” -ironizava ele.

Acendia um cigarro atrás do outro enquanto pensava na própria vida. Cheio de pena de si mesmo, já ia decretanto o fim e pensando no que gostaria de lembrar do passado de viver...

Analisava cada rosto, divertindo-se com o pensamento de que o anominato reservava faces e tipos completamente diferentes. Mas todos na mesma tragédia. A tragédia do medo, da apreensão. A incerteza do futuro ligada à incerteza da própria saúde...

Cada cigarro era um resquício de esperança que se acendia e se apagava com a sequência dos instantes e das lembranças...

Quais seriam as histórias escondidas no âmago de cada pessoa ali? Quais deles poderiam ter mais sofrimento para esquecer ou mesmo alegrias para contar?

Na vida, o que os uniu na categoria de vítimas da sociedade humana e da própria sorte... Seria um jogo de sorte & azar? Fatalidade?

Vidas talvez sem nenhum outro vínculo que um exame. Vidas que dali poderiam ter em comum um ponto de partida para um novo começo ou para o fim...Fim de quê? Já estava se condenando novamente...

E se desse HIV positivo? Então? “E daí?” - murmurava ele.

Precisava parar de se “matar”. Na verdade, todos sabem que vão morrer. AIDS é só mais um limite criado por nós... “Positivo?” - praguejava ele.

Positiva devia ser sua esperança, mas se o resultado desse reagente, ele também reagiria. Lutaria contra os excessos e provavelmente viesse a ter uma vida até mais saudável...

Reagiria contra o recorrente desejo de ter pena de si mesmo e se rebaixar a lamúrias quanto a desgraças do passado que deviam ser enterradas a despeito de qualquer resultado.

Devia era lembrar sempre de ser positiva sua maneira de encarar o mundo, a vida. Positiva devia ser a imagem de si mesmo. Positiva devia ser sua (re)análise de vida. Positivas deviam ser as conseqüências. Fossem o que fossem as letras batidas numa simples folha de papel acerca de uma vida. Um papel não traz um resultado. Não de fato. Atitudes sim. Positivas e de reação.

9.8.05

Parada de um personagem

Entre quatro paredes. É quase como uma redoma. É jaula, é paz. Falsa paz, mas paz.

Desejo de ali permanecer no recanto da fuga. Deixando os problemas no quintal. Escondendo as dúvidas no tapete de entrada.

Enganando que é só isso. Ele e o quarto. Não há decisões. O vácuo. Manter as inconstâncias sob a escuridão da ignorância. Ainda que momentânea.

O teto parece tão simples, tão próximo. Tão. Tão. Paredes tão firmes que ali quer ficar.

Ali, são as regras dele. É o seu tempo. E o seu intervalo.

Não há impossível porque são eles. Ele, o quarto e o retorno dele.

Às vezes, olha através da janela. Vê as flores crescendo no muro: 'Hera'. Um novo tempo talvez. Talvez.

Lá fora, na realidade. Ou ali, ao seu redor. Sempre há vida.

Ou um fiapo que quase desiste e se isola para recuperar a força.

Carga mínima de energia para reabastecer certezas, redescobrir metas e planos. Reestruturar o sonho destruído.

Procurando a resposta que não existe, assimilando que não há consolo.

Pensar já traz o medo. A decepção. A frustração. Volta, então, às paredes. Ao teto. E ao seu âmago.

Amanhã, ele mergulha no abismo...

3.8.05

Clausura

Consegue imaginar um quarto? Fechado. As paredes são brancas, mas a luz é daquelas meio amarelas. O reflexo é terrível, aspecto sujo. Como se o ar fosse um misto de fumaça. Não há muito a ver. O quarto está vazio, embora seja comprido.

Por vezes, dá para brincar de identificar imagens na parede. Seriam leões? Carneiros? Ou seriam morcegos? Mas, então, é só apertar os olhos para ver que são manchas.

Lá do outro lado da imensidão, há uma janela. Nem alta, nem baixa. Nem larga, nem estreita. O suficiente para ser vista. De qualquer quina. O exterior pode ser tudo. A imaginação pulsante. O rio e sua energia correndo em diferentes rumos. As árvores, frondosas, espalhando vida para todo lado. Como um oásis mental. Símbolos de liberdade e contentamento.

Porém a caminhada até a janela é infinita. Quanto mais passos, ainda que largos, mais distante a miragem. Penumbra na alma encarcerada. Agora é tempo de futuro...


“Não existe nada vivo
Dentro desse quarto
Todo dia eu pego o medo
Meço, mato e guardo
Num cansaço calmo de sobreviver
Cantar pra subir
Descer e dar uma banda...”
(Um dia na vida, Cazuza)

28.7.05

Espera

Parada na porta do restaurante. Andando de um lado a outro. Detestava esperar. Não estava ali mais do que cinco minutos, mas a agonia aumentava.

Atravessa a rua. Cigarro. Cigarro. Se queria parar de fumar, era melhor comprar a varejo... A barraquinha era a solução.

Uma “moça” compra balinhas. Uma mendiga pede centavos para alguma coisa inaudível... Uma fileira informal de “moças” se estende ao longo da rua.

Nem bem comprou o cigarro avulso e o vendedor gritou: “Bora, vamo trabalhar aí... Circulando, circulando...”. Ótimo. Um ambulante cafetão. A diversidade da Lapa... “E eu aqui...” – pensou, já acendendo o cigarro.

Esperando again na porta do bar, mendiga pedindo trocados – “será que estou ficando louca? Isso já aconteceu...”; pensou em como tudo havia começado. Tinha saído de casa no dia anterior, por volta das sete horas, logo depois da visita “inesperada” de um “amigo”.

Em pouco tempo, estava cercada de amigos queridos, jogando papo para o ar, em Copacabana. Uma garrafa de tequila from Mexico. Herradura. Sal, limão. Papo, papo, papo... Uma garrafa de cachaça. 51 mesmo.

Ao longo das semanas de esbórnia, a variedade do bar estava ficando inversamente proporcional aos porres... Papo, papo, papo e.... lá foram à praia.

E como isso acontecia? Logo eram muitos... Dos 4 iniciais, o grupo já estava multiplicado até ilustres desconhecidos. Hotel. Mais garrafa de cachaça, mais outra... Inglês, português, embriaguez...

Gente se exercitando na praia, em todos os sentidos. Banho de mar. Conversas e pássaros cantando... Intermináveis segundos loucos. Mais gente, mais gente. Dá um dois, pega a nota, pega o fósforo, queima idéias, atordoa lembranças...

Piscou os olhos e o dia está lindo... O sol está nascendo. Uma maravilhosa praia. Da multidão para os quatro, para o quarto; só risos. Acende mais alguns cigarros e lá tinham ido dois maços numa só noite...

Abre os olhos. Quantos momentos passaram??? Em horas, ela não sabia... Trabalho, que trabalho??? Quem, quando...

Vamos agitar, agitar. To get up. Voltar às origens. À praia novamente. Será que ela se enganou; tinha mesmo ido no hotel??? Surrounding... Lá estava o inglês...

Tinham comido alguma coisa? Sabe lá... Bebe, bebe, bebe. “Não, não falo italiano”. Fuma mais. So funny. Muitos momentos e “vamos ver um filme?” – perguntou o amigo.

Piscou os olhos e já era noite. Nove horas. Dogville no desejo, na TV; real life outside... É hora de voltar para a casa. Todos até o ponto. Ela pensa: “que casa, para qual casa eu vou? Está, ok...”. Era melhor ir para o apartamento, tinha que pegar o carro de qualquer jeito...

Toca o celular dela. “E aí, qual a boa da night?”. “Não sei, na verdade, eu estava indo para casa”. “Você está onde?”. “Em Copacabana.”. “Está ‘afins’ de beber, tô saindo agora”. “Putis, eu ainda não consegui voltar pra casa...”. “Vamos então...”. Suspira e pergunta: “Onde?”. “Na Lapa, naquele bar de sempre”.

E lá estava ela esperando... Mais alguns copos de vida “confraternizada”...

20.7.05

Feliz Dia do Amigo!!!

[ Gripe, cansaço, aniversários, shows, trabalho... enfim... Desculpem o meu sumiço de novo... Este texto de hoje vai para homenagear os amigos, sem os quais não existimos. Aqueles, de todas as horas - as tristes e as boas, mesmo quando não encontramos os amigos há séculos... Quando precisamos, os verdadeiros amigos sempre estão por perto!!! ]


Recordatio: Duplo Soneto de Maricá



Natureza tão sábia
Tão sublime.
Pragmatista em nossas vidas.
Aquilo que, usual, brincamos de ver.

Trouxe o vinho nas divinas uvas.
Suco fermentado de maçã; sidra.
Como Natureza, não se deve encanar. Solte a mente.
Lá vem cana. De açúcar. Agüardente, gente!

Momentos que passam. Vão e vêm.
Moinhos de saudade, fez ventar,
faz cachaça, fez sabor, faz lembrar.

E da cevada? A cerveja esperada.
Do cacau, o chocolate, nada igual!
Trigal, o pão nosso de cada dia; trigo trivial...

Natureza tão sábia.
Tão sublime.
Chove quando é preciso nascer.
Providência divina para germinar o milagre da paz.

Trouxe o frescor. A maresia.
Água para todos, quem diria...
Sem arco-íris; Colorido de instantes.
Uivar da garoa; sua voz, Natureza.

Momentos que passam.Vão e vêm.
Não se remoer; só emoção.
O resto é “cafezinho”...

Memoriae. Palavras em metonímias e metáforas.
Quanto mais eu pense, só resta agradecer.
A vocês e à Natureza.

5.7.05

O fabuloso mundo das crianças...

Ele, seis anos, parado, no meio da sala. O padrasto desce as escadas.

- Filhinho, papi quer falar uma coisa. Senta aqui.
- Tá.
- Sempre que você acabar de brincar, você arruma o seu quarto, ok?
- Tá.


Almoço. Todos quietos. O pequeno se manifesta.

- Papi, Renato falou uma coisa no colégio que eu não sei se entendi...
- O que ele falou, filho?
- Ele falou “cu”... O que é isso?
- Hum... Bem.... É o que todos usamos para ir ao banheiro...
- Ah....eu pensei que fosse pescoço....mas pescoço a gente não usa para ir ao banheiro...
- De uma certa maneira, você está certo. “Cou” é pescoço, mas em francês... Você lembra das suas aulas?


A criança não responde e continua comendo, pensando. Todos vão ver tv e ele, quieto. Horas depois, o pequeno se manifesta:

- Papi, vamos brincar?
- Claro, filho.
- Você sou eu e eu sou você, tá?
- Ok. E aí?
- “Então, você já brincou, vai arrumar seu quarto”...


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Noite seguinte, festa na casa da avó paterna. Preparativos. Bolsas. Festa e farnel. Logo está a família toda reunida. Pai, padrasto, filho, mãe, avós, primos, madrinhas e padrinhos, amigos... A vó começa a brincar com o netinho e pergunta:

- Meu fofinho, você gostaria de ter um irmãozinho?
O pequeno grita, eufórico:
- Sim, quero, quero, quero!!!
Silêncio. A curiosidade da avó persiste:
- Mas você acha que vai ganhar um irmãozinho da sua mãe ou do seu pai?
- Ora, vovó... Da mamãe, claro! Meu pai não tem namorada...

Desconcertada, a avó continua:
- E você, cadê a namoradinha?
Ele faz cara de pensativo e permanece calado.
- Vovó já sabe, você vai namorar a filha da Tia Valeria, quando ela crescer, né?
- Ih, Vó... Claro que não! Quando o filho da titia crescer, eu já vou ser adolescente...


Papo sim, papo não. Muita comida. Volta para casa. Padrasto, mãe e filho no carro. No céu, um verdadeiro “espetáculo” da Natureza.

- Olha, Amor, que lua linda. Ela está amarela!
- É, está linda mesmo.

O filho faz cara de desdém e afirma:
- Nos meus tempos, a lua era branca.
- Como assim, filho? Você tem seis anos. Você não sabe o que está falando... – diz a mãe sorrindo.
- Claro que sei. Quando eu era pequeno, a lua era branca. Agora?! Não sei não...




[E que as luas de vocês sejam brancas, amarelas e de todas as cores...]

2.7.05

Morrer

Ter a sua sombra uma espada prestes a escorregar,
cravando como um punhal.
O peso dos sonhos e medos.
A ânsia do tempo.
A surpresa da infinidade de alguns segundos.
O inesperado temido.
Simples certeza - daí tanto pavor.

24.6.05

Carta a um pai

Querido papai,


Eu sei, Papaizinho. O senhor fez tantos planos... E me mandou aqui para imensidão do Rio de Janeiro. Para uma das melhores faculdades. Mas, não se preocupe, estou aprendendo bastante...

Ontem eu conheci uma moça na praia de Copacabana. Ela estava contando do árduo trabalho dela. Como fica na labuta todos os dias. Trabalha até altas horas. E ganha muito bem... Realmente os salários aqui são melhores...

Fiquei também tentando descobrir sobre os doces que nos dão nas festas. São todos muito gentis... A boca vai se desfazendo, uma sensação dormente, mas não se preocupe, Papaizinho, estou aprendendo bastante...

Eu sei, eu não fumava. Mas aqui você encontra cigarros das mais variadas marcas e outros, meio artesanais; muito interessante. Mas aprendi que não devo passar a língua muito úmida...

E tenho conhecido muitas pessoas. Aprendido línguas diferentes... Estava ontem perguntando como se descobre um Homem numa boate GLST. Cheia de siglas e gírias esta cidade, meu Papaizinho... E como saber que um cara, numa festa, querendo te beijar, é bi ou não??? Tantas dúvidas nesta cidade... Mas estou aprendendo...

É muita informação. Conheci muitas bebidas diferentes. Provei absinto cantando Moulin Rouge... Papaizinho, você conhece este filme: Moulin Rouge? Se você conhece, devo confessar que não vi borboletas, ou fadinhas, mas creio que eu vá descobrir, aqui no Rio, se existem ou não...

Papaizinho, aqui as pessoas sabem tanto... Elas assistem a filmes bem liberados. Dá para ver a vida em ângulos bem diferentes... Ah, meu curso? Tem me ajudado bastante. Outro dia, ameaçaram nos prender numa boate, mas eu citei algumas leis e eles nos liberaram sem problemas... Aqui também ocorrem “injustiças”, mas agora eu estou aprendendo o que é “lei” e o que é fora da “lei”.

É muita informação, Papaizinho, que não sei por onde começar...cada dia uma coisa nova... Preciso que o senhor me dê uma luz, ou será que devo dar à luz??? Porque acho que estou grávida, Papaizinho. Você sempre quis um netinho, não?

O pai é/será meu ex-namorado; um traste carioca, ligeiramente gigolô. Ele me trocou por uma mulher mais experiente do Rio. E mais rica... Sustenta ele e tudo... Talvez ela ajude a sustentar seu netinho... Não, eu não sei ainda, mas, aqui, já sei, existem fáceis exames de farmácia...

Porém, não se preocupe. Crianças são uma verdadeira bênção; tenho inclusive um “amigo” de 16 anos... “saímos” bastante juntos e ele me ensinou muita coisa. E ele é meu primeiro amigo gay; apesar de começar a achar que ele é bi...

Em todo caso, vou passar a ter menos despesas. Estou dividindo apartamento com uma amiga e ela me disse que, se eu estiver grávida, vai me ajudar a cuidar da criança... As amizades aqui no Rio são bem mais íntimas, dá para aprender muito sobre relacionamentos humanos...

Estou indo de um extremo a outro aqui nesta cidade maravilhosa... Não creio que fosse viver isso tudo no Mato Grosso... Papaizinho, você tinha razão ao dizer que eu iria aprender muito mais aqui... Não creio que eu consiga voltar a morar aí, meu mundo se abriu todo... Mas, não se preocupe, estou bem...

Ah, minha amiga de Copacabana me ofereceu um emprego e tudo... Acho que logo vou poder me sustentar sozinha aqui... Mas, não se preocupe... Estou morrendo de saudades e logo enviarei notícias.

Sua criança,



Pamela

18.6.05

Viagem no tempo

Com a mochila nas costas, simbolicamente, as lembranças pareciam mais pesadas... As horas passaram arrastadas, como se um processo estivesse se estabelecendo. Ver a vida com os olhos de ontem...

Num instante, as mesmas ruas, os mesmos medos e um torrencial aguaceiro de planos pra enlouquecer. Aqueles que você não chegou a realizar, mas foram tão amados, tão idealizados...

O cachorro late, abana o rabo, contente, como se um mundo de outras vivências não tivesse atravessado suas simples existências. Como se meses e meses morressem no instante do reencontro. Ali, aqueles olhinhos azuis brilhando, pedindo carinho, de barriga para cima, na simplicidade que os humanos parecem nunca alcançar.

Andando e lá está o cão. Atrás do personagem. Como sombra de passado e de afeto. Um banho e ele a esperar, como quem, inocente, ignorou anos e anos, algo que, agora, nada mais eram que olhares se cruzando. Ali. Parado. À porta. Humilde.

Fuma um cigarro, olhinhos azuis como companhia. Rodeando; talvez buscando o tempo perdido. E o cachorro espirra, pede comida, olha a corrente. Ah, os passeios...

E por onde vai, lá está o melhor amigo do homem, como o passado, que insiste em chamar, em brilhar por meio de maravilhosos momentos. Cada canto, uma recordação, quase viva. Independente.

Mas é só o ontem. O personagem abaixa os olhos e sofre, de leve, sem responder as perguntas de continuidade. Sem querer pensar. E que seja. Uma feliz viagem no tempo de você mesmo...

12.6.05

Apenas mais uma de amor...

[ Desculpem o meu sumiço, mas, além de viajar, estou tendo problemas de acesso à rede... Este texto vai em homenagem a todos os apaixonados. Homens, mulheres, senhores e senhoras, crianças... Aqueles que, num dia simbólico como hoje, não podem estar ao lado de quem amam, seja porque não está mais vivo, seja porque o amado/amada se encontra em outro estado, trabalhando em outro país, ou porque foi preterido em nome de um outro amor. Pior ainda, porque não ama assim, descontrolamente, nenhum ser. Ode ao amor, meus caros, mas todos os dias do ano!!! Pela vida, pelo próximo, pela Natureza...]



Horizonte


Sabe aquela foto que eu não coloquei no trabalho? Este amor que não posso ostentar aos quatros cantos. Este sentimento que preciso explodir, como etiqueta deste sorriso pueril; sorriso-pensamento em você.

Todos os dias eu acordo você. No despertar, vem o sorriso, o nome é repetido. Às vezes em voz alta. Às vezes num sussurro, tímido, no desespero de ter e não ter. Todo o tempo.

O café da manhã que você adoraria. Sei que você iria gostar deste livro que estou lendo. E lá está você, ‘discutindo’ o livro comigo. Sei que iria amar esta música, aumento o volume.

O restaurante que você pediria massa. Muito parmesão. Cinema? O filme cujo ator você conhece. E o diretor, o nome do filme em português, inglês, quiçá em italiano. Exagero? Este sou eu...

Uma livraria, um sebo. Milhares de nós. Novos, usados, cheios de histórias, de autores, de vidas, memórias e sonhos. Tantos sonhos, jogados em prateleiras. Jogados em letras. Vidas sorrateiras...

É você numa paisagem linda. O lago, azul, brilhando. Como seus olhos. Um pôr-do-sol para ver enrolado, misturado aos seus braços. A foto que o seu olhar poderia ter visto. Saudade que nenhuma palavra mensura.

Farras gastronômicas. Foundue de queijo. E chocolate. O vinho que te deixaria mais sorridente, livre, falando alto... vejo o sorriso na minha direção num beijo que você roubaria, sem nenhum esforço...

Outro filme. Outras frases que você diria. Você. Você. No texto da vida, somos nós. Nossos nomes. Nosso desejo. Nossas projeções. E sou eu. Sonhando acordado.

4.6.05

Monstro de Olhos Verdes...

Dom Casmurro moderno


Ela estava para todo lado tentando descobrir irregularidades naquele hospital público. O jornal queria a matéria para o dia seguinte, o “furo” do final de semana. Uma verdadeira multidão agonizava, esperando atendimento. Onde ia, havia pessoas querendo fazer denúncias.

Estava entrevistando um paciente que havia esperado 4 horas para ser atendido, quando um médico se aproximou, bastante assustado, dizendo que precisava falar com ela. Entregou um papelzinho, pequenino, com o nome dele, disse que queria fazer umas denúncias em off e saiu apressado.

No meio da entrevista, sem saber o que fazer, ela colocou o papelzinho no soutien e continuou sua “corrida” por descobertas no hospital. Depois foi logo para redação; sempre correndo, escreveu a matéria e teve de sair apressada para encontrar o namorado, que estaria indo visitar a família em outra região do Brasil.

A semana tinha sido uma confusão, os dois nem tinham se visto. Ele a encontrou no motel e, quando ela abriu a porta, ele já veio, cheio de saudades. O clima começou a esquentar. A saudade apertava. Ele começou a tirar a camisa dela e voou o papelzinho.

O bilhete caiu na cama, assim, virado para cima. Rodrigo. Número tal. O namorado ficou louco. Começou a se alterar, ficar vermelho. Ela tentava explicar, inutilmente, que era um médico querendo fazer uma declaração sobre irregularidades num hospital, no qual havia feito uma matéria. Tinha estado “enrolada”, sem bolsa, com gravador, papel, caneta, sem bolso... Guardou ali e esqueceu...

Ele foi ficando mais nervoso. Ela perguntava se ele estava desconfiando dela. Ele dizia que não, mas que ela não tinha malícia. É claro que o médico estava dando em cima dela. Aproveitando-se da situação...

Ele ficava cada vez mais nervoso. Ela resolveu sair e ir para o banheiro, para ver se ele se acalmava. Ele começou a esmurrar a porta e gritar “saia daí agora... quero ouvir você falar com este aproveitador”.

Sem saber o que fazer, também nervosa, ela saiu. Tentou argumentar que era muito tarde, duas da matina. Ele insistiu. Sem saber o que fazer, ela pegou o telefone e ligou para o tal Doutor Rodrigo.

“Oi, que bom que você ligou”. O namorado ficou quase pendurado no ouvido dela para ouvir o que o ‘aproveitador’ estava falando... A jornalista, sem saber muito o que dizer, enrolou o médico, para ele continuar falando.

“Desculpe ter entregue tão rápido o papel para você no hospital, mas não queria que ninguém visse. Fico feliz que você tenha ligado, existem várias coisas absurdas acontecendo lá e preciso contar”...

Como um balão perdendo o gás, o namorado, então, caiu, sentado na cama. Cara de criança que foi flagrada roubando um doce..