18.7.11

Caminhos....


Caminho: o meu Santiago...
Eu aqui, você aí
Já foi lá e acolá
Uma distância
Ainda maior que o mundo
Esse espanhol, esse francês
Esse inglês, essa babel
Onde eu tentei
Voar, sonhar, até criar raízes
Foi uma díspar rota
Do elo de amor
Virou exílio em terras austra(l)is
Esse eu não voltou
Meu amor não se foi
Paralelos, esses nossos caminhos...

*Foto em Cuba/2009

5.7.11

Alguém passado...


Um corpo deitado. Com todas as curvas. Todos os desejos. O sono é como o paraíso , onde os sonhos não morrem jamais e cada voz não se levanta para promover a discórdia de uma relação amorosa. A estática de um momento. Singular. Único. O silêncio que não agride. Ao contrário, ilude. Traz, de volta, a ilusão da alegria, da felicidade, um existir junto que parece ter esvaecido no tempo.

Deve ser o que pensa cada ser humano mediante o fracasso de um amor. Mediante o fim de uma paixão louca e sem razão, como todas as paixões parecem ser... Aquela perda de sentidos, aquela turbulência de sentimentos, quase como uma anestesia para os problemas, mas como um elixir para a vida eterna. A ilusão do amor que só se atinge num momento que nunca mais voltar.

Antônio sabia que podia ficar horas ali observando aquela mulher que tanto lhe dera amor, carinho, quase sugando sua alma, tão desacostumada à entrega. Num pensamento bem machista, ponderou que toda mulher devia vir com manual de instruções, para que todas as expectativas pudessem ser atendidas, para que os silêncios não pesassem, para se saber a hora certa de falar, ou rir, qual comentário não fazer e onde a imaginação feminina poderia ir depois de comentários de quatro palavras...

Ele tinha meio que um ritual estranho. Gostava de observar as pessoas dormindo, trabalhando, enquanto fumava quieto. Era como se, por segundos, pudesse captar a essência básica de uma pessoa. Um certo feeling que lhe guiava - muitas vezes erradamente - para caminhos loucos, pensamentos desbravadores, ideias inovadoras, ou mesmo uma compaixão pelo próximo, todas as dores que não sabemos, não sentimos, ou simplesmente vivemos…

27.6.11

Saudade desse mar


Volta e meia, essa saudade
Parece loucura, e é
De prazer, descontrole
De gozo, desmaio hipoglicêmico
Perdidos, sempre estamos
Não sabemos caminhos
Dividimos e distanciamos destinos
Mas nossas vozes ecoam recíprocas
Não é paixão
Não é amor
Não é só sexo
Não é só diferença
É apenas o flagrante da entrega
Doação instantânea que cobra
A fatura do prazer
A feitura do viver
E a nao-promessa sem esquecer...

19.6.11

À irmandade...


Um menino
Sério como eu
Nas horas vagas
Poço de sinceridade

Carrega, em cada palavra
A simplicidade
A bondade
Só aconchego


Um menino
Completa frases
Invade verdades
Sem sobrar

Inspira sorrisos
Arranca gargalhadas
E me faz temente à amizade
No alto teor etílico-sexual

Um menino
Oferece a força-abraço
Fecha os olhos, sofre junto
Este grande homem

Fácil imaginar
Tardes telefonemas
Noites de risadas
E papos sem fim

Da divulgação científica
À crueza humana
Conversamos sem palavras

Lembro noites mal dormidas
Felizes, loucas e vividas
Dessas, de amigos eternos

Um homem
Oferta de pai
Ao filho não nascido

Aquele que dividiu momentos
Choros; mútuo conhecimento
E risadas sem começo nem término

Um bom amigo
Desses para agradecer
E não esquecer

Não vamos chorar
Ainda há muitos versos
Por escrever e viver

15.6.11

0 x 0


Olha para mim
com esse ritmo
de filme, show
de vida, pornô

Eu penso demais
você diz
mas sorrio
encanto mais

Olha para mim, amor
com essa loucura
mistura de cor e sabor

Eu penso demais
você arrisca, entrega
corre atrás

Eu não olho
não posso
fico porque não
reflito

Que não amo
não flutuo
não aprendo
apenas gozo

Olho para ternura
com esse desespero
de querer a loucura

Você sou eu
em outro alguém
deixado para trás

9.6.11

Aquarela hoje


Sete patinhos no lago, um casal atrás (patos também? ), céu brilhando, sol a pino. Desses dias que não se acabam mais de beleza.

Reflexo de luz brilhando na água, tapete de sonhos atirados da alma a esmo.

Lá longe, a ponte de ilusões, entre a infância e o ser adulto; os peixes coloridos, as pipocas misturadas e os pássaros para completar o quadro.

Quadrados, doces, flechas e sorrisos em nuvens amontoadas no contraste com azul de possibilidades no céu.

Tem também o vento desenhando ondas na água e fazendo canções com as árvores bailantes.

Casais de namorados, namoradas, vivendo essas epifanias românticas no paraíso da Natureza.

Um grupo de adolescentes gritando ( redundância talvez?) em poses e fotos de espetacular cenário.

Ah, um piquenique. Com violão e bicicletas. Garrafas; refrigerantes e cervejas. Escadinha de família... Voei até Black Point, passei pelo sítio do vovô e voltei....

Acho que sou esse pássaro, que vai e volta, dá uns rasantes, visita as árvores, busca o céu e volta extasiado... mas ainda não o vi parar....

A Natureza, inerte, esperando, até o sol partir e dar espaço à beleza da noite, das estrelas....

Claro, esse texto não tem fim...

31.5.11

Nos 300 da 700...

Curiosos, esses
espaços vazios
sem móveis
restam memórias

Entre o hoje
e o ontem
a identidade do lar
vai se perdendo

No apartamento
novo olhar de BSB
um recomeço

Na residência
esplêndidas lembranças
um regozijo

E a visita de Gabis
com os mil perdões
amor que não vingou

A chapada do casal amigo
parada do sete de setembro
entre peças e sorrisos

Vestida de bicho-Brasília
com feliz irmã
pseudo-estilista
aguaceiro do novo

Um "estranho", nu
deitado no sofá
com controle remoto
dia de terceiras intenções

O abrigo para visto
a conversa pós-nite
albergue de oportunidades

Nessa cama, nesse sofá
braços e pernas
até demais

E as varandas
do strip-tease voyeur
à gargalhada vizinha
até dormir de conchinha...

Apartamento de terceiras intenções
virou quarteto, soneto
música sexual
até samba, carnaval...

Na janela da alma
sobram fotografias
dias de sol, nublados
felizes ou sonolentos

A lua como testemunha
sempre linda
até nesse eclipse
raro; de renascer

Coisas estranhas
lata de lixo na porta
reclamações do vizinho

Teve de tudo
agora, parede vazias
recheadas de quieto passado




Feliz...

30.5.11

Vício...



Largo o copo
deixo o cigarro
não o vício de você
em cada beijo descarado

São diálogos intermináveis
o que não digo
o que sufoco
em atitudes pouco palpáveis

Largo o juízo
deixo a brisa de sonhos
nesse você, vício

São olhares sem fim
palavra morre tímida
na ilusão disfarçada

Oh, senhor
não tenho forças
não sei convencer
e nem sei o que querer

Oh, estupor
de não saber
a coisa certa
o que fazer

Gastasse eu
metade do martírio
de omitir, em palavras
à alma, talvez, desse alívio

Fadado à poesia
certo, você talvez esteja
pois não se esgota a magia
nem diante de outras rotas

Já quase sou
eu e você
de tantos papos
sonhados e esquecidos

Profana minha memória
nesse não vivido
inconsciente, pulsante
ardente, como verdadeira história

E real, você me olha
sério; eu ignoro você
séria; e me vou...
fingindo correr

Não sei convencer
não sei o que querer
oh, senhor
tampouco esquecer você...

9.5.11

Quebra-cabeça ao contrário no vício de prazer...



Corpo ao meu lado
essa pela branca
esse suor, pelos roçando

É o seu cheiro
tão vivo
dentro, fora de mim

Quando somos um
vejo o brilho dos seus olhos
verdes, esperança de amor

Gosto de enrolar seus pelos
enquanto me fundo ao seu corpo
tomada por cheiros, gostos

Fala baixinho, essa voz
tão doce, envolvente
aí, eu vou, volto

Essa gota de suor
delícia, deslizando por seus braços
no compasso do prazer

É um contorno
de vida, memória
sombra mágica, rotatória

Agora eu o tenho
e o amo tão assim
tão junto, intermitente

Quando ficam lençóis virados
as marcas do seu corpo
tudo é só prazer

Amor, amor, amor
não é escolha
são elos de sentimento

Paixão é essa loucura
de ter, rir, falar, gozar
no contínuo, no "além-agora"

O ultrapassar do prazer
o jogo de memória "colorido"
em um ciclo, sem realidade

Agora, sozinha
seu corpo é o grilhão do ainda
sinto seu cheiro no ar

Mas é como chuva
vem refrescando a alma
é bom, logo passa

Amor, a gente não escolhe
paixão, a gente vive, sofre
no quebra-cabeça ao contrário

Suspiros, suspiros, suspiros
e aí de novo esse corpo
esses olhos, vício de prazer...

3.1.11

O adeus é que é para sempre...


Os minutos de ansiedade passaram rápido enquanto esperava. Alguém que sempre a fez esperar sem nunca deixar de estar ao lado. Ele chegou com aquele sorriso brilhante, aqueles magnéticos olhos verdes, sua "kriptonita", como já tinha sido apelidado. Mais velho, mais charmoso, cabelos grisalhos crescendo a esmo.

Quantos anos de ausência física dessa vez, dois, três anos? "Não, não faz tanto tempo assim, faz?", indagou ele. Frente a frente, não parecia mesmo. Com eles dois, o tempo era sempre congelado.

Copos e mais copos sem segundas intenções. Os outros quase casamentos. Quase certezas que não vingam e os salvam... A intuição que os une, que os prende.

Como a eterna maré, os pés dele a procuram por debaixo da mesa. O toque de pele é íntimo como se nunca estivessem separados. Ele se aproxima, encosta o rosto e a barba por fazer que ela adora.... Ela diz, antes de se inclinar para beijá-lo: "você está querendo me roubar um beijo, não precisa..."

Depois, ela o afasta, felina e fugidia. Volta aos copos, aos papos, a velhas histórias que os rodeiam, repetidas, misturadas, cheias de coincidências, encontros e desencontros. Voltou a ser aquela velha criança feliz e ele a reconhece, satisfeito, como uma antiga alma pueril.

Sorri, divertida, contando as travessuras da vida adulta. Mais perigosas, mais sedutoras, mais loucas. Fala de suas viagens, entre as muitas que jamais fizeram juntos.

Copos e mais copos cheios de olhares e respirações. Permeados de planos e brincadeiras. Ele ainda quer ser o "escravo sexual"; em outro estado, melhor ainda....Eles gargalham, juntos, imaginando as manchetes de suas experiências, as vividas e as que sonham naquele instante.

Logo vão para a estreia deste carro, para aquela velha praia, aquela velha memória renovada, no selo de vínculos indestrutíveis pelo tempo. De novo, dois adolescentes, porque ainda vibram, ainda sentem, ainda voltam no tempo deles, para eles mesmos. Praia, carro, festa; como crianças, mostram as novas cicatrizes...

Depois, casa. Parados à frente do prédio dela, ainda conversam. Ele desliga o carro, as palavras não se esgotam. De repente, horas depois, dizem, quase ao mesmo tempo, em olhares que se encaram: "então tá". Ele se reclina, encosta a cabeça no corpo dela, enquanto a abraça. Assim ficam, calados, vários minutos.

Aí ela se afasta, olha no fundo dos lindos olhos verdes, diz "tchau", abre e fecha a porta do carro. Sai andando para a porta sem olhar para trás... Alguém disse uma vez que o "adeus" é que é para sempre....

3.12.10

Todas as cenas que eu queria viver...todas as palavras que não são ditas....

Vocé é como uma cena de um flme. E eu ensaio todos os diálogos... Eu me sinto parada no tempo, na similaridade com o passado; porém, congelada.

Não sou a menina irresponsável e não carrego a inconsequência dos vinte e poucos anos. Em raras exceções, hoje, peso o depois de algumas atitutes e fico com minha característica espontaneidade entalada na garganta... Você é minha exceção de controle. De não "que se dane"... E, confesso, isso não tem terminado bem...

Quero ser indiferente como você. Inconstante, já sou.... Quero não me importar. Quero não virar o rosto ao ouvir sua voz ou seguir o contorno de seu corpo, à espreita... Quero não prestar atenção a qualquer resquício de sua existência. Não ficar feliz ao ouvir o som da sua risada, nem me abalar com minha transparência, não literalmente e literalmente, mediante sua presença dúbia.

Como uma sombra que não acompanha. Como um eco diferente, sem sentido. Naquela eterna ausência infinita...

Não que eu não queira, só não posso estar assim perto de você dessa forma... o não dito, eu bem sei,queima....

19.10.10

O País que eu vivo

Se eu parar para pensar, eu ainda me lembro de minhas primeiras viagens internacionais (cheia de dívidas para tal...), quando eu me apresentava como brasileira: carnaval, Amazônia, Xuxa, futebol, entre outros assuntos da mesma linha, eram os principais motes. Hoje, ouço, com orgulho, meus amigos estrangeiros pedirem dicas sobre o Brasil, porque querem investir aqui. O Brasil foi o último país a entrar na crise financeira internacional e o primeiro a sair; mais importante ainda, sem arrochar a população com diminuição de salários, congelamento de preços e outras tradicionais medidas do antigo país. Do país do futuro que dizíamos ser, será que chegamos ao bom futuro? Eu não me engano, há muito o que fazer.

Mas digo, feliz, que, no País em que eu vivo, nos últimos oito anos, o orçamento do MEC duplicou, permitindo, até mesmo, um Plano Nacional de Educação. Educação que, aliás, é considerada a linha prioritária do Governo para sobrepujar as questões de desigualdade (o que vai muito além de assistencialismo). Os dados da presidência da República indicam a construção de 214 escolas técnicas profissionalizantes (mais do que nos 100 anos anteriores). E, até o final de 2010, 380 institutos de educação profissional em funcionamento no meu País.

Dados corroborados por pesquisa realizada no Centro de Políticas Sociais da FGV, que mostra, de 2004 a 2007, um salto de cerca de 75% no estoque de pessoas que já fizeram cursos de educação profissional em qualquer nível. Além disso, essa pesquisa indica o curso técnico como um ganho salarial de 14%, comparado aos outros que possuem apenas o Ensino Médio.

Criado em 2003, o programa Brasil Alfabetizado já beneficiou mais de onze milhões de jovens e adultos em todo o País, até 2008, em ações desenvolvidas em parceria com os Municípios com maior taxa de analfabetismo, para universalizar a alfabetização de brasileiros com mais de quinze anos.

Mas é óbvio que isso não é suficiente. Então, deixa eu citar os dados de pesquisa do Ipea, segundo a qual, de 2004 a 2009, a proporção de pobres brasileiros caiu de 39,4% para 23,9%, e a proporção de miseráveis foi reduzida à metade, de 17,5% para 8,4%, de acordo com as linhas de pobreza e indigência utilizadas pela pesquisa.

Outro excelente tema para mostrar é a criação de empregos. Nos últimos anos, foram mais de 14 milhões de novos empregos COM CARTEIRA ASSINADA. Isso mesmo, 14 milhões. Sem partidarismos, apenas para registro da (bem-vinda) evolução, no Governo anterior, com dados do MTE, tinham sido 780 mil empregos.

E o pré-sal gente? Que orgulho da Petrobras! E, bem recentemente, com a capitalização da Petro, esta passou a ser a quarta maior empresa do mundo, de acordo com os dados do ranking FT Global 500, do Jornal Financial Times. Sem contar que o Governo aumentou a participação na estatal para mais ou menos 48%, nas estimativas posteriores à oferta de ações da Petrobras.

Tudo bem. Eu acredito que haja muitas pessoas descrentes em dados, em pesquisas, então, eu me pergunto se elas não olham ao redor... Eu adoro viajar. Então, de início de conversa, já posso atestar a facilidade de viajar atualmente com um câmbio favorável à fortalecida moeda brasileira.

E não só viagens, é possível ver brasileiros com maior poder aquisitivo! Nunca se gastou tanto com bens de consumo durável, como televisões e computadores, além da própria queda dos preços. Outro dia, em uma mudança de um amigo, achamos uma revista de uns dez anos atrás com um anúncio de uma televisão dessas, na moda atualmente, de muitas polegadas, pelo preço de uns 50 mil reais, acreditem....

Eu gosto de viajar, gosto de ouvir histórias, gosto de ouvir as pessoas. E tive o prazer de escutar pessoas pelo Brasil que puderam estudar graças ao Pro-Uni, que puderam reformar a casa, até mesmo mandar o filho para um curso de idiomas no exterior nos últimos anos. Pessoas que, antigamente, batalhavam para ter o que comer. Tem matérias sobre isso em vários jornais, personagens reais, divulgadas até mesmo no exterior.

Outra questão de crucial importância, finalmente, é o meio ambiente. Com muito atraso, o mundo está começando a se dar conta de que vive na Natureza e precisa preservá-la; mais do que isso, o mundo precisa respeitá-la, porque a Terra não existe de forma isolada, com as fronteiras que nos impomos, por meio de países...

Com suas belezas naturais, o Brasil tem que dar o exemplo. Por isso, fico extasiada ao ouvir que, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente, as previsões indicam que o desmatamento na Amazônia, no último período – 2009/2010 –, será o menor desde 1977, superando o resultado recorde de 2008/2009. Sem contar o envolvimento do País com a economia verde, o desenvolvimento sustentável etc.

É pouco. Tudo isso é muito pouco. Porque esse País, cheio de pessoas, conhecidas internacionalmente por sua bondade e excelente humor, tem força de trabalho, massa crítica, em uma Natureza invejável mundialmente. Litorais gigantescos. Sabe Deus que potencial de biodiversidade ainda escondido na Amazônia...

O meu Brasil tem um monte de pesquisadores maravilhosos, que estão sempre fazendo descobertas importantes para a Ciência, Tecnologia e Saúde, graças ao investimento feito na área, à criação de redes de estudo, baseadas no pensamento de trabalho em parceria, conhecimento compartilhado... Um bom exemplo é o trabalho na área de doenças negligenciadas, que, como o próprio nome diz, recebem investimento reduzido na maior parte dos países desenvolvidos ou por parte da indústria porque acometem populações pobres e marginalizadas.

Com a aprovação da Lei de Inovação e incentivos fiscais para as empresas interessadas em aplicar em pesquisa e desenvolvimento, o investimento público e privado aumentou de forma expressiva. Sem contar que esses investimentos não foram polarizados no já renomado eixo de pesquisa sul-sudeste; houve programas específicos regionais para diminuir as desigualdades. Característica, aliás, que não foi privilégio da área tecnológica e científica nos últimos anos.

Meu sonho é que, cada vez mais, a sociedade se manifeste, para que se possa promover o diálogo civil e social e discutir questões cruciais como aborto fora do âmbito eleitoral e dentro de uma perspectiva participativa, com as informações necessárias para qualquer discussão – no caso, a óbvia questão de Saúde pública, aliada a questões ético-religiosas e sociais – e devido apoio governamental.

Eu poderia escrever por horas sobre as coisas já feitas, sobre o muito que já se conquistou. Entretanto, também posso escrever sobre tantas coisas que ainda precisamos incrementar, ou fazer. Por isso, mais do que qualquer questão partidária, o que me preocupa é a continuidade. Acredito na velha máxima de que não se mexe em time que está ganhando...

E, ao dizer isso, digo a preocupação com políticas sociais, de reajuste real elevado do salário mínimo,de ampliação de infraestrutura - está aí o PAC -, de diminuição da dependência internacional, para fortalecer um País, sem dúvida, “abençoado por Deus e bonito por Natureza”, que já teve muitos avanços e merece a oportunidade de seguir esse caminho. Raul dizia que sonho que se sonha junto é realidade e é óbvio que esse sonho de um Brasil cada vez melhor precisa da participação e mobilização do povo, caso contrário, é um sonho vazio em sua essência.

22.9.10

Sempre Saramago....

...É deste modo que o destino costuma comportar-se connosco, já está mesmo atrás de nós, já estendeu a mão para tocar-nos no ombro, e nós ainda vamos a murmurar, Acabou-se, não há mais que ver, é tudo igual...

...Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar...

...Se não sais de ti, não chegas a saber quem és...

José Saramago

29.8.10

Alors...

Mudei de ideia e quero falar sobre a esperança de ver o novo no mesmo lugar. Sobre a possibilidade de mudar uma história e guardar uma lembrança mais amena. Sobre todos os outros lados que existem, mas, por vezes, não vemos, viciados no mesmo bom ou no mesmo ruim.

Eu quero falar sobre o sol sumindo no céu, sob uma luz em diferentes tons, fazendo sobressair frondosa árvore, logo ali, em frente à varanda de um novo lar.

Quero rir das histórias de um passado recente e ficar feliz, ao ouvir que parece que o personagem nunca se foi, sempre esteve por ali. Cheio de memórias e gargalhadas.

Quero fazer planos e encarar os novos desafios com aquela ansiedade que move alguns personagens como eu.

Quero continuar bailando na minha indecisão, tendo a felicidade como companheira em minha distração.

Eu quero usar a energia em projetos produtivos; aprender, aprender, aprender. A necessidade volta em carga total.

A saudade fica debaixo do braço, como parte do corpo. Aí, o personagem puxa da memória o céu, lindo, como sempre. A música na praça. As mãozinhas de bebê e a inocência. A cerveja gelada no pé sujo, impregnada de amistosos papos inesquecíveis. E todas as metáforas de felicidade congeladas no passado, no futuro por vir e no presente a ser redescoberto.

Alors...

20.8.10

Canção do desperdício

"Rosa de amor em filigrana de ouro
na poeira das gavetas onde sopra
tua voz talvez, quando me chamas.

Rosa de uma raiz que não ousamos,
mais real que as aparências deste mundo
onde sofremos viver separados.

Não vale o peso do metal, nem a feitura:
vale a sensualidade destas almas loucas,
vale a vida que passou, soberba,
e não nos lança um olhar sequer".

Lya Luft

5.8.10

De novo, o amor....

"Como o amor muda? A resposta é como nós mudamos por amor. Continuamente. Interminavelmente".

Do filme The Dive From Clausen's Pier, não tão bom assim, mas com reflexões interessantes.....

2.8.10

O Leitor

Vocês já viram esse filme? Acho o filme um espetáculo e, francamente, gostaria de ver novamente após visitar a Alemanha. Acho engraçado que tenho amigos que sempre lembram os nomes dos atores, dos diretores, sabem a nacionalidade e outros filmes que eles fizeram. Eu, se gosto, conheço o diretor. Mas eu sempre lembro de cenas, inteiras ou pedaços, que ficam perdidas na memória, guardadas sabe lá por que nó do cérebro.

Eu lembro particularmente de uma cena desse filme. O personagem principal, vivido brilhantemente pelo famoso ator Ralph Fiennes, conversa com uma outra personagem que comenta algo do tipo: "Será que essa mulher sabe o que fez com a sua vida?". Se vocês pararem para pensar, vão encontrar pessoas assim nas suas vidas. Que mudaram seu destino, sua rota. Que fizeram vocês descobrirem novos ideais. Ou perderem os que tinham. E que mudaram, para sempre, partes de vocês. Memórias marcadas por sorrisos e lágrimas. Pessoas assim são tatuagens vivas. Sempre capazes de marcar, machucando ou embelezando, até mesmo na ausência...

1.8.10

No aniversário, uma paródia....

Por Você
Eu dancei escondida em Sampa
Eu limpei
Os trilhos desconexos da memória
Eu fui de carro
Do Rio a Paraty
Eu aceitei
A vida como ela é
Viajei a prazo
Pro inferno
Eu tomei banho gelado
Longe de você
Por Você!
Eu deixei de beber
Ou bebi caipirinha
Por Você!
Eu viajei para o outro lado do mundo
Eu trabalhei na cidade sem alma
Prá virar burguês...
Eu mudei
Até o meu nome
Eu vivi
Em greve de amor
Desejando sempre todos os dias
A mesma pessoa....

Quando o passado bate à porta, cheio de fotografias, poemas e cartas, é fácil entender como alguém muda completamente a vida de outro alguém. Ao mesmo tempo que dá forças para continuar e realizar muitos sonhos, também faz sonhar com coisas antes impensadas, e que nunca mais fazem sentido sem o outro alguém. O que é pior? Perder o que nunca se teve mas que, portanto, não se sabe, ou perder aquilo que só se rascunhou como uma perfeita imperfeição? É possível entender e, ao mesmo tempo, não perdoar a ausência de alguém, até mesmo em uma amizade.É difícil encarar o passado você, a perda de um lado sério em outro alguém, um lado responsável, um lado respeitoso, um lado desperto para o amor. Está aí a confusão.

"Não penso em tudo que já fiz
E não esqueço de quem um dia amei
Desprezo os dias cinzentos
Eu aproveito pra sonhar enquanto é tempo"...

5.5.10

A character in Wonderland

Às vezes, a gente se esquece. De quê? Pode ser um esquecimento simples: a chave do carro, a senha do banco, o pagamento da fatura. Agravantes, porém, para qualquer um desses quadros, são os notórios blecautes da alma. O apagar de recordações, a extinção de momentos, a perda de subjetividade.

É a tristeza de não saber mais o porquê de uma cidade ser o porto de alegrias, de não valorizar o refúgio de amigos; ainda pior, de não se reconhecer em nenhuma nuance, nenhuma memória, nenhum resquício de "eu". Não por ódio, não por revolta, não por dor. Apenas uma ausência de vida, um apagar de luzes de (in)consciência.

Como uma "anestesia amnésica", uma perda gradual de identidade, no turbilhão de mudanças, amores e vampiros sociais. É como esquecer de lembrar. De ser, somente ser. De viver, sendo. Sendo somente assim a vida: esse esquecimento, no coletivo, é o cotidiano.

A pílula mágica para o sonho é a natureza. Até mesmo o que há dentro de nós, que nos move para apreciação de cada segundo. Daqueles mais simples, nos quais seu amigo te puxa e dá um abraço. Sua amiga estende o copo, brindando sua existência. Aquele companheiro de colégio virou o pai ou a mãe de uma criança, linda, inocente, sem dente, sem malícia, a sorrir aos seus pés.

É o feitiço da vida que nos arrasta para a magia do agora. Esse mesmo, sim, onde você fala besteira e ri, sem motivos, sem parar. Onde se flagra, dançando, ao som jamais ouvido, de uma cultura tão desconhecida, lembrada no instante único, até então, não existente. Aí, nesse instante tão momentâneo, tão fugaz, tão banal, tão simples, tão simbólico para a memória, está o elo para nossas personalidades, nossas existências, está o resgate da memória anulada na guerra do cotidano. Como um dos meus personagens pensou, aí estão as velhas esquinas, cheias de histórias e pessoas, com os bons e alimentadores resquícios de humanidade. Uma delícia.

Com o que sonha a simplicidade desse personagem? Com o nascer do sol ao lado de amigos. Estar cercado de animais conhecidos. Beber cerveja gelada ouvindo chorinho, de madrugada, sem susto, sem juízo. Cantar parabéns, comer bolo, estourar bola e catar quinquilharias, como crianças, as mais sábias, inocentes e felizes. Fofocar com amigas, em histórias de anos e anos, sendo reescritas em mais um agora. Receber telefonemas, horas cheias de risos e lembranças, planos e esperança, sonhos e até auto-perdões.

Estrangeiro nele, esse personagem, que ainda assim é mais do que local no Porto Seguro desse agora reencontrado, tão único. Abre os armários, deixa ventilar a alma, joga fora o velho e abre espaço à vida. Sem nunca deixar de guardar o que é único, mesmo esquecido no canto da memória-coração-praga do cotidiano.

O personagem canta para o Rio, que é puro êxtase, uma linda "droga" de euforia, de torpor, de loucura, amor e eternidade. Nessa cidade maravilhosa, nunca é tarde e ele é a criança feliz, a Alice que sonha seis coisas impossíveis antes do café....

Passado...

A verdade é que as letras nos procuram... Só dá você no meu coração, tanto que as palavras fogem para dentro de mim...

E realidade cada vez mais parece gritante ao meu redor, chamando para você... Sua ausência é uma provação dos meus sentimentos.

Sinto sua falta. Sua companhia. Seu gosto. Ardem como uma tatuagem recente...