19.2.10

Tem coisas na vida que não me canso de dizer...

E nem quero deixar de dizer eu te amo. Nem quando o amor não for correspondido. Nem quando houver sofrimento e discórdia. Nem quero deixar de amar, é tão triste descobrir, por exemplo, que um amigo não é tão amigo assim.

Então não me canso de dizer eu te amo, não me canso de abraçar ao mundo - e vez em quando, quem eu não devia... E não me canso de cantar ao meu Porto Seguro, essa cidade maravilhosa, que me encanta, que me salva e que me acolhe em todas as minhas nuances.

Da foliã transloucada à "menina" em busca dos amigos, queridos e saudosos. Quando me vejo triste, assustada, apaixonada, ou qualquer outro sentimento diferente do natural feliz, eu sou só uma menina. E, no Rio, estou em paz com a maravilha que a vida me traz...

Em tantas canções de amor ao Rio, porque, em fevereiro, tem carnaval, numa cidade ainda mais abençoada que o país. "ALucynate", certa vez, disse que o Rio era encantador com a mistura de montanhas, praias, em um mix urbano, louco, frenético, multicultural. C disse, também, que o "Rio is a hard act to follow". L agradeceu por não ter nascido no Rio, já que todos os amigos cariocas não se viam longe do Rio (nem eu, na verdade, mas é sempre a doce espera do retorno feliz...).

Mas é isso aí... é possível lembrar outros tantos comentários, melhores descritos na imagem de um sol, lindo, brilhante, paralelo a uma nuvem, como uma flechada da Natureza, entre o Morro Dois Irmãos, em um democrático Baixo BB, no Leblon, logo ali perto da "comunidade". Nem que eu explique, mais e mais, essa conjunção de palavras e da Natureza vai ser traduzida naquela bela imagem; seguida de "ufa, estou no Rio de Janeiro".

O mar, vários dias, era uma piscina. Brilhando. Um oásis para sensação térmica de 50º. E, querido A, não adianta, pode fazer um calor de 80º, ainda é o Rio onde acontecem coisas únicas. Multidões sedentas - literalmente - ajudando ao atarefado ambulante, para poder beber mais rápido. Ou então, guerra para comprar sacolé de caipirinha... E, no meio, a gente tendo visões de que os carros da polícia eram vendedores da cerveja azulzinha...

No Rio, tem bloco de protesto contra a "institucionalização" dos blocos. Contra essa repressão velada da espontaneidade. Aliás, Rio sem mijo é melhor, mas não custa aliviar os foliões bebuns ou fornecer banheiros em mais número. Afinal, se é para passar a noite na fila do banheiro, muita gente - não fossem os cariocas o assunto... - nem sairia de casa.

Fantasias de todo o tipo. Protesto. Galinhagem. Filmes, livros. Atores. Artistas (eu bem queria ter tido a ideia de sair de Frida, ai, ai; ano que vem, nada original, talvez me anime mesmo assim). De táxi ocupado (?) ou livre (?), a cargo da imaginação carnavalesca de vocês...

O Rio é a galera cantando no ônibus. Gente oferecendo água no engarrafamento. É o biscoito Globo da praia. Gente se prontificando a pintar o rosto de desconhecidos. É o ambulante, parando de trabalhar, para ajudar uma menininha perdida...

Não, não existem palavras. Terça de carnaval. Pouco antes das cinco ( da matina!), é possível encontrar amigos, em festa, como se não houvesse amanhã - esse é o segredo, não? - em plena Lapa. Uma Lapa, borbulhando, em ritmo de celebração. Mesma Lapa onde, no meio da multidão, encontrei um amigo inglês da Amazônia e um ex-namorado...

De novo, Praça XV, telefone sem bateria, onde estão meus amigos? Esbarro neles, os mesmos que estava procurando. E digo esbarrar literalmente, de virar para pedir desculpas...esse é o Rio. É o lugar do encontro. A mim mesma, inclusive; e quem conhece essa criatura aqui sabe que isso é uma confusão de personagens, felizes, mas loucos...

4.2.10

Queixa

Caetano Veloso
Composição: N.Siqueira / E. Neves

Um amor assim delicado
Você pega e despreza
Não devia ter despertado
Ajoelha e não reza

Dessa coisa que mete medo
Pela sua grandeza
Não sou o único culpado
Disso eu tenho a certeza

Princesa, surpresa, você me arrasou
Serpente, nem sente que me envenenou
Senhora, e agora, me diga onde eu vou
Senhora, serpente, princesa

Um amor assim violento
Quando torna-se mágoa
É o avesso de um sentimento
Oceano sem água

Ondas, desejos de vingança
Nessa desnatureza
Batem forte sem esperança
Contra a tua dureza

Princesa, surpresa, você me arrasou
Serpente, nem sente que me envenenou
Senhora, e agora, me diga onde eu vou
Senhora, serpente, princesa

Um amor assim delicado
Nenhum homem daria
Talvez tenha sido pecado
Apostar na alegria

Você pensa que eu tenho tudo
E vazio me deixa
Mas Deus não quer que eu fique mudo
E eu te grito esta queixa

Princesa, surpresa, você me arrasou
Serpente, nem sente que me envenenou
Senhora, e agora, me diga onde eu vou
Amiga, me diga...

19.1.10

E foi um adeus, também não respondido...

Meu oásis, meu aconchego de memória. Mergulho fundo no paraíso dos seus olhos verdes. É sempre um transe, um convite à loucura, ao carinho, um magnetismo que me faz grudada em você.

Fecho os olhos e quase viajo no tempo de sua voz, ao meu ouvido, seu corpo tão junto, tão tão... Suspiro e é só calmaria de torpor, agitação de desejo, de saudade...

Sonho com seus dedos de colorir a percorrer meu corpo em cores de prazer, de intimidade, de pertencimento. Quase sinto, sua pele grudada a minha, no suor de desejo, de paixão, de loucura, de entrega.

Eu fecho os olhos; aperto, com força. Sinto o peso do seu corpo. Sinto a leveza de prazer. Eu sinto um só momento de união, no silêncio, no gozo, no encontro de olhares que conversam, que atravesssam medos, que ignoram qualquer passado. É o presente de alegria e conjunção; mais do que carnal.

São só flashes de espontaneidade. Uma dança de corpos e de loucura. E vinho, copo na mão, um ser largado no conforto de viver um outro alguém. Esparramado na casa coração que é finalmente sua. E é pose de desejo, é risada de um agora tão mágico, tão etílico em embriaguez sentimental.

Abandonado, seu corpo, na minha cama, minha casa, meu coração... na minha vida, fique, e se perca em mim... Comigo. Meu aconchego de memória, tudo em você é prazer, é carinho, é amor.

11.1.10

Que o nosso amor para sempre viva....

Às vezes, a espera por algo é tão longa que os personagens se perdem pelo caminho. Já não sabem o que querem, já não sabem para onde vão, já não reconhecem, no outro, o sonho, as faíscas de paixão. Já não enxergam aquela mágica que faz do erro o acerto. É quando, talvez, o sentimento se torne verdadeiro.

Não há máscaras, não há idealismo, não há o sonho pueril, irreal. Só uma dúvida. Dúvida de gente grande. Se confia, se vale a pena, se o outro, com todos os defeitos, preenche os requisitos básicos de caráter e respeito mútuo. Se o outro te vê além; além dos olhos da relação, vê a pessoa, digna de respeito, como todos nós somos, com todos os outros defeitos.

________________________________________________________________


Gostar, gostar muito de alguém. Gostar da pessoa. Rir junto a ela. Ter, no olhar, no toque, o carinho. Chegar a parecer um cachorro recebendo carinho; porque, como na música do Cazuza, amar é “abanar o rabo”.

Gostar tanto de alguém que o arrepio é constante. No toque, um eterno abandono. São só carinhos; nosso amor, nosso prazer.

Gostar tanto de alguém ao ponto de esquecer o mundo, a velocidade, a agitação. E ficar assim, deitado, juntinho. Muito amor, filme, sempre agarradinho, até dormir nos braços de alguém.

Gostar tanto de alguém e ficar assim, em estado de pasmaceira, vendo alguém dançar, em embriaguez de felicidade. Dá para se ver, congelado, olhinhos brilhando. Seguindo e dançando o olhar junto ao movimento do corpo de uma alma querida.

Gostar tanto de alguém que adivinha o pensamento. Que diz a mesma coisa no segundo posterior ao pensamento do outro e vice-versa. Que a risada vem sem palavras, em uma sintonia inexplicável.

Gostar tanto de alguém que a estranheza e a diferença morrem diante da presença, mesmo diante do que não é dito.

Gostar tanto de alguém que já não se sabe mais quem você mesmo é, ou quer ser, para que isso seja eterno, para prender essa sensação que flutua de felicidade e espontaneidade.

É só olhar para o agora anterior e tentar pescar o sorriso, a gargalhada em uma cumplicidade inimaginável...

"Que o nosso amor pra sempre viva, minha dádiva
Quero poder jurar que essa paixão jamais será... Palavras apenas...
Palavras pequenas...
Palavras"

4.1.10

O amor....essa estranha abstração...

(...) farei o possível para não amar demais as pessoas, sobretudo por causa das pessoas. Às vezes o amor que se dá pesa, quase como uma responsabilidade na pessoa que o recebe. Eu tenho essa tendência geral para exagerar, e resolvi tentar não exigir dos outros senão o mínimo. É uma forma de paz...

Clarice Lispector

"A mocidade é o que os italianos chamam de um nome tão bonito: la stamina. A seiva, o fogo, que permite amar e criar. Quando se perde isso, perde-se tudo".

Simone de Beauvoir

21.12.09

Antes e depois

Nada como olhar para trás e sorrir. Tudo bem que você tem vontade de dizer "porque não é contigo", quando você está no fundo do poço, amargando os piores "momentos entre safra" de sua vida, ou dizendo/fazendo a coisa mais estapafúrdia do mundo e alguém comenta "você vai rir disso mais tarde".

Não há como não rir ao lembrar de sair rolando as escadas no Festival de Cinema de Gramado. Depois que já curou o joelho dolorido, inchado, ferrado; claro. Não há como não gargalhar, ao lembrar das noites sensuais e surreais, tentando transar com um gesso até a virilha ou após uma cirurgia. Depois, a preocupação de um ponto cair e um filete de sangue escorrer é só gargalhada. Passado o susto, você lembra mais daquela vozinha do seu médico, quase previdente, ecoando, tipo aqueles diabinhos de desenho animado falando ao ouvido: "pode voltar a fazer tudo, mas paulatinamente; cuidado com os excessos". Sei... Na hora H, do seu namorado te colocando em cima da pia da cozinha, só uma dor excruciante e um pontinho a menos podem te fazer lembrar disso...

Como não rir, depois - bem depois, claro... -, ao lembrar que um dia disse para uma pessoa "muito branquinha" para tomar cuidado com o sol, que era muito perigoso... antes de descobrir, obviamente, que a pessoa era albina...

Como não rir ao lembrar do filho "Hobbit" do seu querido amor, dizendo, de manhã, ao pular na cama de vocês dois, depois de uma louca noite de sexo e álcool, que vocês fedem, que estão com bafo... Só resta rir... Depois de escovar os dentes, é claro...

Nossa, tem essa outra, impagável. Velhos amigos. Bebem demais. Terminam a noite juntos, sem pensar, sem lembrar. Daquelas noites que se finge que nada aconteceu. Aí, velho frequentador da casa, o cara tem de ouvir da mãe da garota que "ela é uma irresponsável, dia desses sumiu, nem para dar recado de que ia dormir fora; sim, porque eu não me incomodo que ela vá para motel, mas me avisa que não vai voltar". O amigo com a velha e notória cara de quem não tem nada com isso. Claro. E anos depois, vai rir e contar essa história para todo mundo.

O filho do seu digníssimo saiu para um passeio. Vocês não aguentam de tesão, um minuto sozinhos e já explode a coisa toda. Quando percebem, estão em cima da cama, feito animais no cio; sabe lá quanto tempo depois, a porta estremece, na maior batida. Levantam os dois se encontrando feito formigas em ataque ao formigueiro, abre a porta, é a camareira olhando para os rostos suados e nervosos, perguntando: "posso entrar?"; "sim, claro". Anos de profissão, ela repete: "posso mesmo?". Na hora, é só desespero. Depois, é só lembrar e rir, até porque, dia seguinte ela deixou as toalhas da piscina na mesa da varanda...

Você está em um mega evento governamental. Autoridades de Estado, do tipo "muito cacique para pouco índio". Tentando seguir sua linha, "passe despercebido", você segue para um daqueles coffee breaks que vão contra qualquer disciplina alimentar. Vai pegar um suco com uns pães de queijo - esse personagem aqui adora! - na mão e o copo na outra. Está diante de uma daquelas máquinas com tipo uma biquinha para abrir e preencher o copo com suco. Na hora que o copo enche, cadê que consegue fechar? Começa a transbordar no chão, molhando o tapete e, nervosa, a pessoa mexe mais freneticamente - e mais sem jeito - a tal da bica... Quando olha para o lado, uma bondosa alma se dispõe a ajudar. E fecha. E é o ministro... Só resta rir...depois de se esconder, é claro...

Bem sugestivo, uma mulher pergunta, por exemplo, em pleno intervalo do show do Planet Hemp, como colocar a ficha no aparelho telefônico, que ela não sabia. Já naquela época, fazia anos que nós só conhecíamos orelhão de cartão.... Mas, perdão, esse não é o melhor exemplo, porque a gente riu lá mesmo. E muito. E rimos até hoje...

É possível lembrar várias e várias situações "rolante-cômicas". Aquelas que, com o passar dos anos, viram os "clássicos", contados à exaustão, nas rodas de amigos. Nada como um dia após o outro. Portanto, o segredo é esperar. A risada está logo ali na esquina...

14.12.09

Estremeço....

...Estremeço, cheia de amor, pensando nos seus doces olhos, na linda promessa de cachoeiras e chopps domingos à tarde. É tão junto, tão delicioso estar com você que, sozinha, eu me sinto metade. Você é minha metade prudente. Você é minha metade calmaria. Você é minha metade família. Você é minha "metade-raízes".

Eu sinto falta de sua vida. Eu, "desapegada" do mundo, lembro de seu lindo filho querendo dormir comigo. E mexe no telefone. E quer a câmera. E quer o sorvete. E quer o chocolate. Com aqueles olhinhos espevitados, cheios de vida; quase uma síncope para se ter coragem de dizer não...

O não que é necessário dizer, na escolha de um bem maior, de um sentimento mais profundo. Que te arrasta. Que te leva para um redemoinho de sensações. Que te domestica em sonhos que você vive e quer viver com alguém. Você é tanto em mim, sem eu pedir, sem eu lutar; é só entrega, tudo junto e sacudido em meio a muita paixão, muita loucura, muito desejo.

A paciência que não tenho. E que tento aprender a cada dia, na esperança daquele sorriso tão espontâneo, daquela gargalhada tão nossa, daqueles beijos menos roubados, mais explodidos.

Você é minha metade silêncio. Você é minha metade adivinhação. Minha metade gestos e olhares. Eu sou sua metade instinto, impetuosidade. E são tantas metades que o sentimento só se multiplica... Não importa quantos “sim” possam existir, quando a resposta quer ser - e é - única, intransferível: metade sem você é só vazio, meu amor...

6.12.09

Sutilmente
Skank
Composição: Samuel Rosa / Nando Reis


E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
Quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
Quando eu estiver fogo
Suavemente se encaixe

E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
E quando eu estiver bobo
Sutilmente disfarce
Mas quando eu estiver morto
Suplico que não me mate, não
Dentro de ti, dentro de ti

Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti
Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti

E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
E quando eu estiver bobo
Sutilmente disfarce
Mas quando eu estiver morto
Suplico que não me mate, não
Dentro de ti, dentro de ti

Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti
Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti
Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti
Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti.

6.11.09

Se Tudo Pode Acontecer

Se Tudo Pode Acontecer
Arnaldo Antunes
Composição: Arnaldo Antunes


Se tudo pode acontecer
Se pode acontecer qualquer coisa
Um deserto florescer
Uma nuvem cheia não chover
Pode alguém aparecer
E acontecer de ser você
Um cometa vir ao chão
Um relâmpago na escuridão
E a gente caminhando de mão dada de qualquer maneira
Eu quero que esse momento dure a vida inteira
E além da vida ainda de manhã no outro dia
Se for eu e você
Se assim acontecer. . .
Se tudo pode acontecer
Se pode acontecer qualquer coisa
Um deserto florescer
Uma nuvem cheia não chover
Pode alguém aparecer
E acontecer de ser você
Um cometa vir ao chão
Um relâmpago na escuridão
E a gente caminhando de mão dada de qualquer maneira
Eu quero que esse momento dure a vida inteira
E além da vida ainda de manhã no outro dia
Se for eu e você
Se assim acontecer. . .

Recifes de saudade....


Eu já te disse???

Que é difícil ficar longe de vc...

Que é difícil não poder olhar todos os dias para o infinito dos seus olhos...

Que é difícil não sentir seu corpo, sedento, junto ao meu...

Que é difícil não sentir o compasso e o êxtase de sua respiração misturada a minha.....

Que é difícil não ver esse sorriso, ouvir essa risada e todos os sons da alegria que compartilhamos...

Que é difícil não caminhar de mãos dadas, não assistir ao sol se por ao seu lado...

Que é difícil não ter seu colo para me aconchegar, no cansaço, na saudade, no desejo...

Ainda assim, fácil te amar...

*Fotografia no Museu do Instituto Ricardo Brennand, conhecido como Castelo do Brennand

28.10.09

Ao lado de seu amor, o personagem é só uma menina apaixonada...

Não consigo parar de pensar em você. Penso nos seus olhos, procurando e fugindo dos meus. Lembro do toque suave de suas mãos, deslizando pelas minhas costas, segurando, com desejo, com paixão, o meu corpo junto ao seu.

Eu penso nos beijos, sem fim. Nossos corpos adormecidos de entrega, misturados, quase um, largados a sorte de um amor, naquele eterno momento sem reflexões.

Seu corpo, seu dorso, sua imponência, abandonada sob meus olhos, apaixonados, seguindo o seu caminhar, seu desfilar, inerte, desligado, olhos brilhando, sorriso no canto da boca.

Não consigo parar de pensar em você. Seus dedos procurando os meus, no gesto inconsciente, no toque de peles frêmitas. Nas mãos, entrelaçadas, na busca de almas que fogem entre si.

Seus lábios nos meus. No meu corpo. Sua língua. Corpos ardentes. O contorno de um só corpo, em um abraço, na eternidade de um instante.

Ai, meu amor, não consigo parar de pensar em você. Fique assim, junto a mim, para sempre. Não me deixe ir... Quero me perder com você. Quero me perder em você. Mas não quero que nos percamos...

20.10.09

Obrigada

Obrigada por todo amor que tenho.
Obrigada por mais alguns anos de vida.
Obrigada pelas pessoas especiais que me rodeiam e pelos presentes que nascem, multiplicando amor...

Obrigada por me trazer à realidade de que tudo é fugaz. Só o amor fica.

Obrigada, obrigada, obrigada.

Amor aos que não vejo, não ouço e não entendo. Principalmente.

Amor aos que quero, preciso ver, sem entender isso.

Amor aos que vejo, não entendo, mas quero entender.

Amor, amor, amor. Só pode gerar amor.

E obrigada. Que cada segundo de insônia - e sobriedade - seja um pensamento de paz, carinho; sobretudo, paciência.

5.10.09

Disse que valeria a pena...

Ao subir as escadas, coração em disparada. Sorriso desconcertado no rosto. A porta abre, o cachorro late, a criança corre. Ainda mais tímida, Cris nem entrega o presente. O moleque, malandro, bonito, descabelado, cinco anos de travessuras, recebe, de presente, o copinho com desenho e o pacotinho de nozes, castanhas e amendoins adocicados. Olha para a mãe e diz: “ela pensa que eu sou criança”...

Cris tem vontade de rir, mas não sabe se deve; ah, essas teorias de educação infantis... Apaixona pelo projeto de gente do seu Amor e sua espontaneidade. Seu Amor ri também, desconcertado: “desculpe, ele é tão espontâneo, que me deixa sem graça”.

Logo se vê, sozinha, quase enterrada no sofá da sala, procurando algum estratégico “buraco de avestruz”. O moleque lindo e seus pontos de cirurgia correndo, nem aí, pela casa. Ex-mulher, sogra, cunhado, cachorro... faltava o papagaio e tudo mais... E Cris procurava, quase em desespero, pelo seu Amor. Quem diria, ela, logo ela, estaria ali, sem reclamar, no meio de um núcleo familiar, até gostando de conhecer esse pedaço da vida de seu Amor.

Perguntas, perguntas, perguntas. Cris falando com “desconhecidos” que não eram desconhecidos. Eram amores de seu Amor. Ai, ai, ai, my God, a coisa certa... Onde trabalha, você é jornalista, “o que tem de bom na profissão”...ai, ai, ai... A vontade de rir era quase patética.

A ex-mulher do seu Amor senta para conversar. Pacote de nozes, amendoins e castanhas na mão, comendo. “Quer?”. "Ai,que vontade de rir"... O projeto de cachorro pula no colo de Cris, depois de decidir parar de latir para ela. “Ai, fica aqui”, pensa ela, apertando o cachorro e lembrando da brincadeira com os amigos de trabalho: “senta aqui, não tenha tanta pressa, senta aqui”...

____________________________________________________________________________________

Ela e seu Amor depois.... Ele ri, pergunta; ela, ainda, em estado de “apavoramento”. Ri e ri. Ri mais ainda. Eles lembram as cenas e riem, cúmplices. Ela se joga no colo dele, sente os dedos longos, a mão forte, percorrendo seu rosto e mexendo nos seus cabelos e pensa: “Deus não disse que amar era fácil, disse que valeria a pena”...

29.9.09

Não adianta....

Não adianta. A memória vai fundo no esverdeado dos seus olhos, na dúvida estampada no seu rosto, no corpo, solto, tímido, amando e sendo amado. No toque rente de seus dedos, deslizando, carinhosamente, pelo meu corpo entregue. Suas mãos fortes, puxando meu rosto, roubando um beijo que já era dado. Seu corpo grande, belo, esguio, seu contorno, na janela, na luz de sonhos que ainda estão – talvez - por vir. Esse sorriso que escapa, tímido, e vem para mim sem resistir, no segundo antes de pensar e temer. Não adianta. Eu me lembro do seu cheiro, seu gosto. Não é mais uma memória ou sonho, é real. É paixão, é loucura. É seriedade no reflexo e no medo dos seus olhos. É passado e é futuro no silêncio do que você não declara.

Não adianta, eu quase vejo seu rosto iluminado de espontaneidade, antes do pensamento, antes da prudência, antes do cuidado. Eu quase ouço sua risada feliz, seu sorriso, no segundo que antecede a ruga na testa e a realidade para aterrorizar. Eu me lembro dos movimentos tímidos e frenéticos, alternadamente, no compasso da paixão, ainda que fugaz, instantânea. Naquele segundo que brilha, no agora não imaginado, aquele, aquele, aquele gozo.


“A vida ardia sem explicação.... não tem explicação, explicação.....”
Segundo Sol, Nando Reis, mas prefiro na voz da Cássia Eller......

23.9.09

Cuidado.....

Cuidado demais impede os caminhos. Incerteza protege de vida, de êxtase, da liberdade de sentir. Ela pensava naquele sorriso e ficava assim, inerte, desejo congelado em memória ausente de vida.

Sem fome, sem sono, rindo pelos cantos. Olhava para a tela do computador e via a imagem refletida, mexendo nos cabelos, sorrindo a timidez que a encantava. Ui, ui, no carro, enfrentava o engarrafamento, pensando nos beijos, nos abraços, enredar-se no corpo dele, perder-se em carinhos. Ia cantarolando todas as frases de amor que explodiam dentro dela. Sorriso estampado na alma, olhar fixo; seu rosto, seu olhar, seus lábios. Fechava os olhos e simplesmente viajava. Não havia mais tempo, distância, só o instante feliz. Frases ecoavam, procurava os gostos dele só para agradá-lo, mimá-lo e enchê-lo de carinho......

Desde os mais primórdios, “o que fazer” (e o que não fazer...) deve ter assombrado a humanidade que tenta ser humana. Justa. Fiel à polissemia de atitudes em discursos existentes ou não.

Relação é fato, é lista de coisas, dependência, ligação, conhecimento, amizade, trato, envolvimento sexual... uma série de coisas. Se não há nada disso, em tese, não há relação. Mas se há sentimento sem ligação, sem dependência, sem conexão, sem lista, sem sexo, sem trato, querendo ter tudo isso junto, ao mesmo tempo, ontem??? Uma relação, talvez. Mas, para isso, são necessários, dois corpos ardentes, duas mentes sonhadoras no mesmo momento, planos para vir, sem ausência, sem silêncio, maldito carrasco de sentimentos......... Onde está você agora que não aqui, dentro de mim????

15.9.09

Personagens não sabem o que pedem

Todos os dias, Layla lembrava da solidão. Levantava de manhã, cantando, sorrindo, na esperança que o dia a surpreendesse com um amor de "verdade". Cortava os cabelos, dançava, ensaiava os melhores sorrisos. E era, naturalmente, envolvente. Por onde passava, era um rastro de olhares, não vistos, não percebidos pela sonhadora.

Espalhava aos quatros cantos a busca pela metade, pela parte do encaixe, pelo outro lado da cama, para dormir, abraçado, grudado, amor à flor da pele. Assistia aos filmes na televisão, torcia pelos casais da novela e pensava, sofria, 'quando iria encontrar esse novo amor, sumido, distante, que a deixava na solidão'?

Um belo dia, encontrou um rapaz, mais novo, mas bastante obstinado. Ele se encantou, de cara, com a força daquele olhar, com a voracidade das palavras que o devoravam, mesmo quando não ditas. Ele se encantou com o ar desligado da moça, na flor da idade do século XXI. Ele se encantou com o sorriso, de lado, meio que escondendo toda sua força. Ele se encantou com a energia, pronta para ser sugada, dividida, explodida em amor.

Pensativa, cheia de vigor, ela não o via. Continuava, indiferente. Era impossível que ela não o percebesse. Ele, ali, entregue, apaixonado, doido para preencher os espaços vazios. Doido para se redimir do passado e se entregar, de vez. Pronto para o tal amor de verdade, sem problemas, sem poréns. Sem dramas. Ele estava ali, nunca tão consciente de si mesmo, nunca tão aberto, nunca tão flagrante, nunca tão sem juízo, sem cuidado, sem passado. O nunca do presente; sem igual...

Pediu, chamou, disse com todas as letras que queria escrever. De amor, de paz, de construção. Mas só ficou o vazio. O silêncio. E, então, ele se lembrou do passado, da dor, do desamor. Lá se foi, sem olhar para trás; deixando apenas as palavras abandonadas de promessa. Layla voltou para o ex-marido.

7.9.09

Fragmentos

Apenas alguns fragmentos na estranha lógica de um personagem....

Festas de final de semana. Bailes; essa palavra ainda existe? Brincadeiras no sítio. Corridas, piques, gatos sumindo.... carnaval no clube. Sorveteria em Black Point....primos, amigos, linda infância. Sambinha na Federal. Black Night. Universidade do Chopp. Segóvia?!?!?! Matinê da NY. Pranchas de desenho e auto-cad.... Luaus em copa: SESC!!! Oficina do Samba em VP... Excentric!!! Churrascos em Bangu. Bunker!!! Farras, da Praça Quinze até a Happy Hour do Rio Centro com "the lawyer"... Computadores em Botafogo, diretamente para IACS. Fundição. Saudosa Lapa, pé-sujo com sinuca. Rastros e caminhos. Choppadas. Amigos de faculdade. Churrascos na Tá com televisões voando e chá de sumiço. Cuquinha sacudindo na Grajaú-Jpa. Deitar na mesa de trabalho, tarde da noite.... Ai, meu lindo Rio e saudosa Nickity. Danças na chuva. Conversas até de manhã. Cachorro para passear. Bar de doidões. Sapatos perdidos. Ônibus com entrada diferente. Jantares em Pinheiros. Pimentas na Lapa. Sesc Pompéia. Com tênis, homem não entra na disco.... E Matrix!!! O Bexiga, ai, ai, ai. Alguma coisa acontece no meu coração... Castelinho da Fio, roxo de novidade. Festas juninas. Garoto manteiga, que saudade! E o moço do pé calçado, o outro sem meia. Aninha, aprendi a dizer não...às vezes....risadas com Babs, conversas com Mano e muita festa com sr e sra V Rocha. Container!!!Rastros de novo. Com botas e tombos em pontes. Ônibus de dois andares. Uísque com red bull. Drinks vermelhos. Gongos batendo, pubs fechando. Albergues e casinha de porta amarela na estrada da memória...sem fim..... saudade de Rick milk shake..... Recreio lindo. Praia da Macumba. Grumari. Ai, que pôr do sol. Deitada na pedra. Restaurantes, caronas de moto. Carro quase caindo na reserva. E o saudoso Kananga do Hilos, era assim que escrevia? Quem nunca comeu carne de côco, come cinco, olhando a praia... dedos do pé, apaixonados, brincando na areia. Cabaninhas; oh, malandragem, dá um tempo.... pousadas, escadas, tantas fases.... Eu lembro do onze de perdido.... das festas insanas, das pipocas sacanas... Mezcal no instante, botas intermitentes, festas com fadas azuis na loucura de "promover a paz mundial"... na varanda, seu olho azul. Castanho. Verde kriptonita..... Branco, moreno. Cabelos lisos. Escuros. Tudo permeado por carteiras perdidas, garrafas vazias e cigarros.... amigos caídos ali, mas já não era na "p de praia de maricá".... não, Danizinha, não beba mais. Não, Danizinha, não esqueça mais... Prédio alto. Segurança para entrar. Francês, charmoso, ao pé do ouvido. Aussie, aussie, aussie. Cangurus, pernas e liberdade. Coalas e lindos gambás. Barracas, amigos, amigos, amigos; melting pot.... salsa sexta-feira. Valley. Fringe bar.....The Victory, dear M. A casa das festas....one more try, dear Joe. Acomodação mil estrelas. Aconchegos no carro. Coração aportando em Saint Lucia. Às vezes, saudades.... my babies....Copacabana essa semana, princesinha do mar..... varandas... rodízio de japonês. Todo dia, uma festa, uma visita, um país; algum eu. Paraty, mais uma vez, logo ali. Na carona da lembrança, dos amigos. E lembra do Incrível Hulk, passaporte para Austrália... Muda de elevador, muda de estado, mais uma vez. Brasília, tempo de seca, tempo de viver, mudar, voltar a ser sério para variar.....para então ser louco e lembrar cada fragmento que nos leva em frente, Mana, para, de novo, mudar.............. Ainda bem.

28.8.09

Paixão....

Quase sempre de braços abertos e sorriso largo, como em um mergulho para a vida... Cheia de expectativas, é movida à paixão, à novidade, a prazeres; por vezes, efêmeros, por vezes eternos na memória. Do nada, sem explicações, é como uma criança com um novo brinquedo. Assim aprende os segredos de uma nova profissão, de um novo trabalho, de um novo amor, de uma nova cultura.

Vai mudando, vai vivendo, vai achando o que, de comum, há no mundo. Vai aprendendo, vai sofrendo com diferenças, vai apanhando por confiar, vai seguindo, feliz, a trilha de quem nunca está no mesmo lugar, nem mesmo parado.

Com a memória maleável, para trazer as doces lembranças e perdoar as agruras do mundo. Dolorida de aprendizado, muitas vezes. Com fases de hibernação, de transformação, ou incorporação. Momentos necessários para absorção de tantos outros eus, tantas mudanças, tantos referenciais perdidos.....

Ao olhar para trás, só agradece. Mesmo que perca os caminhos, que apague os passos, que veja o mundo abrir a sua frente, desesperador convite em um leque de oportunidades....a serem escolhidas....Corpo e alma mutável, na cadência errante de existência inquieta.

Ela também se redescobre, sóbria. Aprecia a própria timidez. Quase menina, sem experiência, voz baixa que, sem perceber, às vezes solta uma piada. Menina enrolada, trocando palavras, mediante pessoas desconhecidas. Mas abaixa os olhos fugidios e sorri, de qualquer maneira, abraçando ao mundo, esse aterrorizante desconhecido em pessoas.....

Pessoas de quem depende. Metafórica e literalmente. Um dia para dizer que, também, é necessário estender a mão e simplesmente pedir ajuda. Ser humilde para pedir, para "perturbar" e até para aceitar o "não", pois ninguém sabe o prejuízo da alma livre, ao depender; mesmo assim, outros não sendo obrigados a ajudar.

De peito aberto, ama o novo, ama o desconhecido, ama até os cabelos claros, os novos olhos e ama a imaginação, ama a experiência, ama o depender de um novo alguém, ama o respirar imaginado, o gosto compartilhado, ama o mundo de novidades, ama o amor, ama, até mesmo, o efêmero estar apaixonado. É a vida, todos os dias. O ar que se respira em novidade. Um outro alguém em você. Quando muda, ou quando se redescobre em alguém. Com alguém. Para alguém. E, enfim, sendo novo para outrem.

22.8.09

Doente de rotina: já vem um novo amor....

Piores que qualquer restrição física são os arreios na alma. Quando limitamos nossa existência a uma simples verdade, a um horário forjado e reforçado na história da industrialização, a estruturas políticas e sociais que ajudam a organizar nosso bagunçado instinto.

Todos os dias, nossas vidas são invadidas por doentes de cotidiano que brigam pela última vaga no estacionamento, que xingam no sinal, que maximizam as nêuras dos atos repetidos e que explodem em idiossincrasias políticas, de vaidade.

Oh, no, Lord...
Dê força para os que se levantam, no motim de sentimentos, para proferir palavras rudes e agressivas, sustentar suas imagens, com as quais se preocupam tanto, parecem defender a própria vida.... Para que reflitam...

Os anos passam, as rugas chegam, o corpo falha, as cidades mudam; as experiências explodem. Com sorte. Mais sorte ainda os que têm a habilidade e o privilégio de manter a memória viva: os preciosos amigos. Mas há os que arrastam a personalidade, incapazes de mudar a vírgula de lugar, porque "assim tem de ser", porque "assim eu disse que seria", porque "assim é a minha vida". Não que se deva condenar, porém, difícil compreender quem se acostuma com o ruim, quem se acomoda no mais ou menos, quem se resigna a uma existência mais submissa, quase nula.

Cada céu é um horizonte. Cada pôr-do-sol é uma mensagem de um milagre. Da vida, tudo tão lindo que nos cerca, da Natureza, pronta para evoluir, para vencer as situações desafiadoras, para ultrapassar qualquer limite. Inexplicável, mutável, admirável. Ao olhar as ondas do mar, não há cotidiano, mesmo que sejam ondas.... Há volumes, cores, velocidades, tudo diferente, em um conjunto e contexto diferente. A Natureza não se permite estagnação. Há destruição, terremoto, mas há muita energia e as placas tectônicas se acomodam... Chove sem parar e que linda a atmosfera, que “voluptuosos” os rios, os mares, as nascentes, quase de pura vida...

Há tanta poesia ao redor que o cotidiano não deveria ser tão maçante, destruidor. Em frente a nossas máquinas, com desktops de realidade, nos mundos paralelos que desculpam nossa existência de regras sem sentido, perdemos a noção.... O todo é para sustentar algo que não se sabe, não se pensa, nem se quer ou não; só é, só existe. Os intuitos se perdem em caminhos tortuosos, em labirintos que, novamente, auto-justificam todas as loucas lógicas que se cruzam, que se batem, que se ignoram, em verdades de culturas diferentes.

Não, não. Esse personagem é quase, mas não é anarquista. Ele admira a beleza do mesmo amor, ele entende a facilidade da estrutura, contudo, menospreza o automático, a perda dos próprios propósitos. Insiste que, no erro, na mudança, no diferente, é que os seres são confrontados com mil questionamentos para mudar, para melhorar, para exercer a liberdade de escolher. Se é tudo assim mesmo, não há escolha, não há vida, há repetição, há acomodação. Esse personagem sabe admirar a escolha já feita, a felicidade já acomodada, mas que, sempre, sempre, pode ser mudada, aperfeiçoada, salvo em criaturas aprisionadas em si mesmas, sem alma, sem personalidade, sem “existência real”, sem um amor que os mova na direção dos ideais, naquele instante de gozo que vale a vida inteira!

Romântico demais talvez. Crédulo exagerado talvez. Antes o virtuosismo otimista que o rancoroso eu, ego inflado e inflamado em escancarado egoísmo. Sem religião, cheio de amor, o personagem ainda pede perdão, "eles não sabem o que fazem...”. Nem pelo que fazem, tampouco como fazer.... Oh, humanidade perdida em conceitos, preconceitos e vaidades.... Vergonha as nossas, personagens, fazer o quê, simples e boçais humanos.....

17.8.09

Adeus

Um rosto que deforma a memória.
Envelhecido. Doído de passado.

Um rosto que engana.
Esconde o passado de amor...

Um gosto de "extremismo".
Um quê de resolução.

Um gosto de punição.
Perdendo, nós e nós....

Uma visão de passado.
Um resquíco de dor.

Uma visão de futuro.
Uma ausência total.

Uma palavra de basta.
Mais uma fuga.

Uma palavra não proferida.
Mais um adeus.