21.12.09

Antes e depois

Nada como olhar para trás e sorrir. Tudo bem que você tem vontade de dizer "porque não é contigo", quando você está no fundo do poço, amargando os piores "momentos entre safra" de sua vida, ou dizendo/fazendo a coisa mais estapafúrdia do mundo e alguém comenta "você vai rir disso mais tarde".

Não há como não rir ao lembrar de sair rolando as escadas no Festival de Cinema de Gramado. Depois que já curou o joelho dolorido, inchado, ferrado; claro. Não há como não gargalhar, ao lembrar das noites sensuais e surreais, tentando transar com um gesso até a virilha ou após uma cirurgia. Depois, a preocupação de um ponto cair e um filete de sangue escorrer é só gargalhada. Passado o susto, você lembra mais daquela vozinha do seu médico, quase previdente, ecoando, tipo aqueles diabinhos de desenho animado falando ao ouvido: "pode voltar a fazer tudo, mas paulatinamente; cuidado com os excessos". Sei... Na hora H, do seu namorado te colocando em cima da pia da cozinha, só uma dor excruciante e um pontinho a menos podem te fazer lembrar disso...

Como não rir, depois - bem depois, claro... -, ao lembrar que um dia disse para uma pessoa "muito branquinha" para tomar cuidado com o sol, que era muito perigoso... antes de descobrir, obviamente, que a pessoa era albina...

Como não rir ao lembrar do filho "Hobbit" do seu querido amor, dizendo, de manhã, ao pular na cama de vocês dois, depois de uma louca noite de sexo e álcool, que vocês fedem, que estão com bafo... Só resta rir... Depois de escovar os dentes, é claro...

Nossa, tem essa outra, impagável. Velhos amigos. Bebem demais. Terminam a noite juntos, sem pensar, sem lembrar. Daquelas noites que se finge que nada aconteceu. Aí, velho frequentador da casa, o cara tem de ouvir da mãe da garota que "ela é uma irresponsável, dia desses sumiu, nem para dar recado de que ia dormir fora; sim, porque eu não me incomodo que ela vá para motel, mas me avisa que não vai voltar". O amigo com a velha e notória cara de quem não tem nada com isso. Claro. E anos depois, vai rir e contar essa história para todo mundo.

O filho do seu digníssimo saiu para um passeio. Vocês não aguentam de tesão, um minuto sozinhos e já explode a coisa toda. Quando percebem, estão em cima da cama, feito animais no cio; sabe lá quanto tempo depois, a porta estremece, na maior batida. Levantam os dois se encontrando feito formigas em ataque ao formigueiro, abre a porta, é a camareira olhando para os rostos suados e nervosos, perguntando: "posso entrar?"; "sim, claro". Anos de profissão, ela repete: "posso mesmo?". Na hora, é só desespero. Depois, é só lembrar e rir, até porque, dia seguinte ela deixou as toalhas da piscina na mesa da varanda...

Você está em um mega evento governamental. Autoridades de Estado, do tipo "muito cacique para pouco índio". Tentando seguir sua linha, "passe despercebido", você segue para um daqueles coffee breaks que vão contra qualquer disciplina alimentar. Vai pegar um suco com uns pães de queijo - esse personagem aqui adora! - na mão e o copo na outra. Está diante de uma daquelas máquinas com tipo uma biquinha para abrir e preencher o copo com suco. Na hora que o copo enche, cadê que consegue fechar? Começa a transbordar no chão, molhando o tapete e, nervosa, a pessoa mexe mais freneticamente - e mais sem jeito - a tal da bica... Quando olha para o lado, uma bondosa alma se dispõe a ajudar. E fecha. E é o ministro... Só resta rir...depois de se esconder, é claro...

Bem sugestivo, uma mulher pergunta, por exemplo, em pleno intervalo do show do Planet Hemp, como colocar a ficha no aparelho telefônico, que ela não sabia. Já naquela época, fazia anos que nós só conhecíamos orelhão de cartão.... Mas, perdão, esse não é o melhor exemplo, porque a gente riu lá mesmo. E muito. E rimos até hoje...

É possível lembrar várias e várias situações "rolante-cômicas". Aquelas que, com o passar dos anos, viram os "clássicos", contados à exaustão, nas rodas de amigos. Nada como um dia após o outro. Portanto, o segredo é esperar. A risada está logo ali na esquina...

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